Acqua Trekking II

Hoje foi dia de participar novamente do Acqua Trekking na cidade de Peabiru. O tempo ajudou, foi um dia de sol quente. Quase 50 pessoas participaram, e no final foram quase nove quilômetros de caminhada por terra e por água, passando por seis cachoeiras. E não faltou o batismo com lama, que acontece até mesmo com aqueles que já fizeram outras vezes essa caminhada. Ninguém escapa, é lama na cara mesmo! Dessa vez sofri um pouco com meu tornozelo machucado, que doeu bastante e me fez tomar cuidado redobrado para não torce-lo ao pisar numa das milhares pedras soltas dentro e fora da água.

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Caminhada na Natureza – Turvo/Pr

Após o show em Cruzeiro do Oeste, cheguei em casa de madrugada, tomei banho, peguei minhas coisas e meia hora depois passei na casa de uns amigos e sem dormir nadinha segui para a cidade de Turvo. Foram quase 170 km de estrada para participar de mais uma Caminhada Internacional na Natureza. Fazia alguns anos que tinha vontade de caminhar em Turvo, pois sei que a região é bonita e tem muita mata e cachoeiras. E dessa vez deu certo de ir pra lá, mesmo cansado e sem dormir.

A caminhada teve centenas de participantes e foi muito bem organizada. Foram quase 14 km de caminhada, principalmente no meio da mata, onde tinham muitas araucárias, minha árvore favorita. E passamos por cinco cachoeiras, sendo que uma delas tinha 37 metros de queda d’agua. Sofri um pouco, pois manquei boa parte da caminhada por culpa de um problema antigo no tornozelo e que só vem piorando. E fez bastante calor para um domingo de inverno, mas ao menos caminhar na sombra da mata amenizou um pouco  o calor. Quase no final da caminhada eu estava bem exausto e passamos num local com casas de madeira em estilo europeu, onde moram algumas famílias com origem holandesa. Na frente de uma das casas estavam servindo aos caminhantes limonada e sopa. Provei a sopa que estava deliciosa e até repeti. Daí tive novo animo e forças para seguir até o final. Não sei o que tinha naquela sopa que me deu tanto energia. De repente é melhor nem saber!

De tanto que gostei da caminhada em Turvo, pretendo voltar outras vezes. O mais difícil foi a volta para casa, pois estávamos todos muito cansados. Para ficar acordado e não correr o risco de dormir ao volante, consegui um lugar para tomar banho e ingeri uma lata de energético com Coca-Cola. E boa parte do caminho de volta para casa viemos cantando no carro e rindo muito, o que ajudou a me manter acordado.

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Acqua Trekking

Hoje foi dia de Acqua Trekking na cidade de Peabiru. Ou seja, dia de caminhada onde a maior parte do percurso é feito dentro da água. E foi uma caminhada muito legal, andando no meio da mata, por trilhas molhadas, atravessando o rio várias vezes, caminhando por dentro do rio, atravessando pinguela e visitando seis cachoeiras. Mesmo sendo um dia quente de inverno, a água estava bem gelada, mas isso não atrapalhou nem um pouco a aventura. Ao todo foram nove quilômetros de caminhada, e teve direito a batismo com lama…

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De volta ao Lago Azul

Aproveitando que o frio deu um tempo, fui com alguns amigos visitar novamente o Parque Estadual Lago Azul. Percorremos a Trilha Aventura, que dessa vez não estava tão difícil em razão da água estar baixa, por culpa da falta de chuva. Foi uma caminhada agradável e de negativo somente eu ter torcido o pé após pisar numa pedra solta, e a noite tive que ir ao hospital por culpa desse incidente. Resultado, muita dor e alguns dias de atestado evitando colocar o pé no chão.

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ZZZ

5ª Caminhada Internacional na Natureza – Campo Mourão

Após uma ausência de meses, hoje voltei a participar de uma Caminhada Internacional na Natureza. A etapa de hoje da caminhada foi em Campo Mourão, minha cidade. Era para ser 12 km de caminhada, mas na verdade o trecho foi de 14 km. A paisagem muito bonita, a organização muito boa e o café da manhã excelente. Não almocei no local da caminhada, pois precisava voltar urgente para casa em razão de outros compromissos assumidos. E o mais legal foi que encontrei muitos amigos, o que tornou a caminhada prazerosa e divertida.

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Livro: Machu Picchu e Trilha Salkantay

Meu terceiro livro já está à venda!

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Caminhada na Natureza em Engenheiro Beltrão

Hoje foi um daqueles domingos para madrugar e pegar estrada com os amigos, para participar de mais um Caminhada na Natureza. Dessa vez a caminhada foi próxima a cidade de Engenheiro Beltrão. Foram quarenta quilômetros de estrada até chegar no local do início da caminhada, perto do Rio do Ivaí.

Primeiro teve um farto e delicioso café da manhã. Depois aquecimento e começamos a caminhar. Tinha chovido durante a noite e por isso encontramos muito barro pelo caminho. Mas o sol deu as caras e foi uma caminhada interessante, principalmente quando caminhamos pela mata próxima a margem do rio.

Foram quinze quilômetros de caminhada. Confesso que me cansei, pois tinha ido dormir muito tarde e estava preparado psicologicamente para dez ou doze quilômetros, quilometragem de quase todas as Caminhada na Natureza. Depois da caminhada teve almoço em um pesqueiro, mas como não como peixe achei melhor ficar longe do local de almoço.

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Aquecimento.

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Rio Ivaí.

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Posto de água.

Caminhada na Natureza em Corumbataí do Sul

No último domingo participei de minha segunda Caminhada Internacional na Natureza esse ano. Dessa vez a caminhada foi em Corumbataí do Sul, pequena cidade distante 50 quilômetros de minha casa. O mais chato foi acordar cedo no domingo e pegar uma estrada asfaltada cheia de vergonhosos buracos. Junto comigo foi meu amigo Rodrigo Alemão. Tinha mais gente que disse que iria, mas na última hora desistiram. Acho que não estavam afim de levantar antes das seis num domingo. O engraçado é que esse pessoal que desiste, depois vê as fotos da caminhada e ficam se lamentando de não terem ido.

Chegando em Corumbataí do Sul, paramos pedir informação e logo encontramos o local onde iniciaria a caminhada. Tomamos café e após um breve aquecimento a caminhada iniciou, quando passava um pouco das oito horas. Na primeira parte da caminhada segui junto com outro amigo, o Andrey Legnani. Ele foi me contando sobre o Caminho de Santiago, que ele e sua esposa percorreram ano passado. Durante a primeira parada num posto de apoio, reencontrei o Alemão e a partir dali seguimos juntos, conversando principalmente sobre viagens.

Eu ainda não tinha participado de caminhada em Corumbataí do Sul, então o roteiro da caminhada para mim era uma incógnita. E acabei gostando do percurso, apesar das muitas subidas passamos por lugares bonitos, atravessando riachos, andando pelo meio da mata, no alto de morros. E tive a chance de subir novamente num touro. Mesmo o touro sendo manso dá medo e não é todo mundo que encara o desafio de subir no bicho.

Ao todo foram 12 quilômetros de caminhada e na parte final o sol de inverno judiou um pouco. A caminhada terminou no mesmo local onde iniciou. Logo foi servido o almoço, mas eu e o Alemão não almoçamos, pois estávamos sem fome. Pegamos o carro e partimos rumo nossas casas, mais uma vez passando pela esburacada estrada que leva até Corumbataí do Sul.

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Alemão e Vander.

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Atravessando um riacho.

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Placa de sinalização.

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Caminhando no alto de um morro.

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Longa subida.

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Fila na subida do morro.

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Segura peãoooooo!!!

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Corumbataí do Sul.

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Fim da caminhada de 12 km.

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Comprovante de que caminhei.

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Almoço pós caminhada. 

Livre (Wild)

Não costumo postar muito sobre filmes aqui no blog, mesmo sendo um cara que assiste muitos filmes. Normalmente posto sobre filmes na época do Oscar, ou muito raramente, quando gosto bastante de um filme. E dessa vez estou postando sobre um filme que assisti hoje e que gostei muito. E acabo de comprar no site da Amazon, o livro no qual o filme foi baseado. Geralmente livros que se transformam em filmes, são mais completos e tão bons ou melhores que os filmes.

O motivo de eu gostar muito do filme, foi que além dele falar sobre caminhadas, aventura e natureza (coisas que adoro!), a história mostra como uma mulher venceu seus problemas e medos. Ela escolheu um grande desafio, escolheu sofrer um pouco para buscar respostas que precisava. Escolheu sofrer percorrendo a pé quilômetros de uma trilha, para encontrar forças e seguir em frente na vida. O sofrimento muitas vezes nos torna mais fortes, e vencer dificuldades são um bom exercício para nos fortalecer espiritualmente, fisicamente e psicologicamente.

Me identifiquei muito com a história do filme, pois após sérios problemas pessoais e de saúde que enfrentei em 2010, uma maneira que encontrei para superar meus problemas e me fortalecer, foi cair na estrada e enfrentar desafios. No início de 2011, ainda sem estar totalmente restabelecido fisicamente de meus problemas, fui para o Peru percorrer a Trilha Inca e depois percorri de bicicleta, o Caminho da Fé, no interior de São Paulo e Minas Gerais. Enfrentar as montanhas peruanas e suas dificuldades, bem como as estradas do interior paulista e as serras mineiras, fortaleceram muito meu espírito. E após estas duas aventuras, encontrei muitas respostas que buscava, deixei para trás muitas coisas que me incomodavam e voltei a ser forte em todos os sentidos. Então assistir ao filme Livre, foi um tipo de exercício espiritual para mim. Só que dessa vez não precisei passar frio, calor, medo e nem precisei derramar sangue, suor e lagrimas numa aventura. Bastou ligar a TV e acompanhar com atenção o filme. E isso tudo no conforto de minha cama, com o ar condicionado ligado e algumas guloseimas ao alcance das mãos…

O livro

Aos 22 anos, Cheryl Strayed achou que tivesse perdido tudo. Após a repentina morte da mãe, a família se distanciou e seu casamento desmoronou. Quatro anos depois, aos 26 anos, sem nada a perder, tomou a decisão mais impulsiva da vida: caminhar 1.770 quilômetros da Pacific Crest Trail – trilha que atravessa a costa oeste dos Estados Unidos, do deserto de Mojave, através da Califórnia e do Oregon, em direção ao estado de Washington – sem qualquer companhia. Cheryl não tinha experiência em caminhadas de longa distância e a trilha era bem mais que uma linha num mapa. Em sua caminhada solitária, ela se deparou com ursos, cascavéis e pumas ferozes e sofreu todo tipo de privação. Em Livre, a autora conta como enfrentou, além da exaustão, do frio, do calor, da monotonia, da dor, da sede e da fome, outros fantasmas que a assombravam. “Todo processo de transformação pessoal depende de entrega e aceitação”, afirma. Seu relato captura a agonia, tanto física quanto mental, de sua incrível jornada; como a enlouqueceu e a assustou e como, principalmente, a fortaleceu. O livro traz uma história de sobrevivência e redenção: um retrato pungente do que a vida tem de pior e, acima de tudo, de melhor.

O livro: Livre

O livro: Livre

O filme

Aos 38 anos, Reese Witherspoon parece estar em uma busca incessante por papéis que lhe inspirem novamente como atriz. Oito anos após vencer o Oscar por Johnny & June, ela traz uma atuação digna de um novo prêmio em Livre. Com sua produtora, a Pacific Standard, a atriz americana recentemente adquiriu os direitos de duas obras: Garota exemplar, best-seller da jornalista Gillian Flynn, e Livre: A jornada de uma mulher em busca do recomeço, livro de memórias da escritora Cheryl Strayed.  Protagonista de filmes hollywoodianos como Legalmente loira (2001), E se fosse verdade… (2005), e Guerra é guerra! (2012), Reese sai da zona de conforto em Livre. Ela interpreta uma mulher que passa por problemas pessoais e escolhe resolvê-los fazendo uma caminhada de 1.770 quilômetros pela Pacific Crest Trail, trilha que atravessa vários estados norte-americanos.

O filme tem cenas dolorosamente aflitivas, como quando ela arranca uma unha do dedo do pé ensanguentado, além de sequências de nudez, sexo e abuso de drogas, em que ela se destaca. Sem maquiagem e alguns quilos mais magra, a atriz dá veracidade a sua personagem, que tem relações sexuais com estranhos e passa a usar heroína. Vista pelos grandes estúdios como loira e bela, Reese já disse que só conseguiu gravar com mais liberdade e ousar nesse nível por ela mesmo ter produzido o filme.

Livre é dirigido por Jean-Marc Vallée, de Clube de compras Dallas, filme que rendeu Oscar de melhores atuações para Matthew McConaughey e Jared Leto. O escritor inglês Nick Hornby, autor de Alta fidelidade, roteiriza essa busca de Strayed pelo autoconhecimento após sofrer a morte de sua mãe e se separar do marido. Num primeiro momento, a trama pode fazer lembrar Na natureza selvagem (2007), filme baseado na história real de Christopher McCandless, um garoto de família rica que largou tudo para se aventurar sozinho no Alasca. Contudo, as jornadas são bem diferentes. McCandless era contra o materialismo, desfazendo-se de toda a grana que tinha: queria viver com o que a natureza lhe oferecia. Já Strayed inevitavelmente encontra a natureza durante sua caminhada, mas ela não lhe é familiar. Pelo contrário. A personagem se apavora com qualquer barulho no escuro, se enoja quando acorda cercada de sapos, e fica feliz quando encontra algum humano fazendo o mesmo caminho que o seu. Isso não faz que o filme seja “para mulherzinhas” ou “água com açúcar”. As jornadas são belíssimas, mas a de Livre acaba sendo a mais acessível para todos que também estiverem precisando de um tempo sozinho para aliviar as ideias.

Cartaz do filme: Livre

Cartaz do filme: Livre

Cheryl Strayed e Reese Witherspoon

Cheryl Strayed e Reese Witherspoon. (personagem real e atriz)

Cena do filme.

Cena do filme.

Cena do filme.

Cena do filme.

Cena do filme.

Cena do filme.

Fazendo Trilha no Parque

No final de semana estive mais uma vez percorrendo a Trilha Aventura, no Parque Estadual Lago Azul, em Campo Mourão. Fazia muito calor e foi muito bom caminhar pela mata, tomar banho de rio e caminhar pela água. O passeio era guiado e tinha trinta pessoas, sendo várias de outras cidades.

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Trilha Aventura

Nada melhor do que num domingo quente com temperatura de 35 graus, do que caminhar pelo mato, nadar no rio, tomar banho de cachoeira. E foi isso que fiz nesse domingo, quando voltei ao Parque Estadual Lago Azul, próximo à Campo Mourão, para percorrer a Trilha Aventura na companhia de amigos e de estranhos. No final da caminhada tinha feito novos amigos!

Dessa vez o rio estava um pouco mais seco e as cachoeiras com menos água. Mesmo assim o passeio foi muito divertido. Com o rio seco, foi possível caminhar a maior parte do tempo por dentro do rio e não pela trilha na margem. Caminhar pelo meio do rio é mais divertido e refrescante, mas pedras soltas no fundo e algum limbo acabam provocando algumas quedas. E dessa vez tive uma queda feia e cheguei a engolir água, pois fiquei quase que totalmente submerso. A única coisa que ficou para fora da água foi minha mãe direita, que segurava a câmera. Felizmente apareceu alguém para me socorrer e me tirar da água.

Pelo caminho passamos por duas cachoeiras, sendo que uma delas é muito bonita e alta. Após percorrer a Trilha Aventura, fui com mais seis amigos percorrer uma outra trilha existente no parque. Essa trilha eu não conhecia e acabou sendo uma caminhada muito gostosa pelo meio do mato. No caminho passamos por um belo lago e uma cachoeira pequena, onde paramos para nos banhar. E o domingo de muito calor acabou sendo divertido e refrescante.

Trilha Aventura.

Trilha Aventura.

Caminhando pelo rio.

Caminhando pelo rio.

Cachoeira.

Cachoeira.

Caminhada refrescante.

Caminhada refrescante.

Pelo meio do rio.

Pelo meio do rio.

Alemão, em boa campanhia...

Gi, Alemão e Mayara.

Caminhando pela mata.

Caminhando pela mata.

A segunda cachoeira.

A segunda cachoeira.

Refrescante...

Refrescante…

Na parte de cima da cachoeira.

Na parte de cima da cachoeira.

Próximo a Br e a ponte.

Próximo a BR e a ponte.

Lago.

Lago.

Pico Paraná (Parte I)

Fazia alguns anos que eu queria chegar ao cume do Pico Paraná, mas sempre acontecia algo e eu tinha que adiar. Cheguei a subir o Caratuva em 2008 e o Itapiroca em 2009, que são duas montanhas próximas ao Pico Paraná. Mas quando chegou a vez de subir o PP (apelido carinhoso dado ao Pico Paraná) me machuquei um pouco antes e levei meses para ficar bom e em forma novamente. Daí quando estava novamente planejando subir o PP, tive dois problemas sérios de saúde e em seguida me mudei de Curitiba. Três anos se passaram e o PP continuava em minha lista de locais onde queria colocar os pés.

Atualmente estou morando cerca de 500 quilômetros do Pico Paraná e sem tempo para arrumar um amigo e planejar a ida até o PP, achei melhor procurar uma agencia de turismo que fizesse o serviço de guia. De início pensei que não existia agencias que levassem clientes até o PP, mas acabei encontrando a Ana Wanke Turismo e Aventura (http://www.anawanke.com.br/). Entrei em contato, troquei algumas informações com a Ana e logo fechei o pacote, que incluía transporte, alimentação, barracas e guias. Achei essa ser e melhor opção no momento, pois não estava a fim de ir sozinho e também não queria que mais uma vez acontecesse algum problema e eu tivesse que desistir de tentar subir o Pico Paraná.

Tudo pago e acertado, agora era torcer para o tempo ajudar e não chover no final de semana marcado para subida do PP. E uma coisa a fazer era melhorar o condicionamento físico! Eu não estava muito mal fisicamente, mas precisava melhorar, pois o Pico Paraná é a montanha mais alta da região sul do Brasil e para evitar problemas e acidentes era melhor estar bem fisicamente. E também precisava perder dois ou três quilos extras adquiridos nas comilanças de inverno. Tinha exatamente um mês para me preparar e foi justamente o que fiz. Caminhei e corri, fiz reforço muscular para as pernas e duas vezes por semana aula de spinning. Também fechei um pouco a boca e reduzi drasticamente o meu maior vicio, que é refrigerante. Mas na segunda semana de treinamento tive um problema de tornozelo e tive que diminuir um pouco o ritmo dos treinamentos. Mesmo assim cheguei tinindo fisicamente no dia do embarque rumo à Curitiba.

Encontrei o pessoal numa madrugada gelada em Curitiba e fomos de van até a Fazendo Pico Paraná, distante uns 40 quilômetros da cidade, no sentido São Paulo. Na van já tive o primeiro contato com o pessoal que fazia parte do grupo. O grupo seria formado por mim e mais sete pessoas. A Ana seria a guia principal, auxiliada pelo Rodrigo e pelo Gustavo. E de caminhantes tinham as curitibanas Andy e Maristela, o gaúcho Eduardo e o pernambucano Jorge. Se eu vinha de longe, o Eduardo e o Jorge vinham de ainda mais longe!

Chegando na Fazenda Pico Paraná tomamos o café da manhã, onde foi servido um delicioso chocolate quente que serviu para esquentar um pouco. Em seguida fomos nos arrumar e nos preparar para iniciar a caminhada. E logo de cara descobri que tinha esquecido de trazer minha calça de caminhada. Não acreditei que tinha deixado para trás um item tão importante. A opção seria caminhar de calça jeans, mais isso limitaria muito meus movimentos. Já estava ficando desanimado, quando lembrei que tinha levado minha calça de ciclismo, a qual costumo usar para dormir em acampamentos, pois ela é bem confortável e quente para utilizar dentro do saco de dormir. O problema é que ela é bastante justa e achei que pagaria um grande mico ao usá-la. Fiquei uns dois minutos pensando em qual calça utilizar e nisso dei uma olhada para o lado e vi que tanto o Rodrigo, quanto o Gustavo estavam utilizando uma calça de ciclismo. Então vi que não seria mico nenhum colocar minha calça de ciclismo para caminhar no mato e foi assim que fiz.

Todos prontos, mochilas nas costas, uma breve reunião para que fossem dados alguns avisos e iniciamos a caminhada. Eu conhecia boa parte do caminho a ser percorrido, pois parte do caminho que leva até o Pico Paraná é o mesmo caminho que percorri anos antes para ir ao Caratuva e depois ao Itapiroca. Segui quase no final da fila, pois queria sentir o ritmo de caminhada dos demais e saber como seria o meu ritmo comparado a eles. Nos primeiros minutos de caminhada aconteceu um incidente com a Maristela, que ao tentar pular de uma pedra a outra em um trecho de lama, escorregou e caiu no barro. Felizmente ela não se machucou (talvez o orgulho tenha ficado um pouco ferido) e assim seguimos em frente. O primeiro trecho é pelo meio do mato, subindo alguns degraus esculpidos na terra e depois seguimos por uma trilha relativamente tranquila, mas sempre subindo. Fizemos algumas breves paradas no início e logo resolvi ir mais para frente na fila, seguindo pouco atrás da Ana, que ia sempre na frente.

Levamos cerca de uma hora para chegar ao morro do Getúlio, que é um local descampado, cheio de pedras e de onde se tem uma bela visão para todos os lados. A visão mais bonita é da represa Capivari, alguns quilômetros abaixo. Ali fizemos uma longa pausa, ajeitamos as mochilas, tiramos fotos e seguimos em frente. Foi a partir do Getúlio que nosso grupo se dividiu, formando dois. No grupo que estava mais rápido seguiam a Ana, Andy, eu e Eduardo. Me sentia muito bem fisicamente e não tive nenhum problema em acompanhar o ritmo mais forte do pessoal da frente. De tempos em tempos fazíamos alguma parada para descanso e a Ana aproveitava para falar pelo rádio com o Gustavo, que seguia fechando a fila do segundo grupo. Caminhamos um bom tempo assim até que chegamos no cruzamento das trilhas que levam ao Pico Paraná e ao Caratuva. Ali ficamos esperando o restante do grupo. Eu conhecia o caminho até esse local, então a partir dali tudo ficaria mais interessante para mim, pois o caminho a seguir seria inédito.

Após descansar e tirar fotos, voltamos a caminhar e o grupo continuou dividido. A trilha seguia quase sempre pelo meio do mato, em um terreno cheio de raízes. Vez ou outra tinha algum trecho onde era preciso fazer uma pequena escalada segurando nos galhos e raízes de árvores e em alguns casos em cordas estrategicamente amarradas nos locais de mais difícil acesso. Tinham alguns trechos de rocha que eram bastante lisos e era preciso tomar cuidado para não cair. Num trecho de mata fechada e cheia de raízes eu seguia no final do meu grupo e acabei sofrendo um pequeno acidente. Ao pisar ao lado de um galho enorme, meu pé afundou no barro e virou. Para não torcer o pé, fiz um movimento brusco virando o corpo rapidamente e nisso bati muito forte com a canela num galho. A pancada foi forte e senti muita dor. Soltei alguns palavrões e me sentei para olhar o estrago. No local da pancada tinha levantado um caroço e a dor era forte. Por alguns momentos achei que minha caminhada tinha terminado ali, que eu não conseguiria pôr o pé no chão por culpa da dor e teria que desistir de chegar ao PP. Meus olhos se encheram de lagrimas por culpa da dor e da decepção e quando vi o pessoal voltando para ver o que tinha acontecido comigo, segurei as lágrimas e contive a vontade de chorar. O Eduardo é médico e a Andy é dentista e os dois se encarregaram de ver o estrago em minha canela e logo a Andy me deu uma pomada para passar no local da pancada. Fiquei em pé e vi que mesmo sentindo muita dor dava para seguir em frente, o que me deixou bastante aliviado. Voltamos a caminhar, mas a dor ainda era forte e comecei a achar que não conseguiria chegar até o fim do dia caminhando. Logo fizemos uma parada em um pequeno córrego para pegar água e ali a Andy me deu um remédio para dor. Aproveitei para colocar uma mochila com água (que ali era bem fria) na canela e isso aliviou a dor quase por completo.

Na parada que fizemos no córrego aproveitei para comer um dos sanduiches naturais que faziam parte do kit lanche entregue pela Ana. O sanduiche era muito saboroso e ajudou a levantar meu animo que tinha ficado um pouco baixo após a canelada que dei um pouco antes. Voltamos a caminhar e não demorou muito para sairmos do trecho de mata fechada e chegarmos em um trecho mais aberto e termos a primeira visão do Pico Paraná. A visão era maravilhosa, pois mostrava a enorme montanha imponente em meio a algumas nuvens. Olhando dali parecia ser meio que impossível atingir seu cume. Fiquei pensando nos primeiros montanhistas que passaram por ali, abrindo caminho pela mata em busca da melhor rota que os levassem até o cume. Esses caras eram valentes e persistentes, pois se hoje em dia com a rota conhecida e demarcada, bem como a facilidade que alguns equipamentos modernos dão aos montanhistas não é muito fácil chegar ao cume do Pico Paraná, no passado devia ser muitas vezes mais difícil.

Depois de passar pelo trecho de mata aberta, que era quase que completamente formado por uma planta chamada caratuva (o mesmo nome da montanha próxima dali), caminhamos mais um pouco e chegamos ao acampamento número um (A1). Ali encontrei um pessoal de Londrina, que fazem parte do grupo de caminhadas Londrinape. Nesse grupo estava o Arnaldo, amigo de outras caminhadas pelo interior e também o Berti, que é guia de caminhadas na cidade de Faxinal, local famoso por suas cachoeiras. Conversei um pouco com o pessoal, tiramos fotos e logo retomamos a caminhada. Dessa vez a trilha era em descida, o que era menos cansativo, mas que exigia mais cuidado para não cair. Não demorou muito e chegamos a famosa “carrasqueira”, um paredão de rocha com escadinhas, que é considerado o trecho mais difícil para se chegar até o cume do Pico Paraná.

Com bastante cuidado meu grupo subiu a “carrasqueira”. A Ana foi a frente, seguida pela Andy. No meio da subida a alça da mochila da Andy rebentou e quase provoca um acidente. Por sorte foi somente um susto e conseguimos chegar são em salvos no alto da “carrasqueira”. Dali para frente a trilha era tranquila. Logo chegamos um algumas rochas enormes, próximas ao acampamento dois (A2). A Andy adora tirar fotos sentada em pedras e quando a Ana mostrou a ela uma pedra enorme, ela não se conteve e correu para tirar muitas fotos. Essa pedra acabou sendo batizada como “Pedra da Andy”. Após muitas fotos seguimos mais um pouco morro acima, até o A2, local onde montaríamos nosso acampamento. Lá nos esperava o Silvio, um cara digamos meio exótico, mas muito prestativo e gente finíssima. Ele é gerente de uma loja da Território Mountain Shopping, em Curitiba. Ele costuma dar suporte a algumas expedições promovidas pela Ana e nesse dia não foi diferente. Como ele chegou de manhã no A2, ele reservou o melhor lugar para que montássemos nossas barracas. Era uma pequena clareira, cercada por arbustos altos que protegiam do vento, que ali no alto costuma ser forte.

Foram montadas três barracas, com ajuda do Silvio e depois fizemos um lanche. A Ana falou pelo rádio com o pessoal do grupo que vinha mais atrás e as notícias não eram nada boas. O Gustavo tinha torcido o pé e ficaria acampado sozinho no A1. O restante do grupo seguiria ao nosso encontro no A2. Tínhamos levado seis horas para chegar até o A2. Segundo a Ana chegamos super rápidos, pois ela preverá que levaríamos de dez a doze horas para chegar ali. Então ficou a dúvida se partiríamos dali para o ataque ao cume, o que levaria mais uma hora morro acima, ou se esperaríamos o restante do grupo e faríamos o ataque ao cume todos juntos de madrugada. Acabou ficando decidido que esperaríamos os demais membros do grupo.

Eu, Ana e Andy, descemos até a “Pedra da Andy” e lá ficamos esperando o restante de nosso grupo. A Ana ficou em comunicação via rádio com o Gustavo, que ficou no A1. Enquanto esperávamos ficamos admirando a paisagem e tirando algumas fotos. Abaixo de nós existia um verdadeiro mar de nuvens, que ao mesmo tempo que não nos permitia admirar por completo a paisagem, era um espetáculo à parte. As nuvens se moviam com o vento, hora cobrindo parte de algumas montanhas menores que estava abaixo de nós, hora escondendo partes do cume do Pico Paraná, que estava acima de nós. O Pico Paraná fica numa região onde existe uma pequena cadeia de montanhas, sendo que ele é a maior montanha dessa cadeia. Então de onde estávamos era possível ver várias montanhas próximas, bem como o Conjunto Marumbi, bem mais distante dali, no meio da Serra do Mar.

Após um tempo de espera, a Ana resolveu descer até a “carrasqueira” para auxiliar o pessoal de nosso grupo quando eles lá chegassem. Eu e Andy ficamos na “Pedra da Andy” com o rádio. Logo a Andy resolveu explorar algumas pedras abaixo de onde estávamos e que ficavam a beira do abismo. Acabei indo atrás dela, em parte com receio de que ela pudesse se meter em encrenca e em parte por que ficar parado olhando a paisagem estava me dando sono. Sei que acabamos encontrando um local muito legal, uma espécie de janela entre as rochas e ali ficamos vendo a paisagem e tirando fotos. Comentei com ela que poucas pessoas deveriam ter estado naquele local antes de nós. E isso me atrai muito, estar em locais onde poucas pessoas colocaram o pé antes! Resolvemos parar com nossa pequena exploração no meio das pedras, com receio de encontrar alguma cobra e voltamos para o alto da “Pedra da Andy”. Tiramos mais algumas fotos e logo vimos a Ana chegando a frente do restante de nosso grupo.

Cumprimentamos o pessoal e eles pararam na “Pedra da Andy” para tirar fotos. Logo todos seguimos para o local onde estava montado nosso acampamento. A segunda parte do grupo, formado pelo Jorge, Maristela e Rodrigo, chegou no A2 duas horas e quinze minutos depois da chegada da primeira parte do grupo. Achei sensata a forma como a Ana conduziu a expedição, quando deixou que os dois grupos, que tinham preparo físico e velocidade diferentes, se separassem. Se ela mantivesse o grupo sempre junto, estaria fazendo o pessoal mais veloz ir lentamente, o que não seria legal, ou então faria que o grupo mais lento andasse num ritmo mais forte, o que poderia desgastar demais o pessoal. Tal divisão só foi possível graças ao grupo ter três guias. Mesmo com a contusão do Gustavo, foi possível manter os dois subgrupos com um guia cada, o que tornou a subida até o A2 bastante segura.

Antes de escurecer fui com a Ana e a Andy até um mina próxima buscar água. No caminho paramos na “Casa de Pedra”, que é a ruina de uma construção feita de pedras. Não sei o motivo da construção em tal local, nem sua datação e muito menos o motivo de estar em estado de abandono. Me ocorre que no momento não tive a curiosidade de perguntar isso a Ana ou alguma outra pessoa que estivesse pelas imediações. De lamentável é a quantidade de lixo deixado pelas imediações da Casa de Pedra. Parece que muita gente que sobe até o Pico Paraná, não tem nenhuma consciência ecológica e na descida resolve aliviar um pouco do peso da mochila, deixando no A2 muito lixo, bem como toalhas, mantas, pedaços de lona plástica e diversas garrafas pet. E como não existe nenhum tipo de controle por parte do IAP (Instituto Ambiental do Paraná) ou dos proprietários da Fazenda Pico Paraná (que cobram para permitir o acesso até o Pico), cada dia que passa vai ficando mais lixo acumulado. Infelizmente existe muita falta de educação por parte das pessoas, que costumam jogar lixo na rua e deixar lixo no alto de um morro. Lá não tem coleta de lixo, não existe caminhão de lixo passando toda semana.

O sol foi embora e a noite chegou com muito vento e frio. Fui para a barraca e lá tomei meu banho de gato, utilizando uma pequena toalha molhada e lenços umedecidos. Em seguida coloquei roupa limpa e me senti um novo homem. Não consigo ficar sem banho, não importa onde eu esteja! A Ana começou a preparar o jantar, cujo cardápio consistia de estrogonofe, arroz e purê de batata. A comida era liofilizada, que resumindo quer dizer que era um tipo de comida que foi desidratada e depois reidratada ao ser adicionada água quente nela. Durante o preparo da comida quase todos ficaram ao redor da Ana, vendo ela preparar o delicioso jantar e também ajudando. A ajuda consistia de ficar chacoalhando os envelopes com comida liofilizada após a Ana colocar água quente neles. O resultado foi muito bom, pois a comida ficou saborosa.

Após jantar fui escovar os dentes e achar um banheiro. Ventava muito e fazer as necessidades no meio do mato, com vento e escuridão não era das tarefas mais agradáveis. Mas em minhas aventuras já passei por situações mais difíceis ao ter que usar banheiros, então não tive grandes problemas. Antes de ir dormir fui dar uma volta e fiquei olhando o céu. O céu estava limpo e com muitas estrelas. Consegui até mesmo ver uma estrela cadente! Fiz um pedido a ela, mas até agora tal pedido não se realizou…

Encontrei a Ana pelo caminho e fomos nos juntar a Andy, Rodrigo e Maristela, que estavam do outro lado de nosso acampamento. Ficamos um tempo deitados no chão, conversando e vendo o céu estrelado. O frio aumentou e como estava muito cansado, achei melhor ir para a barraca. Eu dividiria a barraca com o Rodrigo. Me ajeitei dentro do saco de dormir e logo fiquei quentinho. Olhei no relógio e passava um pouquinho das 21 horas. Estava dormindo cedo para um sábado à noite, mas isso não importava. O que importava é que dali poucas horas eu estaria pisando no cume do Pico Paraná, realizando mais um sonho, mais um item da lista de realizações que formulei há pouco mais de três anos. ZZZZZZZZZZZzzzzzzz…

Com 1.877 metros de altitude, o Pico Paraná é a montanha mais alta da Região Sul do Brasil. Está situada entre o município de Antonina e Campina Grande do Sul, no conjunto de serra chamado Ibitiraquire. Foi descoberto pelo pesquisador alemão Reinhard Maack. Entre 1940 e 1941 Maack efetuou diversas incursões à Serra do Ibitiraquire com o objetivo de obter medições e anotações sobre a fauna e a geomorfologia da região. Maack juntamente com os alpinistas Rudolf Stamm e Alfred Mysing e com auxílio de tropeiros da região, partiu em 28/06/1941 com o objetivo de conquistar o cume da montanha. Stamm e Mysing conseguiram o intento em 13/07/1941.

Rodrigo, Andy, Vander, Ana, Eduardo, Gustavo, Maristela e Jorge.

Rodrigo, Andy, Vander, Ana, Eduardo, Gustavo, Maristela e Jorge.

Descanso no Getúlio.

Descanso no Getúlio.

Cruzamento de trilhas: Pico Paraná e Itapiroca.

Cruzamento de trilhas: Pico Paraná e Caratuva.

Subindo com ajuda da corda.

Subindo com ajuda da corda.

Primeira visão completa do Pico Paraná.

Primeira visão completa do Pico Paraná.

Com o pessoal de Londrina e Faxinal.

Com o pessoal de Londrina e Faxinal.

No meio das caratuvas.

No meio das caratuvas.

Subindo a carrasqueira.

Subindo a carrasqueira.

Na Pedra da Andy.

Na Pedra da Andy.

Acampamento.

Acampamento.

Observando a paisagem.

Observando a paisagem.

Lanche no A2.

Lanche no A2.

O Eduardo admirando a paisagem.

O Eduardo admirando a paisagem.

O jantar...

O jantar…

Caminhada: Maringá/Floriano

Após uma longa ausência voltei a participar de uma caminhada. Participei com o Grupo Peregrinos de Maringá de uma caminhada de treze quilômetros, entre Maringá e o Distrito de Floriano. Foi bom voltar a caminhar, principalmente após ter ficado um tempo machucado e passado por algumas sessões de fisioterapia. Essa caminhada serviu para desenferrujar e iniciar novo projeto de condicionamento físico.

O pessoal se reuniu ao lado do aeroporto de Maringá e após uma rápida sessão de aquecimento iniciamos a caminhada. O grupo era formado por vinte e quatro caminhantes. O trecho não tinha nenhum atrativo, pois foi todo em estrada de terra e raramente passávamos por alguma árvore. Quase todo o tempo plantações de soja dominavam a paisagem e alguns agricultores aproveitavam o dia de sol após muitos dias de chuva, para colher o soja. Todos esperavam chuva para o horário da caminhada, mas a chuva não veio e caminhamos sob um sol escaldante. Levei somente uma garrafinha de água e o último quilômetro caminhei com sede, pois não passamos por nenhum lugar onde pudéssemos conseguir água. Ao chegar à Floriano parei no primeiro bar que encontrei e de uma vez só tomei dois Tampico e uma garrafinha de água gelada. Ufa!!

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Início da caminhada, ao lado do aeroporto.

Colheita de soja.

Colheita de soja.

Rumo à Floriano.

Rumo à Floriano.

Sombra era raridade pelo caminho.

Sombra era raridade pelo caminho.

Colheitadeira.

Colheitadeira.

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Estrada longa…

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Parada para descanso.

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Momento de descanso.

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Pequena ponte na estrada.

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Longa subida.

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Chegando à Floriano.

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Igreja Matriz de Floriano.

Caminhada na Natureza em Itambé

Participei de mais uma Caminhada na Natureza, dessa vez na cidade de Itambé. Eu não conhecia a cidade, e esse foi um dos motivos para eu escolher fazer essa caminhada. Por culpa de um mapa errado cheguei atrasado à caminhada, mas mesmo assim consegui alcançar boa parte dos caminhantes. Acabei encontrando alguns amigos de Maringá e de Londrina e acabei fazendo mais da metade da caminhada com alguns membros do grupo de caminhadas Londrinapé.

Fazia muito calor e o sol estava forte! Isso fez a caminhada ser cansativa, mas felizmente não tinha muitas subidas no percurso. No segundo ponto de controle, tinham algumas enfermeiras medindo a pressão dos caminhantes. Fui medir a minha pressão, achando que estava alta em virtude do esforço físico e do calor. E para minha surpresa minha pressão estava normal, parecendo à pressão de um garoto de quinze anos. Nesse ponto de controle, a água disponível estava gelada e isso ajudou a matar rapidamente a sede.

O percurso foi de doze quilômetros, com poucos trechos difíceis e passando por poucos lugares bonitos. Mesmo assim não foi um percurso feio! Posso dizer que foi um percurso “normal”. A melhor parte da caminhada foi no final, quando no último quilômetro tinha um rio e quase todos os caminhantes entraram nele para se refrescar. Eu tirei minhas botas, dobrei a barra da calça e sentei no meio do rio, para refrescar os pés e o traseiro. Cheguei a deitar na água, mesmo estando com roupa e foi uma sensação bastante agradável, pois era quase meio dia e o sol estava de “ferver os miolos”. Após sair do rio seguimos por cerca de quinhentos metros e chegamos ao final da caminhada, no local onde estava sendo servido o almoço. A comida estava muito boa e fui obrigado a repetir e recuperar em dobro as calorias perdidas durante a caminhada.

Dia de sol quente.

Ponto de controle e de água.

Caminhando pela estrada.

Teve quem pegou carona!

Passando por um pesque pague.

No km 10.

Quase no final da caminhada tinha um rio…

Refrescando o traseiro.

Caminhando na sombra.

Os caminhantes almoçando.

Almoço delicioso!!

O pessoal do Londrinapé.

Com minha amiga de caminhadas, Claudia.

III Enduro a Pé de Nova Tebas

Excepcionalmente dessa vez não farei postagens detalhadas sobre esse evento, por exclusiva falta de tempo. Fazer uma postagem detalhada e cheia de fotos demanda algumas horas de trabalho e no momento não tenho tais horas disponíveis. E se deixar para fazer tal postagem detalhada daqui alguns dias ou semanas, acaba perdendo a graça.

O III Enduro a Pé de Nova Tebas, foi realizado entre os dias 12 e 14 de outubro. Ao todo percorremos 73 quilômetros. Passamos por estradas, carreiros, trilhas, rios, pontes, pastos, sítios e fazendas. Enfrentamos sol, frio, vento, cansaço, bolhas nos pés, cachorros (não é Tiago!!), vacas (não é Valtério!!!). Conhecemos muitas pessoas durante a caminhada e fomos recebidos com muito carinho e hospitalidade por onde passamos. Então fica aqui meu agradecimento a todos que contribuíram para que esse Enduro a Pé fosse um sucesso. E também segue meu agradecimento aos companheiros de caminhadas, pois éramos um grupo unido onde um ajudava o outro.

III Enduro a Pé de Nova Tebas

Início da caminhada no sítio da família Dal Santo.

Uma das muitas porteiras que atravessamos.

Caminhando entre a criação de ovelhas.

Almoço no primeiro dia de enduro.

Com a família que nos recepcionou no almoço.

No meio do caminho tinha uma ponte.

Caminhando num fim de tarde gelado.

Atravessando rio.

Costela ao fogo de chão.

Bate papo antes do jantar.

O pessoal que nos recebeu no jantar do primeiro dia.

Acampamento ao amanhecer.

Início do segundo dia de enduro.

Caminhando no asfalto quente.

No segundo dia o almoço foi em um pesque pague.

Acampamento no sítio do Alex.

Celso, Tiago, Valtério, Shudy, Vander, Bamba, Alex, Jaque e Marcos.

Chegando à uma fazenda.

Foi terrível caminhar por essa estrada de pedras irregulares.

No pequeno Distrito de Poema.

Almoço na festa da igreja de Poema.

O GPS mostrando os quilômetros caminhados.

O fim da caminhada foi no Morro dos Ventos.

Uma irlandesa no Peabiru (Parte II)

2º Dia – 26/09/2012

Fui acordado às 05h30min pela Marilene.  A chuva tinha parado e o sol despontava no horizonte, mas fazia frio e ventava muito, um vento gelado que chegava a “doer”. Foi difícil sair de dentro da barraca e ainda mais difícil desmontar a barraca e guardar tudo na mochila. Enquanto o pessoal tomava café da manhã, eu que não costumo tomar café da manhã aproveitei para arrumar minhas coisas lentamente. A câmera da Bebhinn tinha secado por completo e voltado a funcionar, sinal de que fiz um ótimo conserto.

Pouco antes das 7h00min nos despedimos dos donos da casa, que tinham nos recepcionado muito bem. Tiramos uma foto com eles e guardamos nossas coisas na carroceria da caminhonete. Por culpa do frio e da bateria meio baleada, a caminhonete não pegou e foi preciso empurrar. Por sorte a caminhonete estava estacionada num local alto e após ter sido empurrada um pouco ela embalou e a Marilene conseguiu fazê-la dar partida, mesmo tendo dificuldade em conseguir dar o tranco de ré. Todos embarcados e partimos rumo à cidade de Corumbataí do Sul, pois tinha um pneu murcho que precisava ser calibrado.

Foi a primeira vez que estive em Corumbataí do Sul, uma cidade pequena e simpática. Após pedir informações encontramos uma borracharia, que ainda estava fechada, pois era muito cedo. Por sorte o dono da borracharia era também dono de uma padaria que ficava ao lado e estava aberta. Enquanto enchiam os pneus da caminhonete eu fui “guiado” para dentro da padaria graças ao delicioso cheiro de pão fresquinho. Não resisti e comprei alguns pães de queijo quentinhos, que ajudaram a combater o frio. O vento estava congelante e logo voltei para o interior da caminhonete. Não demorou muito e pegamos a estrada rumo à cidade de Fênix.

Percorremos algumas estradas de terra e chegamos a um local isolado, onde além de plantações, gado e alguma mata, não existia mais nada. Ficamos um bom tempo sem avistar casas ou pessoas. Teve uma parte da estrada que era ruim e cheia de buracos e a Marilene teve que mostrar suas habilidades de motorista. Fora um ou outro buraco em que ela passava rápido, até que ela se mostrou boa motorista. Teve um momento em que uma vaca atravessou a estrada e meio que empacou, mas logo o dono apareceu e tirou o animal do caminho. E alguns quilômetros depois foi a vez de um cavalo aparecer na estrada e assustado correr um bom tempo em frente à caminhonete. Ele não sabe o perigo que correu!!!

Logo na entrada de Fênix resolvemos fazer um desvio e visitar uma igreja que fica no alto de um morro. Já visitei tal igreja anos atrás e a mesma estava abandonada e deteriorada. Existem algumas duvidas sobre a origem e ano de construção de tal igreja. Já ouvi relatos infundados de que ela era centenária, outros de que ela tinha sido construída pelos jesuítas no século XVII. A verdade é que tal igreja não é tão velha assim e parece que foi construída no final dos anos sessenta, início dos anos setenta do século passado. Ou seja, ela não deve ter mais de cinquenta anos. Ao chegar à igreja vi que a mesma estava sendo reformada. Uma igreja daquelas deveria é ser restaurada, mas pelo que vi ninguém se preocupou com qualquer tipo de restauração.  O que estão fazendo é um reforma que mais parece uma reconstrução da igreja, rebocando com cimento todas as paredes e já fizeram um novo piso de cimento, bem como trocaram o telhado. Quando visitei essa igreja anos antes, o piso tinha sido destruído e possuía muitos buracos, sinal de que pessoas sem noção e mal informadas tinham escavado o piso da igreja em busca do lendário tesouro perdido dos jesuítas. Se tais pessoas soubessem que a igreja não foi construída pelos jesuítas e que ela não é tão antiga, talvez eles não tivessem perdido tempo e principalmente destruído parte de uma igreja, um local sagrado que deveria ser respeitado. Não demoramos muito na igreja, pois a mesma não desperta mais nenhum tipo de interesse para turistas.

Atravessámos a cidade de Fênix e fomos até o Parque Estadual de Vila Rica do Espirito Santo. No parque existe uma grande reserva florestal nativa e as ruínas da redução jesuíta de Vila Rica. O parque é bonito, mas está precisando de algumas reformas. Parece que o governo do Estado não tem se preocupado com tal patrimônio histórico e o dinheiro que envia para o parque mal da para sua conservação. Outro problema do parque é que as escavações que foram iniciadas na região onde ficava a antiga redução de Vila Rica, estão abandonadas há muito tempo por falta de dinheiro. Visitamos o pequeno museu que existe na recepção do parque e depois fomos caminhar por seu interior. Seguimos por uma antiga estrada que atravessa o parque e chega até a margem do rio Ivaí. No passado existiu uma balsa na margem do rio, a qual foi desativada depois que o local foi transformado em parque estadual, bem como a estrada também foi desativada. Pelo caminho fomos observando a mata e avistamos algumas árvores centenárias, inclusive algumas figueiras enormes. Chegando ao final da estrada tiramos algumas fotos em frente ao rio Ivaí, descansamos um pouco e fizemos o caminho de volta. A antiga vila jesuíta ficava nesse local, mas não é possível visualizar nada. As ruínas existentes ficam no meio do mato e como as construções eram de pau a pique, é preciso um trabalho de escavação feito por arqueólogos para que se possa avistar alguma coisa. E não estávamos autorizados a visitar as ruínas ou mexer em algo que avistássemos, então não saímos da estrada.

Antes de ir embora do parque, resolvemos seguir por uma trilha estreita no meio da mata e ir até um lago que foi construído nos anos cinquenta. O local é bonito e possui uma área de repouso com bancos e mesas. Ao chegar ao lago aconteceu uma cena engraçada, quando a Karina se deparou com um lagarto e deu um grito tão alto que o bichinho deve estar correndo até agora mata adentro. Foi difícil saber quem se assustou mais com tal encontro, se a Karina ou o pobre lagarto! E como a Karina num passado recente matou uma aranha enorme com um grito, esse lagarto deve se dar por satisfeito por ainda estar vivo. Descansamos um pouco no lago e logo voltamos à trilha e retornamos a recepção do parque. Não demoramos muito e partimos dali rumo à Fênix.

Fizemos uma rápida parada no centro de Fênix, em frente à catedral. Na fachada da igreja existe uma bela pintura, que mostra os jesuítas batizando os índios da região num rio. Do outro lado da rua existe um monumento de gosto duvidoso, que mostra uma ave (Fênix) no alto de um pedestal e no chão algumas bolas que parecem ser ovos. Achei o monumento curioso, mas não bonito. Após tirarmos algumas fotos da igreja e do monumento em frente, embarcamos na caminhonete e saímos da cidade. Seguimos alguns quilômetros por uma estrada asfaltada, até entramos numa estrada de terra e seguir até uma antiga fazenda de café, que atualmente é um hotel fazenda.

O Hotel Fazenda Água Azul (http://www.aguaazul.com.br/), funciona em uma antiga fazenda de café. As antigas casas da colônia onde moravam os trabalhadores foram transformadas em quartos e suítes para receber os hóspedes. A fazenda possui uma enorme área de mata nativa e é possível percorrer parte do interior da mata através de algumas trilhas. Na fazenda existe também um museu que guarda muitos objetos da época que a fazenda plantava somente café e muitos outros objetos que foram trazidos de viagens feitas por membros da família dona da fazenda. O museu é muito bem organizado e seu acervo bastante interessante. Fomos acompanhados numa rápida visita pelo hotel fazenda e percorremos uma das trilhas curtas do lugar. Em seguida fomos almoçar no restaurante do hotel fazenda. A comida estava muito tão boa que acabei comendo demais. Após o almoço ficamos em uma varanda conversando com os donos do hotel fazenda e ouvindo histórias do local.

Á tarde, visitamos o museu, numa visita guiada. Depois fomos ver os novos chalés que estão sendo construídos em outra área da fazenda. Por último percorremos uma trilha pelo meio da mata e passamos por lugares muito bonitos e preservados. Dois dias antes tinha sido avistado nos arredores um casal de onça parda com um filhote. Isso mostra como a mata em torno da fazenda é preservada. Em 1967 o sueco Johan Gabriel Berg von Linde, patriarca da família dona do hotel fazenda, comprou tais terras para cultivar café e decidiu preservar parte da mata, deixando a mesma intacta e proibindo a caça e a pesca no local. Na época ele foi taxado de insano, pois a prática vigente era derrubar toda a mata existente para plantar café e outros tipos de cultura. Naquela época não existia nenhuma preocupação com a ecologia e com a preservação de mata nativa e animais.  O senhor von Linde era um visionário e graças a sua consciência em preservar o meio ambiente e parte da mata nativa de suas terras, hoje é possível admirar e visitar a reserva florestal existente nas terras da família von Linden. Após terminar de percorrer a trilha existente no meio da mata, descansamos um pouco e fomos embora da Fazenda Água Azul.

Marilene, Wagner e Bebhinn seguiram a pé pelos cerca de doze quilômetros até uma outra fazenda, onde pernoitaríamos. Eu e a Karina seguimos na caminhonete. Eu bem que gostaria de ter feito o trajeto final caminhando, mas meu pé machucado tinha inchado bastante e passei a sentir muita dor. Seguimos direto até a fazenda e quando chegamos a Karina ficou conversando com a Dona Penha e eu fiquei dormindo na caminhonete. Eram quase 19h00min quando a Karina foi me chamar para irmos atrás de nossos amigos caminhantes. Tínhamos combinado com a Marilene que se eles não chagassem à fazenda até escurecer, era para irmos buscá-los na estrada. Nem chegamos a sair da fazenda e encontramos o pessoal, então demos meio volta e retornamos à casa da Dona Penha e do Seu Manoel. Fiquei um tempo conversando com o Seu Manoel, que me contou sobre como era a fazenda trinta e poucos anos antes, quando ele começou a trabalhar ali. Naquela época existiam cerca de cinquenta famílias trabalhando e morando nas terras da fazenda. Atualmente existem apenas seis famílias. Isso comprova como foi grande o êxodo agrícola que ocorreu no Paraná nos anos oitenta e que levou muitas famílias a deixarem o campo e irem morar na cidade.

Era para dormirmos na fazenda e percorrer mais um pedaço de estrada na manhã seguinte, mas a Bebhinn mudou seus planos. Ela ficou sabendo sobre inscrições em pedras que existem na região por onde passava o Caminho de Peabiru na cidade de Pitanga e resolveu ir até Pitanga no dia seguinte. Então resolvemos não mais pernoitar na fazenda e regressamos para Campo Mourão após o jantar. Mesmo com nosso “passeio” encurtado, valeu a pena os dois dias que passamos percorrendo trechos por onde passava o lendário Caminho de Peabiru. Conhecemos lugares bonitos, pessoas legais e fizemos novos amigos.

Marilene, Luceni, Wagner, Nesão, Bebhinn, Karina e Vander.

Pegando no tranco.

Igrejinha sendo reformada próximo à Fênix.

Museu do Parque de Vila Rica.

Maquete da antiga redução jesuíta de Vila Rica.

Caminhando pelo interior do Parque Estadual de Vila Rica.

Às margens do Rio Ivaí, no interior do Parque de Vila Rica.

Lago no interior do Parque de Vila Rica.

Catedral de Fênix e a bela pintura em sua fachada.

Monumento de gosto duvidoso.

Um dos chalés do Hotel Fazenda Água Azul.

Museu do Hotel Fazenda Água Azul.

No Hotel Fazenda Água Azul.

Descanso após trilha no interior da Fazenda Água Azul.

Eu e o neto da Dona Penha e Seu Manoel.

Uma irlandesa no Peabiru (Parte I)

Na semana que passou uma irlandesa esteve em Campo Mourão com a única finalidade de visitar alguns locais na região, por onde passava o histórico Caminho de Peabiru. Esse caminho ligava o litoral ao interior do continente e era utilizado pelos indígenas muito antes dos europeus chegarem ao Brasil. Depois do descobrimento ele foi utilizado pelos europeus para desbravar o interior da região sul do Brasil. Um ramal do Caminho de Peabiru passava pela região de Campo Mourão, onde próximo também existiu uma redução jesuíta.

A irlandesa Bebhinn Ramsay, que vive há alguns anos em Florianópolis é uma estudiosa do Caminho de Peabiru e veio conhecer um pouco do caminho que por aqui passava. Quem organizou a visita da irlandesa foi minha amiga Marilene, que é uma grande conhecedora e estudiosa do Caminho de Peabiru. Também fizeram parte do pequeno grupo que acompanhou a irlandesa, minha amiga de caminhadas Karina e o Wagner. Foram dois dias interessantes, caminhando, conhecendo pessoas e locais da região que eu não conhecia.

1º Dia – 25/09/2012

Partimos de Campo Mourão bem cedo numa manhã chuvosa. Nossa primeira parada foi na região conhecida como Barreiro das Frutas, onde em uma pequena reserva florestal existe uma trilha. No momento em que paramos em tal lugar chovia forte e preferi ficar dentro da caminhonete, pois ainda me recuperava de um problema no pé e caminhar no barro exige um esforço pelo qual eu não queria passar, para não forçar meu pé machucado. A Karina ficou comigo na caminhonete e ficamos conversando enquanto esperávamos nossos amigos. De ruim foi que estávamos estacionados ao lado de uma árvore conhecida como Pau D’alho e que exala um cheiro horrível de alho. Nossos amigos não demoraram muito a retornar e logo seguimos viagem.

Mesmo com chuva e barro a Marilene contrariou minha expectativa e se mostrou uma ótima motorista. Logo chegamos à cachoeira do Boi Cotó e a chuva deu uma trégua. Deixamos a caminhonete guardada na propriedade do seu Antonio Gancebo e seguimos a pé. Foi um pouco complicado caminhar no barro da estrada, pois a terra vermelha da região costuma grudar no calçado quando se transforma em barro. Percorremos um trecho plano e após passar por uma ponte e alguns trechos de mata, começamos a subir um morro. A Karina foi quem mais sofreu com a caminhada, pois estava um pouco fora de forma. E nossa nova amiga irlandesa se mostrou em total forma, pois em nenhum momento se cansava de caminhar. Subimos o morro onde no alto se acredita que no passado existia um cemitério indígena, pois no local foram encontrados alguns vestígios anos atrás. A vista do alto do morro era muito bonita e se podia enxergar a quilômetros de distância. Na volta encontramos um morador da região, que parou conversar conosco e contou algumas coisas sobre o local e inclusive nos mostrou ao longe uma antiga toca de onça. Até início dos anos setenta aquela região era de mata fechada e ali existiam muitos animais, inclusive onças. Logo deixamos o morro para trás e voltamos a caminhar pela estrada. Um ônibus da Prefeitura de Corumbataí do Sul passou por nós e ofereceu carona. Eu, Marilene e Karina aceitamos a carona. Bebhinn e Wagner seguiram caminhando. O ônibus nos deixou numa encruzilhada da estrada, ao lado de um marco do Caminho de Peabiru. A Marilene foi buscar a caminhonete e eu e Karina subimos um pequeno morro ao lado da estrada, onde no alto existe uma capela e uma imagem de São Tomé. No alto do morro eu e Karina descansamos um pouco, tiramos fotos e ficamos conversando. Logo chegaram Bebhinn e Wagner e descemos até a estrada para esperar a Marilene.

Não demorou muito e a Marilene chegou. Embarcamos na caminhonete e seguimos pela estrada rumo à fazenda onde almoçaríamos. No caminho paramos para ver uma árvore que tinha sido destruída por um raio quatro dias antes. A imagem era um pouco assustadora. Logo chegamos à casa do casal Nesão e Luceni, onde um saboroso almoço nos aguardava. Ali fiquei conhecendo a Vera, uma cachorra preta muito simpática e que tinha brigado com um Quati umas semanas antes e acabou levando a pior. Ela teve um olho furado e levou muitos cortes pelo corpo, sendo que muitas cicatrizes eram visíveis e ela andava toda torta. De qualquer forma a cachorra era simpática e foi com minha cara. Após o almoço me deitei em uma rede na varanda e logo peguei no sono.

Fui acordado pela Marilene, me chamando para caminhar. Deu vontade de ficar na rede, pois meu pé machucado doía um pouco. Mas reuni forças e segui meu grupo de amigos na caminhada da tarde. O tempo estava fechado e anunciava chuva. Na caminhada fomos seguidos pela Vera e por outro cachorro. A vera seguia caminhando ao nosso lado ou no meio de nós. Já o outro cachorro era mais tímido e nos seguida a uma curta distância. Após alguns quilômetros o seu Nezão passou por nós de moto e a Vera seguiu seu dono. O outro cachorro nos seguiu por mais um tempo, até que passamos por uma casa de onde saíram três cachorros e deram um carreirão nele. Fiquei de longe torcendo para que nosso pequeno amigo não fosse alcançado pelos três ferozes cachorros.

Chegamos num local onde tivemos que passar por duas cercas de arame farpado e entrar na mata. Logo chegamos até uma pedra, a qual possui marcas circulares. Tal pedra foi encontrada há alguns anos, soterrada no meio do mato. Ninguém sabe a origem de tais marcas na pedra, mas acredita-se que ela esteja diretamente relacionada ao Caminho de Peabiru e aos caminhantes que por ali passaram. Outras pedras com marcas e até espécies de mapas já foram encontradas próximas ao local por onde passava o Caminho de Peabiru. A Bebhinn ficou encantada com tal pedra. Ficamos ao lado da pedra conversando e chegamos à conclusão de que tal pedra ficava em pé, pois uma de suas extremidades é achatada. E outra conclusão foi de que alguém tinha tirado a pedra de seu lugar, para cavar embaixo, pois ela estava caída dentro de um buraco. A lenda do tesouro perdido dos jesuítas é bastante conhecida e muita gente já andou cavando locais próximos ao Caminho de Peabiru em busca de tal tesouro.

Deixamos a pedra para trás e fizemos o caminho de volta até a casa do seu Nezão. Quase chegando a casa começou a chover, mas não chegamos a nos molhar. A caminhada do dia estava encerrada e agora era descansar e se preparar para o dia seguinte. A dona Luceni nos esperava com um delicioso café com pãezinhos caseiros feitos na hora, que estavam um delicia. Após o café fui montar minha barraca na varanda. O Wagner resolveu dormir numa rede na varanda e as meninas iam dormir no interior da casa, em camas confortáveis. Estava faltando energia elétrica na casa e mesmo assim a Marilene resolveu ir tomar banho, frio. Logo que ela saiu do banho a energia voltou e todos os demais puderam tomar banho quente. Ficamos conversando na varanda e eu tentei consertar a câmera da Bebhinn, que tinha sido molhada pela chuva. Utilizei o secador de cabelos da dona Luceni para tentar secar o interior da câmera e a deixei pegando vento a noite toda para tentar secá-la por completo. Logo foi servida a janta e depois enquanto o pessoal foi ver a novela eu preferi me recolher ao interior de minha barraca e dormir, pois estava cansado e a noite fria e chuvosa era convidativa ao sono. Logo dormi e só fui acordar algumas horas depois com o barulho do vento. Ventava muito forte e agradeci pela barraca não estar armada ao ar livre, pois daí sim seria complicado dormir com vento tão forte.

Filhotes na fazenda do Sr. Antonio.

Cachoeira do Boi Cotó.

Marco do Caminho de Peabiru.

Atravessando ponte.

Marilene e Karina.

Local provável do antigo cemitério indígena.

Bebhinn, Wagner, Marilene, Karina e Vander.

Morador local que encontramos pelo caminho.

Capela de São Tomé.

Marco das quatro fronteiras.

Árvore destruída por um raio.

Amoras ao lado da estrada.

Comendo amoras.

Pedra com marcas circulares.

Bebhinn admirando a pedra.

A simpática Vera.

Minha barraca na varanda.

Caminhada na Usina

Aproveitando o sábado de muito calor, fui com minhas amigas Mari e Mariá fazer uma caminhada em volta da Usina Mourão. Minha mãe foi junto, mas como ela não pode caminhar em razão de um problema no joelho, a deixei na chácara de um tio, onde também ficou o carro.

O sol estava de rachar mamona, mas como a Mari conhece alguns “atalhos” na região, acabamos caminhando um bom trecho no meio de árvores. Na sombra estava gostoso caminhar e não foi tão cansativo. O mais difícil foi ouvir as duas “comadres” fofocarem o tempo todo… kkkk!!! Após 1h45min e cerca de sete quilômetros de caminhada, chegamos ao outro lado da Usina, na chácara de nossa antiga amiga de caminhadas, Zilma.

Após um breve descanso, muita água gelada e um animado bate papo, pegamos carona de lancha com um primo meu que estava passeando por lá. Fizemos um passeio pela represa e daí ele nos deixou na chácara do meu tio, onde iniciamos a caminhada. Acabou sendo uma tarde muito agradável, onde tanto o passeio a pé quanto o de lancha foram divertidos.

Mari e Mariá, no início da caminhada.

Caminhando sob árvores.

Mari, Vander e Mariá.

Curtindo o passeio.

Fortes emoções...

No meio da Usina Mourão.

Caminhada no Barreiro das Frutas

O dia amanheceu sem chuva e com um sol bonitinho. Levantar foi complicado, mas como não tinha outra opção dei um jeito de sair de minha aconchegante barraca. O pessoal já estava tomando café, e me juntei a eles. Tomar café da manhã é algo que normalmente não faço, mas quando tem caminhada sempre procuro comer algo, para não caminhar de pança vazia. Comi um sanduba de queijo com presunto e bebi um copo de água. É que só tomo chá e não tinha chá. Preciso reclamar sobre isso com a Marilene, que foi quem organizou a caminhada. Mari, sei que você vai ler isso, então favor levar um caixinha de chá mate natural Leão na próxima caminhada. rs!!!

Antes de sair caminhar desmontamos as barracas, tiramos uma foto com todo nosso grupo e pouco antes das nove iniciamos a caminhada. O primeiro trecho tinha barro, em razão da chuva do dia anterior. E não demorou muito chegamos ao asfalto e seguimos por ele um bom tempo. O clima estava ótimo para caminhar, pois mesmo com sol não fazia muito calor. Como nosso grupo não era grande fomos caminhando próximos uns aos outros. E como é natural se formavam alguns grupinhos ou duplas que seguiam juntos caminhando. O trecho que percorremos no início eu já conhecia de outras caminhadas e passeios de bike. A região é bonita, com muito verde.

Menos de duas horas de caminhada e chegamos à ponte do Rio da Várzea. Depois da ponte enfrentamos a primeira grande subida da caminhada e o tempo fechou, começando a cair uma fina garoa. Mais um pouco caminhando e entramos num lugar de mata fechada, seguindo ao lado do rio e chegamos ao Salto Santa Amália. Pelo plano original, deveríamos atravessar o rio pouco abaixo do Salto Santa Amália e seguir por uma trilha do outro lado. Mas em razão da chuva dos últimos dias o rio estava muito cheio e com a correnteza forte. Então o jeito foi descansar um pouco ali e dar meia volta, seguindo pelo caminho de onde tínhamos vindo. Ao chegar novamente a ponte do Rio da Várzea começou a garoar e algum tempo depois começou a chover mais forte. Acabamos nos molhando, mas foi divertido.

Fizemos um trecho alternativo na volta, para não passar pelo mesmo caminho. Viramos em uma estrada de terra e após pular uma porteira e passar por um pasto cheio de vacas, entramos numa região de mata. A chuva parou e o sol voltou belo e formoso. Mas o barro permanecia e em alguns trechos foi complicado caminhar, pois o barro grudava no calçado e ficava pesado o movimento de levantar os pés ao dar as passadas. Passamos por algumas casas que estavam vazias, pulamos mais duas porteiras e logo chegamos próximo a uma aldeia indígena. Em seguida enfrentamos a maior subida da caminhada e com o sol do meio-dia, acabou sendo a parte mais complicada do caminho. No final da subida paramos sob a sombra de algumas árvores para descansar e parte do pessoal aproveitou para colher jabuticabas.

Após o breve descanso recomeçamos a caminhada e chegamos a Comunidade do Barreiro das Frutas. Nesse local pernoitamos em outubro do ano passado, durante uma caminhada do Caminho de Peabiru. Ali descansamos mais um pouco e voltamos a caminhar. Chegamos de volta ao local do acampamento pouco depois das três horas e um gostoso almoço nos esperava. Antes de comer fui ao lago tirar o barro de minhas botas e depois me sentei junto com alguns amigos ao lado de um córrego, onde colocamos os pés na água fria. Isso foi algo muito relaxante e logo as dores nos pés tinham desaparecido. Em seguida fui almoçar junto com o pessoal. Daí ficamos conversando um tempo e no final da tarde fomos embora. O acampamento e a caminhada foram muito bons e espero reencontrar o pessoal em breve, se não todos, ao menos alguns, para fazermos novas caminhadas e acampamentos.

Todos sorridentes, prontos para caminhar.

Completando o primeiro quilômetro de caminhada.

Caminhando no asfalto.

Ponte do Rio da Várzea.

Salto Santa Amália.

Local onde deveriámos atravessar o rio.

Caminhando sob chuva.

No meio do caminho tinha uma porteira...

Caminhando na mata.

Barro, muito barro...

Breve momento de descanso.

Marilene colhendo jabuticabas.

Momento relax após a caminhada.

Almoço no meio da tarde.

Acampamento no Barreiro das Frutas

Durante as semanas que fiquei fora do Brasil, senti muita saudade dos acampamentos e caminhadas. Eu via as fotos que os amigos postavam no Facebook e no Orkut e ficava com vontade de ter participado com eles de algumas caminhadas e de um acampamento que aconteceu no Morro dos Ventos, em Nova Tebas. E por sorte, tão logo voltei ao Brasil foi marcado um acampamento com caminhada, na região do Barreiro das Frutas.

Choveu muito no dia do acampamento, e mesmo assim a maioria do pessoal compareceu. Acampamos em uma chácara, e não demorou muito para que alguns dos amigos de Maringá chegassem, bem como o Pierin e sua família, que vieram de Cambé. Para a janta fizemos um churrasco, onde eu e o Doni sofremos para acender o fogo. Depois de jantarmos ficamos conversando. Alguns foram dormir cedo, e outros ficaram até tarde conversando. Parte do pessoal dormiu na casa da chácara, nos quartos e na sala. Eu e alguns outros armamos nossas barracas na varanda, para fugir da chuva.

Fui um dos últimos a ir dormir, fiquei conversando e zoando com o pessoal até tarde. Eram umas três da manhã quando entrei em minha barraca. Estava quase pegando no sono quando as nuvens de chuva dispersaram e surgiu uma lua muito clara no céu. Eu não tinha colocado a capa da barraca e a lua deixou a noite muito clara e tive dificuldades para dormir. De madrugada alguém foi ao banheiro e deixou a luz da varanda acesa, e essa luz batia em cheio no meu rosto. Acordei e demorei em pegar no sono. Daí finalmente dormi e nem mesmo ouvi o galo que alguns disseram ter cantado alto desde muito cedo. O chato foi acordar cedo após ter dormido poucas horas. Mas isso era um detalhe, o importante é que a chuva tinha ido embora e o dia prometia uma ótima caminhada, para eu matar minha saudade de andar pelo mato, no barro, sob sol, sob chuva. Essa é uma paixão que muitos não entendem, mas os que entendem e gostam sabem como é bom.

Churrasqueiros fajutos.

Pessoal chegando para jantar.

Me preparando para dormir.

Pessoal papeando.

O Doni trocou a barraca por um sofá.

O Valteco roncando.

Amanhecer no acampamento.