Uma irlandesa no Peabiru (Parte I)

Na semana que passou uma irlandesa esteve em Campo Mourão com a única finalidade de visitar alguns locais na região, por onde passava o histórico Caminho de Peabiru. Esse caminho ligava o litoral ao interior do continente e era utilizado pelos indígenas muito antes dos europeus chegarem ao Brasil. Depois do descobrimento ele foi utilizado pelos europeus para desbravar o interior da região sul do Brasil. Um ramal do Caminho de Peabiru passava pela região de Campo Mourão, onde próximo também existiu uma redução jesuíta.

A irlandesa Bebhinn Ramsay, que vive há alguns anos em Florianópolis é uma estudiosa do Caminho de Peabiru e veio conhecer um pouco do caminho que por aqui passava. Quem organizou a visita da irlandesa foi minha amiga Marilene, que é uma grande conhecedora e estudiosa do Caminho de Peabiru. Também fizeram parte do pequeno grupo que acompanhou a irlandesa, minha amiga de caminhadas Karina e o Wagner. Foram dois dias interessantes, caminhando, conhecendo pessoas e locais da região que eu não conhecia.

1º Dia – 25/09/2012

Partimos de Campo Mourão bem cedo numa manhã chuvosa. Nossa primeira parada foi na região conhecida como Barreiro das Frutas, onde em uma pequena reserva florestal existe uma trilha. No momento em que paramos em tal lugar chovia forte e preferi ficar dentro da caminhonete, pois ainda me recuperava de um problema no pé e caminhar no barro exige um esforço pelo qual eu não queria passar, para não forçar meu pé machucado. A Karina ficou comigo na caminhonete e ficamos conversando enquanto esperávamos nossos amigos. De ruim foi que estávamos estacionados ao lado de uma árvore conhecida como Pau D’alho e que exala um cheiro horrível de alho. Nossos amigos não demoraram muito a retornar e logo seguimos viagem.

Mesmo com chuva e barro a Marilene contrariou minha expectativa e se mostrou uma ótima motorista. Logo chegamos à cachoeira do Boi Cotó e a chuva deu uma trégua. Deixamos a caminhonete guardada na propriedade do seu Antonio Gancebo e seguimos a pé. Foi um pouco complicado caminhar no barro da estrada, pois a terra vermelha da região costuma grudar no calçado quando se transforma em barro. Percorremos um trecho plano e após passar por uma ponte e alguns trechos de mata, começamos a subir um morro. A Karina foi quem mais sofreu com a caminhada, pois estava um pouco fora de forma. E nossa nova amiga irlandesa se mostrou em total forma, pois em nenhum momento se cansava de caminhar. Subimos o morro onde no alto se acredita que no passado existia um cemitério indígena, pois no local foram encontrados alguns vestígios anos atrás. A vista do alto do morro era muito bonita e se podia enxergar a quilômetros de distância. Na volta encontramos um morador da região, que parou conversar conosco e contou algumas coisas sobre o local e inclusive nos mostrou ao longe uma antiga toca de onça. Até início dos anos setenta aquela região era de mata fechada e ali existiam muitos animais, inclusive onças. Logo deixamos o morro para trás e voltamos a caminhar pela estrada. Um ônibus da Prefeitura de Corumbataí do Sul passou por nós e ofereceu carona. Eu, Marilene e Karina aceitamos a carona. Bebhinn e Wagner seguiram caminhando. O ônibus nos deixou numa encruzilhada da estrada, ao lado de um marco do Caminho de Peabiru. A Marilene foi buscar a caminhonete e eu e Karina subimos um pequeno morro ao lado da estrada, onde no alto existe uma capela e uma imagem de São Tomé. No alto do morro eu e Karina descansamos um pouco, tiramos fotos e ficamos conversando. Logo chegaram Bebhinn e Wagner e descemos até a estrada para esperar a Marilene.

Não demorou muito e a Marilene chegou. Embarcamos na caminhonete e seguimos pela estrada rumo à fazenda onde almoçaríamos. No caminho paramos para ver uma árvore que tinha sido destruída por um raio quatro dias antes. A imagem era um pouco assustadora. Logo chegamos à casa do casal Nesão e Luceni, onde um saboroso almoço nos aguardava. Ali fiquei conhecendo a Vera, uma cachorra preta muito simpática e que tinha brigado com um Quati umas semanas antes e acabou levando a pior. Ela teve um olho furado e levou muitos cortes pelo corpo, sendo que muitas cicatrizes eram visíveis e ela andava toda torta. De qualquer forma a cachorra era simpática e foi com minha cara. Após o almoço me deitei em uma rede na varanda e logo peguei no sono.

Fui acordado pela Marilene, me chamando para caminhar. Deu vontade de ficar na rede, pois meu pé machucado doía um pouco. Mas reuni forças e segui meu grupo de amigos na caminhada da tarde. O tempo estava fechado e anunciava chuva. Na caminhada fomos seguidos pela Vera e por outro cachorro. A vera seguia caminhando ao nosso lado ou no meio de nós. Já o outro cachorro era mais tímido e nos seguida a uma curta distância. Após alguns quilômetros o seu Nezão passou por nós de moto e a Vera seguiu seu dono. O outro cachorro nos seguiu por mais um tempo, até que passamos por uma casa de onde saíram três cachorros e deram um carreirão nele. Fiquei de longe torcendo para que nosso pequeno amigo não fosse alcançado pelos três ferozes cachorros.

Chegamos num local onde tivemos que passar por duas cercas de arame farpado e entrar na mata. Logo chegamos até uma pedra, a qual possui marcas circulares. Tal pedra foi encontrada há alguns anos, soterrada no meio do mato. Ninguém sabe a origem de tais marcas na pedra, mas acredita-se que ela esteja diretamente relacionada ao Caminho de Peabiru e aos caminhantes que por ali passaram. Outras pedras com marcas e até espécies de mapas já foram encontradas próximas ao local por onde passava o Caminho de Peabiru. A Bebhinn ficou encantada com tal pedra. Ficamos ao lado da pedra conversando e chegamos à conclusão de que tal pedra ficava em pé, pois uma de suas extremidades é achatada. E outra conclusão foi de que alguém tinha tirado a pedra de seu lugar, para cavar embaixo, pois ela estava caída dentro de um buraco. A lenda do tesouro perdido dos jesuítas é bastante conhecida e muita gente já andou cavando locais próximos ao Caminho de Peabiru em busca de tal tesouro.

Deixamos a pedra para trás e fizemos o caminho de volta até a casa do seu Nezão. Quase chegando a casa começou a chover, mas não chegamos a nos molhar. A caminhada do dia estava encerrada e agora era descansar e se preparar para o dia seguinte. A dona Luceni nos esperava com um delicioso café com pãezinhos caseiros feitos na hora, que estavam um delicia. Após o café fui montar minha barraca na varanda. O Wagner resolveu dormir numa rede na varanda e as meninas iam dormir no interior da casa, em camas confortáveis. Estava faltando energia elétrica na casa e mesmo assim a Marilene resolveu ir tomar banho, frio. Logo que ela saiu do banho a energia voltou e todos os demais puderam tomar banho quente. Ficamos conversando na varanda e eu tentei consertar a câmera da Bebhinn, que tinha sido molhada pela chuva. Utilizei o secador de cabelos da dona Luceni para tentar secar o interior da câmera e a deixei pegando vento a noite toda para tentar secá-la por completo. Logo foi servida a janta e depois enquanto o pessoal foi ver a novela eu preferi me recolher ao interior de minha barraca e dormir, pois estava cansado e a noite fria e chuvosa era convidativa ao sono. Logo dormi e só fui acordar algumas horas depois com o barulho do vento. Ventava muito forte e agradeci pela barraca não estar armada ao ar livre, pois daí sim seria complicado dormir com vento tão forte.

Filhotes na fazenda do Sr. Antonio.

Cachoeira do Boi Cotó.

Marco do Caminho de Peabiru.

Atravessando ponte.

Marilene e Karina.

Local provável do antigo cemitério indígena.

Bebhinn, Wagner, Marilene, Karina e Vander.

Morador local que encontramos pelo caminho.

Capela de São Tomé.

Marco das quatro fronteiras.

Árvore destruída por um raio.

Amoras ao lado da estrada.

Comendo amoras.

Pedra com marcas circulares.

Bebhinn admirando a pedra.

A simpática Vera.

Minha barraca na varanda.

1º Trekkingá

Hoje estive em Maringá e participei do 1º Trekkingá – Enduro a pé no Parque do Ingá. Fiz parte de uma das equipes do Grupo Peregrinos de Maringá. O enduro com orientação foi realizado dentro do Parque do Ingá e contou com a participação de trinta equipes. Fazia muitos anos que eu não via uma bussola ou fazia algum tipo de orientação com planilha. A última vez tinha sido nos meus tempos de Exército. Confesso que estava totalmente enferrujado, e eu que era o capitão da equipe e responsável pela leitura da planilha de orientação, tive que contar com a ajuda de meus companheiros de equipe, pois muitas vezes fiquei totalmente perdido na orientação e leitura da planilha. Minha equipe era a Peregrinos II (equipe número 15) e dela faziam parte: Gaúcho (que contava os passos); Sueli (que auxiliava o Gaúcho na contagem); Mada (responsável pela leitura da bussola) e Matilde (que fez de tudo um pouco).

Na largada que aconteceu às 09h00min, cada equipe partia com dois minutos de diferença da equipe anterior. A rota inicial do enduro até que foi tranquila, pois na planilha de orientação existiam algumas boas referencias que ajudavam na leitura da planilha. Ao mesmo tempo em que tínhamos que procurar fazer uma leitura correta da planilha, tínhamos que contar passos para ter noção de distância que a planilha indicava e também fazer leituras na bussola para descobrir a direção correta a seguir em alguns trechos. Passamos por trilhas e ruas dentro do parque, entramos em valetas, atravessamos pequenas pontes e outras coisas mais. Tínhamos que manter certa regularidade e tentar seguir o tempo estipulado na planilha para percorrer cada trecho. Existiam alguns pontos de controle escondidos pelo caminho e precisamos encontrar estes pontos e carimbar nossa planilha. E não podíamos passar nos pontos de controle muito adiantados ou atrasados, pois passar muito adiantado ou atrasado por um ponto de controle significava perder pontos.

Até o ponto de controle número dois nós fomos muito bem e passamos dentro de uma margem de tempo aceitável. Mas logo nos perdemos por culpa de uma referência errada e acabamos perdendo um bom tempo até chegarmos ao ponto de controle número três. Em seguida conseguimos recuperar um pouco nosso tempo e passamos bem pelo ponto de controle quatro. Mas a partir daí nos perdemos e ficamos andando de um lado para outro tentando entender a planilha e encontrar o caminho correto. Nossa maior dificuldade foi que a planilha passou a ter poucas referencias e isso fez com que ao errarmos um pouco a contagem da distância a percorrer através da contagem de passos ou errar em alguma leitura da bussola ou indicação da planilha, a falta de referencias nos fazia ficar literalmente perdidos. E não fomos o único grupo a ficar perdido a partir do ponto de controle quatro. Mais grupos também se perderam e reclamaram da falta de mais referencias. Como se tratava de uma prova de orientação para iniciantes, bem que os organizadores podiam ter facilitado um pouco e colocado mais pontos de referencia na planilha.

Após três horas de caminhada pelo interior do Parque do Ingá, chegamos ao final do Treekingá. Na colocação geral ficamos em 15 º lugar entre as trinta equipes participantes, o que não foi um mau resultado se levarmos em conta nossa falta de experiência nesse tipo de prova, bem como as dificuldades que enfrentamos e os perdidos que demos. No final valeu a experiência e espero no futuro participar de outras provas do tipo. E com certeza se não tivéssemos tido tanta dificuldade na parte final do enduro, teríamos ficado numa colocação muito melhor. Mas valeu ter participado e conhecido novas pessoas, feito novos amigos!

Equipe Peregrinos I (de branco) e Peregrinos II (de azul).

A primeira página da Planilha de Orientação.

Na LARGADA: Matilde, Gaúcho, Mada, Sueli e Vander.

Quase chegando no primeiro ponto de controle.

Local onde muitas equipes se perderam.

Nesse momento estávamos bem perdidos.

Mada e Gaúcho tentando encontrar o caminho certo.

Na CHEGADA a divulgação do resultado do Trekkingá.

Vancouver Whitecaps

Recebi pelo correio um belo presente vindo do Canadá, enviado pelo meu amigo Gilberto. O presente foi uma camisa do Vancouver Whitecaps, time de futebol que disputa a MLS (Major League Soccer) campeonato de futebol disputado por times do Canadá e Estados Unidos.

Quando estive no Canadá ano passado assisti a dois jogos do Whitecaps e virei torcedor “honorário”. Desde então tenho acompanhado pela internet notícias e resultados dos jogos do Whitecaps. Se ano passado ele ficou em último lugar (lá não tem rebaixamento) nesse ano ele está se dando melhor e no momento está em quinto lugar na Conferência Oeste e com chances de disputar os play offs.

Camisa do Whitecaps que eu ganhei.

Vancouver Whitecaps.