Reinhold Messner

Reinhold Messner é um alpinista italiano, considerado um dos melhores alpinistas de todos os tempos. Ele foi o primeiro, junto com Peter Habeler, a escalar o Everest (a maior montanha do mundo) sem utilizar garrafas de oxigênio, em 1978. E foi o primeiro a escalar o Everest sozinho, em 1980. Também foi o primeiro a escalar todas as catorze montanhas existentes com mais de oito mil metros. E foi o segundo a escalar as sete montanhas mais altas dos sete continentes (a mais alta de cada continente).

Existem bons livros em inglês e espanhol, que contam as aventuras de Reinhold Messner. Infelizmente não encontrei nada em português! E para quem quer conhecer um pouco mais sobre esse excelente alpinista, existe um filme (documentário) sobre ele. O filme passou algumas vezes no canal a cabo Off, mas creio que seja possível encontrar para compra ou baixar na internet.

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Reinhold Messner.

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Livro sobre Messner no Everest.

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Livro sobre Reinhold Messner.

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Cartaz do filme sobre Messner.

Reflexão de um montanhista

“Para mim chegar ao cume de uma montanha significa a coroação de um longo processo que um dia começou como um sonho, que logo se transformou em um objetivo concreto, o qual passou por uma fase importante de planejamento (de tempo, de dinheiro, etc.), seguida por um período de preparação e treinamentos, até culminar com a escalada e com a conquista propriamente dita. O cume “é a cereja do bolo”, como muitos montanhistas costumam dizer. Aliás, curiosamente essa expressão também é comumente utilizada para consolar montanhistas quando a conquista de um cume não é possível de ser atingida, como se “a cereja fosse somente um detalhe em relação ao resto do bolo”. Particularmente, apesar de respeitar todas as opiniões a respeito, penso que o bolo não está completo se não se pode comer a cereja também. Tenho a mais plena consciência de que muitas vezes não é possível continuar com uma ascensão, simplesmente porque a montanha não permite, independentemente se você é um montanhista principiante ou o Reinhold Messner. O montanhismo já cobrou muitas vidas de quem ousou pensar o contrário e é por isso que sempre peço a Deus que me ilumine e que me dê serenidade para que eu sempre possa tomar as decisões mais acertadas na montanha. Entretanto, pelo que me conheço, no dia em que isso acontecer comigo, certamente eu vou querer voltar para tentar de novo, ainda que seja na temporada seguinte. Faz parte da minha natureza não desistir tão fácil dos meus objetivos, apesar de saber que às vezes é necessário recuar um pouco para depois voltar a avançar”.

Cristiano Müller (montanhista)

Cristiano Müller.

Cristiano Müller.

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Cristiano Müller em ação no McKinley.

Sobre às montanhas…

“Montanhas não são estádios onde eu satisfaço a minha ambição, são as catedrais onde eu pratico a minha religião… Eu vou a elas como os seres humanos vão aos templos. De seus altivos píncaros eu vejo o meu passado, sonho do futuro e, com uma acuidade incomum, eu vivo a experiência do presente momento… A minha visão clareia, minha força renova. Nas montanhas celebro a criação. Em cada viagem rejuvenesço.”

Anatoli Boukreev – montanhista russo

Vander, 20 graus negativos. (Bolívia/2012)

Vander, 20 graus negativos, 6088 metros de altitude. (Bolívia/2012)

Monte Everest

Muito triste o terremoto que ocorreu no Nepal essa semana. Não conheço o Nepal, mas sei muito sobre o país e sua cultura. E tal conhecimento adquiri em anos lendo sobre escaladas ao Everest, a montanha mais alta do mundo. Consta em minha lista de desejos, uma visita ao Nepal, até o acampamento base do Everest, que é o local onde as expedições que seguem até o Everest se reúnem e dali os montanhistas partem para os acampamentos superiores na montanha, até o cume.

Durante o terremoto fiquei preocupado com a Ana Wanke, que é de Curitiba e estava guiando um grupo de brasileiros próximo a Katmandu, cidade que foi fortemente atingida pelo terremoto. Conheci a Ana Wanke em 2013, quando estive no Pico Paraná. Ela era a guia do grupo em que eu estava. Felizmente ela e seu grupo não sofreram nenhum dano e logo estarão de volta ao Brasil, assustados, mas bem…

O Monte Everest com seus 8.848 metros de altitude é a montanha mais alta da Terra. Está localizado na Cordilheira do Himalaia, entre a China (Tibete) e o Nepal. O Everest foi assim chamado por Sir Andrew Scott Waugh, o governador-geral da Índia colonial britânica, em homenagem a seu predecessor, Sir George Everest. Radhanath Sikdar, um matemático e topógrafo indiano de Bengala, foi o primeiro a identificar o Everest como a montanha mais alta do globo, de acordo com seus cálculos trigonométricos em 1852. Os indianos pensam que o pico deveria ser chamado Sikdar, e não Everest.

O monte Everest tem duas rotas principais de ascensão, pelo cume sudeste no Nepal e pelo cume nordeste no Tibete, além de mais 13 outras rotas menos utilizadas. Das duas rotas principais, a sudeste é a tecnicamente mais fácil e a mais frequentemente utilizada. Esta foi a rota utilizada por Edmund Hillary e Tenzing Norgay em 1953. Contudo, a escolha por esta rota foi mais por questões políticas do que por planejamento de percurso, quando a fronteira do Tibete foi fechada aos estrangeiros em 1949.

A maioria das escaladas tentando atingir o cume do Everest, são realizadas entre abril e maio, antes do período das chuvas. Ainda que algumas vezes sejam feitas tentativas de escalada em setembro e outubro, o acúmulo de neve causado fora do período entre abril e maio, torna a escalada muito mais difícil e perigosa, pois o risco de avalanches aumenta.

Desde 1921, diversas tentativas de escalada tentando atingir o cume do Everest foram feitas. Em 8 de junho de 1924, George Mallory e Andrew Irvine, ambos britânicos, fizeram uma tentativa de ascensão da qual jamais retornaram. Não se sabe se atingiram o pico e morreram na descida, ou se não chegaram até ele, já que o corpo de Mallory, encontrado em 1999, estava com objetos pessoais, mas sem a foto da esposa, que ele prometera deixar no pico. Também não foi encontrada a máquina fotográfica que carregavam e que podia ter fotos do cume, provando que tinham atingido o cume e morrido na descida. Como não foi possível provar que Mallory e Irvine atingiram o cume em 1924, fica sendo considerado como sendo Hillary e Norgay, em 1953, os primeiros a atingirem o cume, pois eles trouxeram fotos que comprovaram tal feito.

Em 16 de maio de 1975, Junko Tabei,  tornou-se a primeira mulher a alcançar o topo do Everest. A primeira ascensão sem oxigênio foi feita por Reinhold Messner e Peter Habeler, em 1978. Em 1980 Reinhold Messner realizou a primeira ascensão solitária até o cume do Everest.

Os primeiros brasileiros a atingirem o cume do Everest, foram Waldemar Niclevicz e Mozart Catão, em maio de 1995. Eles atingiram o cume juntos. Ambos escalaram utilizando oxigênio suplementar (bujão de oxigênio). O primeiro brasileiro a escalar o Everest sem ajuda de oxigênio suplementar, foi Vitor Negrete, em 2006. Mas infelizmente ele faleceu na descida, por culpa de um edema. Ele ficou sepultado no acampamento três do Everest, a 8.300 metros de altura.

O Everest também é conhecido como A Montanha da Morte, devido à enorme quantidade de montanhistas que morreram tentando atingir o seu cume. Calcula-se entre 150 e 200 mortos. Muitos montanhistas atingiram o cume e morreram na descida. Tal fato acontece devido ao grande esforço físico gasto na subida, e ao descer o montanhista está tão desgastado fisicamente que não tem forças para descer e acaba morrendo por diversos motivos. Outro motivo para o elevado número de mortes de montanhistas na descida é a rápida mudança do tempo, que muitas vezes acaba ocorrendo quando o montanhista está descendo.

Acima de 8.000 metros de altitude é praticamente impossível socorrer algum montanhista que esteja tendo problemas. Então é normal um montanhista passar por alguém que esteja morrendo e deixar o moribundo lá, pois se ele tentar resgatar quem está tendo problemas, pode vir a morrer também. Também é complicado resgatar os corpos daqueles que morrem no alto da montanha. Por essa razão existem dezenas de corpos congelados na montanha, num verdadeiro cemitério a céu aberto.

Confesso que um dos meus sonhos é chegar ao cume do Everest. Mas infelizmente não tenho os cerca de oitenta mil dólares para bancar tal expedição. Então me contento em ler tudo o que encontro sobre escaladas ao Everest. Sei que muitos vão perguntar a razão de alguém querer arriscar a vida para chegar ao topo de um montanha perigosa como o Everest e logo em seguida descer dela. Infelizmente não tenho tal resposta! É algo inexplicável! Talvez seja a vontade de chegar com suas próprias pernas o mais próximo do céu e de Deus, pois o Everest é o ponto mais alto da Terra.

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Everest.

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Andrew Irvine e George Mallory.

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Tenzing Norgay e Edmund Hillary.

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Waldemar Niclevicz e Mozart Catão. (Imagem: Extremos Online)

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Montanhista morto no Everest.

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O corpo de George Mallory, encontrado no Everest em 1999.

O mundo perdido do Monte Roraima

Este é um local que pretendo conhecer. O plano era ir no início de 2015, com um grupo aqui do Paraná. Mas estou com o ombro fraturado, passei por cirurgia e vou levar uns quatro meses para ficar bom. Então vou ter que adiar por um ano, ou mais a ida ao Monte Roraima…

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Monte Roraima

Descoberto apenas no século XIX, o monte Roraima foi escalado pela primeira vez em 1884, por uma expedição britânica chefiada porEverard Ferdinand im Thurn. Entretanto, apesar das diversas expedições posteriores, sua fauna, flora e geologia permanecem largamente desconhecidas. A história de uma dessas incursões inspirou sir Arthur Conan Doyle a escrever o livro O Mundo Perdido, em 1912.nota 1 Com o desenvolvimento do turismo na região, especialmente a partir da década de 1980, o monte Roraima tornou-se um dos destinos mais populares para os praticantes de trekking, devido ao ambiente singular e às condições relativamente fáceis de acesso e escalada. O trajeto mais utilizado é feito pelo lado sul da montanha,nota 2 através de uma passagem natural à beira de um despenhadeiro. A escalada por outros pontos, no entanto, exige bastante técnica, mas permite a abertura de novos acessos.O Monte Roraima é uma montanha…

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Pico Paraná (Parte II)

Eu estava tão cansado, que dormi profundamente no desconforto da barraca. Acordei uma única vez durante a noite, olhei para o lado e vi o Rodrigo acordado. Virei de lado e voltei a dormir. Acordei novamente às 4h00 da manhã, que era o horário combinado para todos levantarem. O primeiro pensamento que tive foi o que estava fazendo ali, em pleno domingo acordando de madrugada, quando poderia estar muito bem em casa dormindo em minha confortável e espaçosa cama. Tal pensamento não durou mais de um minuto e finalmente acordei pra valer e fui arrumando minhas coisas para partir rumo o cume do Pico Paraná.

Após arrumar minhas coisas, saí da barraca para encontrar uma moita que servisse de banheiro. Ao redor todos estavam acordados se preparando para partir. Fui alguns metros trilha abaixo e após um xixi básico fui escovar os dentes. Estava meio sonolento e confundi o tubo branco e vermelho do creme dental, com o tubo branco e vermelho de uma pomada Hipoglós, que costumo usar para curar assaduras durante as caminhadas. Só percebi o engano após sentir um gosto estranho e gorduroso na boca. Soltei um palavrão e logo ri do engano, causado por culpa da sonolência em que me encontrava. Voltei para a barraca e já tinha gente tomando café. Peguei uma maçã para comer na trilha, uma garrafinha com água e estava pronto para partir.

Passava um pouco das 4h30min, quando partimos pela trilha que leva ao cume do PP. A Ana foi a frente, seguida pela Andy, pelo Eduardo e por mim. Logo atrás vinham a Maristela, o Jorge e o Rodrigo. No começo o grupo andou junto, mas logo o grupo se separou em dois, igual no dia anterior e segui no grupo da frente, que era mais rápido.

A noite estava bonita, com lua. A trilha seguia morro acima, com alguns trechos de mata fechada e outros com muitas pedras. Vez ou outra fazíamos uma rápida parada para descansar e beber água. Nessas paradas olhávamos para trás e era possível ver a luz de algumas lanternas, de pessoas que seguiam pela trilha atrás de nós. Fazia frio, mas nada muito intenso e ao caminhar, em alguns momentos cheguei a sentir calor.

Ainda estava escuro quando passamos pelo facãozinho, que é um trecho estreito da trilha, com precipício dos dois lados. Em razão do escuro não dava para ter noção do perigo, então passamos tranquilamente por esse trecho. Na última parte da trilha tivemos que subir muitos degraus fixados nas pedras, mas isso não foi nenhum problema. Chegamos ao cume do Pico Paraná quando passava um pouco das 5h30min. Ainda estava escuro e no horizonte era possível ver os primeiros raios solares surgindo atrás de um imenso mar de nuvens. Era uma visão muito bonita! Logo o restante no nosso grupo chegou e todos se cumprimentaram e tiraram algumas fotos juntos. Estávamos a 1.877 metros de altitude, no ponto culminante da região Sul do Brasil.

Fui andar pelo cume e numa das extremidades alguns caras tinham acampado durante a noite. Há poucos dias tinha acontecido um incêndio na mata seca do cume e as marcas desse incêndio eram bastante visíveis. O que também era bem visível (infelizmente) era uma quantidade enorme de lixo deixada ali no alto.

Não demorou muito e o sol surgiu por trás das nuvens, num espetáculo muito bonito. Tirei muitas fotos e fiquei curtindo o momento, a sensação de conquistar mais um objetivo. Naquele momento eu e meus amigos de grupo, éramos as pessoas em terra que estavam em maior altitude em todo o Sul do Brasil.

Ventava bastante lá no cume e logo comecei a sentir frio. Tinha uma grande rocha numa das extremidades do cume e fiquei um tempo abrigado atrás dessa rocha, o que fazia a temperatura subir um pouco. Desse lado do cume a vista também era muito bonita, com muitas montanhas menores surgindo em meio ao mar de nuvens. Logo dois outros grupos chegaram ao cume. Fiquei mais um tempo abrigado atrás da rocha e logo voltei para próximo do pessoal do meu grupo. Então um dos caras que tinham chegado por último ao cume veio me perguntar sobre a calça de ciclismo que eu usava, se ela era quente, confortável. Ele disse que tinha visto muitos caras usando calças de ciclismo na trilha e que estava querendo comprar uma para quando fosse subir outras montanhas. Eu que no dia anterior achei que seria um grande mico usar calça justa de ciclismo na montanha, agora estava dando dicas sobre tal calça.

Ficamos pouco mais de uma hora no cume e a Ana nos chamou para começar a descida. O dia seria longo, pois teríamos um longo trecho para percorrer até chegar à Fazenda Pico Paraná. Começamos a descer pela trilha e por muitos degraus cravados na rocha. Pudemos então ver melhor o caminho que tínhamos percorrido na subida, no escuro. A paisagem era muito bonita e eu não me cansava de olhar para os lados e sempre que possível tirava alguma foto. Ao passar pelo facãozinho foi possível ver o quanto a trilha naquele local é estreita e como o precipício de ambos os lados é profundo. Acho que ninguém do grupo sentiu medo ao passar por esse trecho e todos pareciam curtir a sensação de passar por um lugar perigoso e desafiador.

Mais alguns minutos de caminhada montanha abaixo e foi possível ver o acampamento (A2) onde tínhamos passado a noite. Caminhamos mais um pouco e chegamos ao acampamento. O Silvio já tinha desmontado as barracas e todos se colocaram a arrumar as mochilas para iniciar a descida final. Nesse meio tempo a Ana encontrou tempo para se maquiar e a Andy ficou em pé sobre uma pedra para conseguir sinal de internet e acessar o Facebook pelo celular. Mulheres!!!! KKKkk…

Começamos a descida e dei uma última olhada para o local onde tínhamos acampado, bem como para o cume do Pico Paraná. Algo me dizia que voltarei ali novamente! Após algum tempo de caminhada, chegamos a temida carrasqueira. Olhando de cima para baixo, ela parecia mais assustadora do que na subida. A Ana foi na frente e achou mais seguro descer as mochilas do pessoal do grupo por uma corda que existe ao lado da carrasqueira. Isso fez com que ocorresse um pequeno congestionamento na trilha. Eu que vinha no final do grupo, aproveitei o momento parado, para conversar e tirar fotos. Logo chegou a minha vez de descer e correu tudo bem. No fundo gosto da sensação de perigo ao passar por certos lugares. O risco de acidente é mínimo, pois nos trechos mais difíceis nossa atenção e reflexos parecem ficar mais aguçados.

Deixamos a carrasqueira para trás e começamos a percorrer o trecho de trilha de mata mais fechada e depois o trecho cheio de caratuvas. Ali tivemos a última visão completa do Pico Paraná e logo entramos num trecho de mata ainda mais fechada. Eu seguia no final do grupo, mas logo passei a caminhar mais a frente, próximo a Andy, o Eduardo e o Rodrigo, que dessa vez seguia a frente do grupo. A Ana resolveu ficar para trás e seguir junto com o pessoal mais lento.

Fizemos uma longa parada no A1 e ali alguns aproveitaram para fazer um lanchinho. O Silvio foi o último a chegar, pois a mochila dele era a mais pesada, sem contar os equipamentos que ele carregava espalhados pelo corpo. Tiramos uma foto com o Sérgio e logo voltamos à trilha. Continuei andando junto com o Rodrigo, Andy e Eduardo. Andamos num ritmo bem forte e só paramos na bica, que era o local marcado para almoço. Me sentei em algumas pedras e comi algumas coisas que estavam no meu kit lanche. Depois me encostei em umas pedras e adormeci por alguns minutos. Levou pouco mais de uma hora para a Ana chegar, junto com o Silvio, Jorge e Maristela.

No local onde estávamos ficava a maior bica de toda a trilha e ela é cercada por pedras, formando uma pequena piscina. A água é muito gelada, sendo boa para beber, mas para se banhar nem tanto. E nessa fonte o Jorge, o pernambucano do grupo, resolveu cumprir algo que tinha prometido antes de partir, que era tomar um banho de bica. Ele colocou um calção e entrou na fonte, sentando na pequena piscina debaixo do cano por onde caí água. Senti frio só de olhar ele ali dentro!!  O Jorge provou que é corajoso, um cabra muito macho!!!

A Ana liberou o meu grupo para seguir a frente e só esperar os demais na Fazenda Pico Paraná. Dessa forma eu, Rodrigo, Andy e Eduardo partimos e logo estávamos num ritmo muito forte e assim seguimos até o final da trilha. Chegando na sede da fazenda encontramos o Gustavo, o guia que tinha se machucado no dia anterior e que acampou no A1. O pé dele estava muito inchado e logo a Andy o levou de carro para o hospital.

Tirei minhas botas e fui comer um pastel de queijo e tomar uma Coca-Cola bem gelada. Depois fiquei deitado no gramado, descansando. O restante do grupo chegou cerca de uma hora e meia depois. Estavam todos cansados, mas muito felizes por terem conquistado o cume. Ficamos um tempo conversando e logo foi hora de embarcar na van e seguir rumo à Curitiba. Mal chegamos na BR e começou a chover. Parece que a Ana tem sociedade com São Pedro, pois a previsão para o final de semana era de chuva e só foi chover após termos partido para casa.

Sei que o final de semana foi maravilhoso, pois cumpri mais uma das metas que constam em minha lista de coisas a fazer e lugares a conhecer. E fiz novos e bons amigos! Pretendo voltar outra vez ao Pico Paraná, bem como fazer alguma outra expedição pela Ana Wanke Turismo e Aventura, pois a organização da Ana foi perfeita.

No cume do Pico Paraná.

No cume do Pico Paraná.

O sol surgindo atrás das nuvens.

O sol surgindo atrás das nuvens.

Foto da foto...

Foto da foto…

Vista lá do alto.

Vista lá do alto.

No cume do Pico Paraná.

No cume do Pico Paraná.

Grupo unido.

Grupo unido.

Iniciando a descida.

Iniciando a descida.

Descendo do cume.

Descendo do cume.

O temido facãozinho.

O temido facãozinho.

Descendo a carrasqueira.

Descendo a carrasqueira.

Na carrasqueira.

Na carrasqueira.

Com o Sérgio no A1.

Com o Silvio (de bandana e mochila) no A1.

Almoço na bica.

Almoço na bica.

Jorge tomando banho de bica.

Jorge tomando banho de bica.

Parte final da descida.

Parte final da descida.

Descanso na Fazenda Pico Paraná.

Descanso na Fazenda Pico Paraná.

Pico Paraná (Parte I)

Fazia alguns anos que eu queria chegar ao cume do Pico Paraná, mas sempre acontecia algo e eu tinha que adiar. Cheguei a subir o Caratuva em 2008 e o Itapiroca em 2009, que são duas montanhas próximas ao Pico Paraná. Mas quando chegou a vez de subir o PP (apelido carinhoso dado ao Pico Paraná) me machuquei um pouco antes e levei meses para ficar bom e em forma novamente. Daí quando estava novamente planejando subir o PP, tive dois problemas sérios de saúde e em seguida me mudei de Curitiba. Três anos se passaram e o PP continuava em minha lista de locais onde queria colocar os pés.

Atualmente estou morando cerca de 500 quilômetros do Pico Paraná e sem tempo para arrumar um amigo e planejar a ida até o PP, achei melhor procurar uma agencia de turismo que fizesse o serviço de guia. De início pensei que não existia agencias que levassem clientes até o PP, mas acabei encontrando a Ana Wanke Turismo e Aventura (http://www.anawanke.com.br/). Entrei em contato, troquei algumas informações com a Ana e logo fechei o pacote, que incluía transporte, alimentação, barracas e guias. Achei essa ser e melhor opção no momento, pois não estava a fim de ir sozinho e também não queria que mais uma vez acontecesse algum problema e eu tivesse que desistir de tentar subir o Pico Paraná.

Tudo pago e acertado, agora era torcer para o tempo ajudar e não chover no final de semana marcado para subida do PP. E uma coisa a fazer era melhorar o condicionamento físico! Eu não estava muito mal fisicamente, mas precisava melhorar, pois o Pico Paraná é a montanha mais alta da região sul do Brasil e para evitar problemas e acidentes era melhor estar bem fisicamente. E também precisava perder dois ou três quilos extras adquiridos nas comilanças de inverno. Tinha exatamente um mês para me preparar e foi justamente o que fiz. Caminhei e corri, fiz reforço muscular para as pernas e duas vezes por semana aula de spinning. Também fechei um pouco a boca e reduzi drasticamente o meu maior vicio, que é refrigerante. Mas na segunda semana de treinamento tive um problema de tornozelo e tive que diminuir um pouco o ritmo dos treinamentos. Mesmo assim cheguei tinindo fisicamente no dia do embarque rumo à Curitiba.

Encontrei o pessoal numa madrugada gelada em Curitiba e fomos de van até a Fazendo Pico Paraná, distante uns 40 quilômetros da cidade, no sentido São Paulo. Na van já tive o primeiro contato com o pessoal que fazia parte do grupo. O grupo seria formado por mim e mais sete pessoas. A Ana seria a guia principal, auxiliada pelo Rodrigo e pelo Gustavo. E de caminhantes tinham as curitibanas Andy e Maristela, o gaúcho Eduardo e o pernambucano Jorge. Se eu vinha de longe, o Eduardo e o Jorge vinham de ainda mais longe!

Chegando na Fazenda Pico Paraná tomamos o café da manhã, onde foi servido um delicioso chocolate quente que serviu para esquentar um pouco. Em seguida fomos nos arrumar e nos preparar para iniciar a caminhada. E logo de cara descobri que tinha esquecido de trazer minha calça de caminhada. Não acreditei que tinha deixado para trás um item tão importante. A opção seria caminhar de calça jeans, mais isso limitaria muito meus movimentos. Já estava ficando desanimado, quando lembrei que tinha levado minha calça de ciclismo, a qual costumo usar para dormir em acampamentos, pois ela é bem confortável e quente para utilizar dentro do saco de dormir. O problema é que ela é bastante justa e achei que pagaria um grande mico ao usá-la. Fiquei uns dois minutos pensando em qual calça utilizar e nisso dei uma olhada para o lado e vi que tanto o Rodrigo, quanto o Gustavo estavam utilizando uma calça de ciclismo. Então vi que não seria mico nenhum colocar minha calça de ciclismo para caminhar no mato e foi assim que fiz.

Todos prontos, mochilas nas costas, uma breve reunião para que fossem dados alguns avisos e iniciamos a caminhada. Eu conhecia boa parte do caminho a ser percorrido, pois parte do caminho que leva até o Pico Paraná é o mesmo caminho que percorri anos antes para ir ao Caratuva e depois ao Itapiroca. Segui quase no final da fila, pois queria sentir o ritmo de caminhada dos demais e saber como seria o meu ritmo comparado a eles. Nos primeiros minutos de caminhada aconteceu um incidente com a Maristela, que ao tentar pular de uma pedra a outra em um trecho de lama, escorregou e caiu no barro. Felizmente ela não se machucou (talvez o orgulho tenha ficado um pouco ferido) e assim seguimos em frente. O primeiro trecho é pelo meio do mato, subindo alguns degraus esculpidos na terra e depois seguimos por uma trilha relativamente tranquila, mas sempre subindo. Fizemos algumas breves paradas no início e logo resolvi ir mais para frente na fila, seguindo pouco atrás da Ana, que ia sempre na frente.

Levamos cerca de uma hora para chegar ao morro do Getúlio, que é um local descampado, cheio de pedras e de onde se tem uma bela visão para todos os lados. A visão mais bonita é da represa Capivari, alguns quilômetros abaixo. Ali fizemos uma longa pausa, ajeitamos as mochilas, tiramos fotos e seguimos em frente. Foi a partir do Getúlio que nosso grupo se dividiu, formando dois. No grupo que estava mais rápido seguiam a Ana, Andy, eu e Eduardo. Me sentia muito bem fisicamente e não tive nenhum problema em acompanhar o ritmo mais forte do pessoal da frente. De tempos em tempos fazíamos alguma parada para descanso e a Ana aproveitava para falar pelo rádio com o Gustavo, que seguia fechando a fila do segundo grupo. Caminhamos um bom tempo assim até que chegamos no cruzamento das trilhas que levam ao Pico Paraná e ao Caratuva. Ali ficamos esperando o restante do grupo. Eu conhecia o caminho até esse local, então a partir dali tudo ficaria mais interessante para mim, pois o caminho a seguir seria inédito.

Após descansar e tirar fotos, voltamos a caminhar e o grupo continuou dividido. A trilha seguia quase sempre pelo meio do mato, em um terreno cheio de raízes. Vez ou outra tinha algum trecho onde era preciso fazer uma pequena escalada segurando nos galhos e raízes de árvores e em alguns casos em cordas estrategicamente amarradas nos locais de mais difícil acesso. Tinham alguns trechos de rocha que eram bastante lisos e era preciso tomar cuidado para não cair. Num trecho de mata fechada e cheia de raízes eu seguia no final do meu grupo e acabei sofrendo um pequeno acidente. Ao pisar ao lado de um galho enorme, meu pé afundou no barro e virou. Para não torcer o pé, fiz um movimento brusco virando o corpo rapidamente e nisso bati muito forte com a canela num galho. A pancada foi forte e senti muita dor. Soltei alguns palavrões e me sentei para olhar o estrago. No local da pancada tinha levantado um caroço e a dor era forte. Por alguns momentos achei que minha caminhada tinha terminado ali, que eu não conseguiria pôr o pé no chão por culpa da dor e teria que desistir de chegar ao PP. Meus olhos se encheram de lagrimas por culpa da dor e da decepção e quando vi o pessoal voltando para ver o que tinha acontecido comigo, segurei as lágrimas e contive a vontade de chorar. O Eduardo é médico e a Andy é dentista e os dois se encarregaram de ver o estrago em minha canela e logo a Andy me deu uma pomada para passar no local da pancada. Fiquei em pé e vi que mesmo sentindo muita dor dava para seguir em frente, o que me deixou bastante aliviado. Voltamos a caminhar, mas a dor ainda era forte e comecei a achar que não conseguiria chegar até o fim do dia caminhando. Logo fizemos uma parada em um pequeno córrego para pegar água e ali a Andy me deu um remédio para dor. Aproveitei para colocar uma mochila com água (que ali era bem fria) na canela e isso aliviou a dor quase por completo.

Na parada que fizemos no córrego aproveitei para comer um dos sanduiches naturais que faziam parte do kit lanche entregue pela Ana. O sanduiche era muito saboroso e ajudou a levantar meu animo que tinha ficado um pouco baixo após a canelada que dei um pouco antes. Voltamos a caminhar e não demorou muito para sairmos do trecho de mata fechada e chegarmos em um trecho mais aberto e termos a primeira visão do Pico Paraná. A visão era maravilhosa, pois mostrava a enorme montanha imponente em meio a algumas nuvens. Olhando dali parecia ser meio que impossível atingir seu cume. Fiquei pensando nos primeiros montanhistas que passaram por ali, abrindo caminho pela mata em busca da melhor rota que os levassem até o cume. Esses caras eram valentes e persistentes, pois se hoje em dia com a rota conhecida e demarcada, bem como a facilidade que alguns equipamentos modernos dão aos montanhistas não é muito fácil chegar ao cume do Pico Paraná, no passado devia ser muitas vezes mais difícil.

Depois de passar pelo trecho de mata aberta, que era quase que completamente formado por uma planta chamada caratuva (o mesmo nome da montanha próxima dali), caminhamos mais um pouco e chegamos ao acampamento número um (A1). Ali encontrei um pessoal de Londrina, que fazem parte do grupo de caminhadas Londrinape. Nesse grupo estava o Arnaldo, amigo de outras caminhadas pelo interior e também o Berti, que é guia de caminhadas na cidade de Faxinal, local famoso por suas cachoeiras. Conversei um pouco com o pessoal, tiramos fotos e logo retomamos a caminhada. Dessa vez a trilha era em descida, o que era menos cansativo, mas que exigia mais cuidado para não cair. Não demorou muito e chegamos a famosa “carrasqueira”, um paredão de rocha com escadinhas, que é considerado o trecho mais difícil para se chegar até o cume do Pico Paraná.

Com bastante cuidado meu grupo subiu a “carrasqueira”. A Ana foi a frente, seguida pela Andy. No meio da subida a alça da mochila da Andy rebentou e quase provoca um acidente. Por sorte foi somente um susto e conseguimos chegar são em salvos no alto da “carrasqueira”. Dali para frente a trilha era tranquila. Logo chegamos um algumas rochas enormes, próximas ao acampamento dois (A2). A Andy adora tirar fotos sentada em pedras e quando a Ana mostrou a ela uma pedra enorme, ela não se conteve e correu para tirar muitas fotos. Essa pedra acabou sendo batizada como “Pedra da Andy”. Após muitas fotos seguimos mais um pouco morro acima, até o A2, local onde montaríamos nosso acampamento. Lá nos esperava o Silvio, um cara digamos meio exótico, mas muito prestativo e gente finíssima. Ele é gerente de uma loja da Território Mountain Shopping, em Curitiba. Ele costuma dar suporte a algumas expedições promovidas pela Ana e nesse dia não foi diferente. Como ele chegou de manhã no A2, ele reservou o melhor lugar para que montássemos nossas barracas. Era uma pequena clareira, cercada por arbustos altos que protegiam do vento, que ali no alto costuma ser forte.

Foram montadas três barracas, com ajuda do Silvio e depois fizemos um lanche. A Ana falou pelo rádio com o pessoal do grupo que vinha mais atrás e as notícias não eram nada boas. O Gustavo tinha torcido o pé e ficaria acampado sozinho no A1. O restante do grupo seguiria ao nosso encontro no A2. Tínhamos levado seis horas para chegar até o A2. Segundo a Ana chegamos super rápidos, pois ela preverá que levaríamos de dez a doze horas para chegar ali. Então ficou a dúvida se partiríamos dali para o ataque ao cume, o que levaria mais uma hora morro acima, ou se esperaríamos o restante do grupo e faríamos o ataque ao cume todos juntos de madrugada. Acabou ficando decidido que esperaríamos os demais membros do grupo.

Eu, Ana e Andy, descemos até a “Pedra da Andy” e lá ficamos esperando o restante de nosso grupo. A Ana ficou em comunicação via rádio com o Gustavo, que ficou no A1. Enquanto esperávamos ficamos admirando a paisagem e tirando algumas fotos. Abaixo de nós existia um verdadeiro mar de nuvens, que ao mesmo tempo que não nos permitia admirar por completo a paisagem, era um espetáculo à parte. As nuvens se moviam com o vento, hora cobrindo parte de algumas montanhas menores que estava abaixo de nós, hora escondendo partes do cume do Pico Paraná, que estava acima de nós. O Pico Paraná fica numa região onde existe uma pequena cadeia de montanhas, sendo que ele é a maior montanha dessa cadeia. Então de onde estávamos era possível ver várias montanhas próximas, bem como o Conjunto Marumbi, bem mais distante dali, no meio da Serra do Mar.

Após um tempo de espera, a Ana resolveu descer até a “carrasqueira” para auxiliar o pessoal de nosso grupo quando eles lá chegassem. Eu e Andy ficamos na “Pedra da Andy” com o rádio. Logo a Andy resolveu explorar algumas pedras abaixo de onde estávamos e que ficavam a beira do abismo. Acabei indo atrás dela, em parte com receio de que ela pudesse se meter em encrenca e em parte por que ficar parado olhando a paisagem estava me dando sono. Sei que acabamos encontrando um local muito legal, uma espécie de janela entre as rochas e ali ficamos vendo a paisagem e tirando fotos. Comentei com ela que poucas pessoas deveriam ter estado naquele local antes de nós. E isso me atrai muito, estar em locais onde poucas pessoas colocaram o pé antes! Resolvemos parar com nossa pequena exploração no meio das pedras, com receio de encontrar alguma cobra e voltamos para o alto da “Pedra da Andy”. Tiramos mais algumas fotos e logo vimos a Ana chegando a frente do restante de nosso grupo.

Cumprimentamos o pessoal e eles pararam na “Pedra da Andy” para tirar fotos. Logo todos seguimos para o local onde estava montado nosso acampamento. A segunda parte do grupo, formado pelo Jorge, Maristela e Rodrigo, chegou no A2 duas horas e quinze minutos depois da chegada da primeira parte do grupo. Achei sensata a forma como a Ana conduziu a expedição, quando deixou que os dois grupos, que tinham preparo físico e velocidade diferentes, se separassem. Se ela mantivesse o grupo sempre junto, estaria fazendo o pessoal mais veloz ir lentamente, o que não seria legal, ou então faria que o grupo mais lento andasse num ritmo mais forte, o que poderia desgastar demais o pessoal. Tal divisão só foi possível graças ao grupo ter três guias. Mesmo com a contusão do Gustavo, foi possível manter os dois subgrupos com um guia cada, o que tornou a subida até o A2 bastante segura.

Antes de escurecer fui com a Ana e a Andy até um mina próxima buscar água. No caminho paramos na “Casa de Pedra”, que é a ruina de uma construção feita de pedras. Não sei o motivo da construção em tal local, nem sua datação e muito menos o motivo de estar em estado de abandono. Me ocorre que no momento não tive a curiosidade de perguntar isso a Ana ou alguma outra pessoa que estivesse pelas imediações. De lamentável é a quantidade de lixo deixado pelas imediações da Casa de Pedra. Parece que muita gente que sobe até o Pico Paraná, não tem nenhuma consciência ecológica e na descida resolve aliviar um pouco do peso da mochila, deixando no A2 muito lixo, bem como toalhas, mantas, pedaços de lona plástica e diversas garrafas pet. E como não existe nenhum tipo de controle por parte do IAP (Instituto Ambiental do Paraná) ou dos proprietários da Fazenda Pico Paraná (que cobram para permitir o acesso até o Pico), cada dia que passa vai ficando mais lixo acumulado. Infelizmente existe muita falta de educação por parte das pessoas, que costumam jogar lixo na rua e deixar lixo no alto de um morro. Lá não tem coleta de lixo, não existe caminhão de lixo passando toda semana.

O sol foi embora e a noite chegou com muito vento e frio. Fui para a barraca e lá tomei meu banho de gato, utilizando uma pequena toalha molhada e lenços umedecidos. Em seguida coloquei roupa limpa e me senti um novo homem. Não consigo ficar sem banho, não importa onde eu esteja! A Ana começou a preparar o jantar, cujo cardápio consistia de estrogonofe, arroz e purê de batata. A comida era liofilizada, que resumindo quer dizer que era um tipo de comida que foi desidratada e depois reidratada ao ser adicionada água quente nela. Durante o preparo da comida quase todos ficaram ao redor da Ana, vendo ela preparar o delicioso jantar e também ajudando. A ajuda consistia de ficar chacoalhando os envelopes com comida liofilizada após a Ana colocar água quente neles. O resultado foi muito bom, pois a comida ficou saborosa.

Após jantar fui escovar os dentes e achar um banheiro. Ventava muito e fazer as necessidades no meio do mato, com vento e escuridão não era das tarefas mais agradáveis. Mas em minhas aventuras já passei por situações mais difíceis ao ter que usar banheiros, então não tive grandes problemas. Antes de ir dormir fui dar uma volta e fiquei olhando o céu. O céu estava limpo e com muitas estrelas. Consegui até mesmo ver uma estrela cadente! Fiz um pedido a ela, mas até agora tal pedido não se realizou…

Encontrei a Ana pelo caminho e fomos nos juntar a Andy, Rodrigo e Maristela, que estavam do outro lado de nosso acampamento. Ficamos um tempo deitados no chão, conversando e vendo o céu estrelado. O frio aumentou e como estava muito cansado, achei melhor ir para a barraca. Eu dividiria a barraca com o Rodrigo. Me ajeitei dentro do saco de dormir e logo fiquei quentinho. Olhei no relógio e passava um pouquinho das 21 horas. Estava dormindo cedo para um sábado à noite, mas isso não importava. O que importava é que dali poucas horas eu estaria pisando no cume do Pico Paraná, realizando mais um sonho, mais um item da lista de realizações que formulei há pouco mais de três anos. ZZZZZZZZZZZzzzzzzz…

Com 1.877 metros de altitude, o Pico Paraná é a montanha mais alta da Região Sul do Brasil. Está situada entre o município de Antonina e Campina Grande do Sul, no conjunto de serra chamado Ibitiraquire. Foi descoberto pelo pesquisador alemão Reinhard Maack. Entre 1940 e 1941 Maack efetuou diversas incursões à Serra do Ibitiraquire com o objetivo de obter medições e anotações sobre a fauna e a geomorfologia da região. Maack juntamente com os alpinistas Rudolf Stamm e Alfred Mysing e com auxílio de tropeiros da região, partiu em 28/06/1941 com o objetivo de conquistar o cume da montanha. Stamm e Mysing conseguiram o intento em 13/07/1941.

Rodrigo, Andy, Vander, Ana, Eduardo, Gustavo, Maristela e Jorge.

Rodrigo, Andy, Vander, Ana, Eduardo, Gustavo, Maristela e Jorge.

Descanso no Getúlio.

Descanso no Getúlio.

Cruzamento de trilhas: Pico Paraná e Itapiroca.

Cruzamento de trilhas: Pico Paraná e Caratuva.

Subindo com ajuda da corda.

Subindo com ajuda da corda.

Primeira visão completa do Pico Paraná.

Primeira visão completa do Pico Paraná.

Com o pessoal de Londrina e Faxinal.

Com o pessoal de Londrina e Faxinal.

No meio das caratuvas.

No meio das caratuvas.

Subindo a carrasqueira.

Subindo a carrasqueira.

Na Pedra da Andy.

Na Pedra da Andy.

Acampamento.

Acampamento.

Observando a paisagem.

Observando a paisagem.

Lanche no A2.

Lanche no A2.

O Eduardo admirando a paisagem.

O Eduardo admirando a paisagem.

O jantar...

O jantar…

Vídeo sobre Huayna Potosi

“Sobreviver às adversidades da montanha requer respeito, equilíbrio e confiança.”  (Waldemar.Niclevicz)

O vídeo abaixo foi feito pelo Samuel Oscar e mostra um pouco dos três dias de expedição para atingir os 6.088 metros da montanha de Huayna Potosi, na Bolívia. Subi essa mesma montanha em junho de 2012 e através do vídeo que o Samuel fez, pude relembrar alguns dos momentos inesquecíveis e das dificuldades de tal escalada, bem como rever as belas paisagens que se avista do alto da montanha.

Livro: As Montanhas do Marumbi

Para aqueles que gostam de montanhas e principalmente para aqueles que conhecem as montanhas do Paraná, segue a dica de um livro que fala sobre o tema. O livro As Montanhas do Marumbi é muito bem escrito e possui belas fotos. Tenho o livro há pouco mais de três anos e através dele aprendi muitas coisas sobre um dos locais que mais gosto no Brasil.

Aos cinco anos de idade vi pela primeira vez as montanhas da Serra do Mar paranaense, ao descer de caminhão com meu pai pela BR-277, para descarregar uma carga de soja no porto de Paranaguá. Fiquei encantando ao ver as altas montanhas cobertas pela mata e fiquei me perguntando como seria estar no alto de uma montanha daquelas. Levei vinte e três anos para saber a resposta! Em novembro de 1998 cheguei pela primeira vez ao cume do Olimpo, no Marumbi. Na descida sofri uma queda e me ralei todo, tendo que ser socorrido pela enfermeira do trem, na volta à Curitiba. Mas isso não me assustou e acabei voltando muitas outras vezes a região e subindo outras vezes ao cume do Olimpo, bem como outras montanhas menores. Na região do Marumbi passei muitos momentos bons, tanto sozinho, quanto na companhia de amigos e de amores. Namorar dentro de uma barraquinha montada no camping do Marumbi, numa noite fria de inverno e ouvindo o apito do trem é uma experiência surreal e inesquecível.

As Montanhas do Marumbi, de Nelson Luiz Penteado Alves, o Farofa, é um dos livros mais importantes do Paraná lançados neste ano (2008). E pode figurar, com certeza, entre os melhores, mais ricos e bem fundamentados livros sobre o montanhismo de todo o planeta.

É uma obra exemplar, porque representa, diante da extensão da pesquisa histórica, da preciosa documentação fotográfica e do cuidado técnico-científico, o esforço, o ideal e o amor de várias gerações pela prática deste esporte. Foi nestas célebres montanhas paranaenses, com a primeira conquista liderada por um farmacêutico nascido na baía de Antonina, Joaquim Olympio “Carmeliano” de Miranda, em 21 de agosto de 1879, que nasceu o montanhismo brasileiro.

O livro é igualmente importante por revelar muitas qualidades da natureza humana, hoje cada vez mais escassas e difusas. Que podem se traduzir de muitas maneiras, mas, do modo marumbinista, pelo desafio da conquista, o prazer juvenil da aventura, o estímulo do espírito de irmandade e pelo respeito voluntário à natureza.

Não é por nada que Farofa levou 40 anos para escrever e publicar este livro. Na acepção da palavra, ele disseca as montanhas do Marumbi e sua história. Tudo com o entusiasmo do montanhista iniciante, o fôlego de um maratonista e a preocupação do professor catedrático. Sem deixar de ser espontâneo e didático e mediar os 12 capítulos com histórias alegres e as minúcias de um ourivesador.

Compartilha as conquistas, na escrita, com seus companheiros de jornadas e outros amantes do Marumbi e da exuberante natureza da Serra do Mar. Este olhar especializado, abordando áreas como geologia, clima, rios, orquídeas, samambaias, bromélias, mamíferos, aves, anfíbios e répteis, amplificam o livro, mostrando toda a riqueza deste fantástico microcosmo natural, hoje felizmente preservado como Parque Estadual Pico do Marumbi (1990), numa área de 2,3 mil hectares.

Figuras humanas de todo o tipo e de todas as classes sociais subiram o Marumbi. Mas, no momento de percorrer as trilhas, escalar os monumentais paredões de pedra, transpor a bruma e enfrentar o perigo e as intempéries, Farofa mostra que as diferenças tão complexas e peculiares de cada indivíduo tornam-se secundárias. Na busca dos desafios, dos mistérios da montanha e do desfrute da natureza, prevalece um objetivo muito acima das idiossincrasias humanas. Esta é uma grande lição deste livro.

Além do pioneiro “Carmeliano”, Farofa revela muitos personagens marcantes dessa história. Como Rudolfo Augusto Stamm (1910-1959), eletricista de profissão, natural de Joinville (SC), que viveu toda a sua vida num quarto da Pensão Otto, em Curitiba. Desde que pisou pela primeira vez na Serra do Mar, em 1935, este célebre montanhista parece que viveu só pelo Marumbi. Em 1950, completou a sua centésima escalada ao Olimpo, o pico mais alto.

As suas extraordinárias contribuições como desbravador e os registros precisos e abrangentes que deixou mostram que o gosto pelo desafio e o prazer de estar junto à natureza também revelam grandes homens.

Outro deles é Henrique Paulo Schmidlin, o Vitamina, que continua liderando empreitadas aos cumes da Serra do Mar, em dias de sol ou chuva, e emprestando o seu carisma e experiência para as causas marumbinista e da natureza.

Organizador dedicado de caminhadas na floresta e de escaladas na montanha, incentivador nato das boas companhias e cantorias, Vitamina, com sua energia e crença fervorosa nesse estilo de vida, é um exemplo emocionante da tão necessária preocupação com a ligação social e cultural entre as gerações do passado e do presente, pensando no futuro.

O trem! Seriam muito diferentes as montanhas do Marumbi sem esta incrível linha férrea, que desafiou a Serra do Mar. Obra de arte da engenharia da era do vapor, ponto privilegiado de visão e instigador de sonhos românticos e juvenis, o trem cativou milhares de adeptos para este esporte e lazer, ao apresentá-los às montanhas, na Estação do Marumbi, por muitos e muitos anos, nas alegres manhãs ensolaradas dos sábados.

Farofa consegue transmitir justamente este estado de espírito em seu trabalho, que até pode parecer um pouco nostálgico, mas é essencial para a alma humana, em todos os tempos. Suas fotos preciosas e mesmo o sintético registro histórico sobre o trem não deixam de ser eloqüentes. Quem sabe, sem a maria-fumaça, Alfredo Andersen (1860-1935) e outros pintores paranaenses com o gabarito de Theodoro de Bona (1904-1990) não tivessem eternizado as paisagens e as montanhas nos seus óleos sobre tela.

Neste aspecto, cabe uma menção muito especial ao lendário Erwin Gröger, o Professor, próximo de completar 100 anos de idade, que Farofa também dá o merecido destaque no livro. Marumbinista também pioneiro, o Professor tem se dedicado a pintar as cálidas montanhas do litoral paranaense há décadas, tanto em óleos como em aquarelas.

Apaixonado orquidófilo, é um mestre que registra principalmente em aquarelas estas belas e exóticas plantas. Erwin Gröger é uma dessas figuras raras que, pelo seu elevado espírito humano e simplicidade, é merecedor de grande admiração.

O paranaense Waldemar Niclevicz, o maior montanhista brasileiro, primeiro a levar a bandeira do Brasil aos sete cumes do mundo, é seguidor desta geração. Conquistou o Everest porque aprendeu com os mais antigos escaladores da Serra do Mar a sempre persistir.

Henrique Paulo Schmidlin, o Vitamina, aos 78 anos, diz: “o mais importante de tudo é que o Marumbi o ensinou a nunca desistir. Tanto na luta pela natureza como (e muito mais) pelas causas da justiça e da dignidade do ser humano”.

Nelson Luiz Penteado Alves deixou registrado, para todos nós, este e outros testemunhos históricos de muito valor.

Eduardo Sganzerla (Gazeta do Povo – 26/10/2008)

Livro: AS Montanhas do Marumbi

Livro: As Montanhas do Marumbi

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Mapa

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Marumbi

O chamado da montanha

Desde os primórdios os homens buscam o alto de uma montanha sem um motivo aparente. O que leva as pessoas às alturas de um pico? Superação da condição humana? Transcendência? Ou somente a sensação da conquista? Essas são questões tão antigas como a própria humanidade. A montanha sempre esteve presente no imaginário das pessoas em todas as civilizações, através da mitologia que fundamenta e guia a história dos povos. 

O Monte Olimpo era a residência dos deuses para os antigos gregos, e através da mitologia, influenciou diretamente toda a cultura ocidental.

No folclore japonês, as montanhas são sagradas e todas possuem uma atmosfera sobrenatural. O Monte Fuji, por exemplo, seria a passagem para o outro mundo. Na mitologia Taoista, os imortais iam viver no cume dos grandes montes. O Monte Roraima, sustenta a morada do Deus Macunaíma.

Onde existir um pico imponente, marcando a paisagem, foi, ou é, para alguns um lugar sagrado ou a morada de um deus.

O fato é que as montanhas causam no homem perplexidade diante de sua natureza descomunal. Instigam a percepção de seu tamanho, insignificante, ínfimo diante da grandeza do mundo e da natureza que o cerca. A montanha simboliza a ruptura entre os níveis, do racional para o imaginário que ilustra os sonhos. Faz a ligação entre o céu e a terra.

Para a filósofa Zelita Seabra, O amor à montanha, naqueles que o sentem, tem raízes profundas. O ritual de preparação, o ato da subida, a busca pela imensidão faz parte do íntimo de muitos indivíduos, que não se contentam apenas à contemplação. É um momento de introspecção, a viagem se interioriza. O sentimento de subir é indizível, o silêncio é rompido pela respiração ofegante. O cume se aproxima!

Por que o ser humano é tomado pela inquietude, por essa ânsia de buscar o encanto no desconhecido? O Escritor Jon Krakauer, cita as encenações grosseiras em filmes e metáforas banais ao que o tema se presta, no excelente livro “Sobre homens e Montanhas”. Lembra ainda a interpretação equivocada de alguns psicanalistas que nunca romperam os limites de um consultório.

A palavra “montanhismo”, na concepção do público contemporâneo, causa a mesma repulsa da ideia de estar diante de tubarões ou abelhas assassinas. Porém, o êxtase das alturas está ligada ao ser humano, incontestavelmente, como a experiência de algo sublime, que nos permite enxergar e sentir que fazemos parte de um todo muito maior, que nunca vamos compreender. 

Andre Dib

Vista do alto do Caratuva (Paraná, 2008)

Vista do alto do Caratuva (Paraná, 2008)

Pico Paraná (Paraná, 2009)

Pico Paraná (Paraná, 2009)

Conjunto Marumbi (Paraná, 2009)

Conjunto Marumbi (Paraná, 2009)

Visto do alto de Huayna Potosi (Bolívia, 2011)

Vista do alto do Huayna Potosi (Bolívia, 2012)

Salkantay (Peru, 2011)

Huayna Potosi (Bolívia, 2012)

Montanhas próximas a Machu Picchu (Peru, 2011)

Montanhas próximas à Machu Picchu (Peru, 2012)

Descendo Huayna Picchu (Peru, 2011)

Descendo Huayna Picchu (Peru, 2012)

Huayna Potosi

De todas as minhas aventuras, com certeza chegar ao cume de Huayna Potosi foi a mais desafiadora, difícil, perigosa e fria aventura. Quando desci de Hauyna Potosi jurei que nunca mais subiria outra montanha nevada. Mas menos de 24 horas depois de tal juramento já estava fazendo planos para subir outra montanha gelada. E se tudo der certo, ano que vem vou subir o Illimani (também na Bolívia) que é mais alta, mais desafiadora, mais difícil, mais perigosa e mais fria que Huayna Potosi. Acho que fui acometido pela famosa “febre da montanha”!

Huayna Potosi (Foto: André Dib)

Huayna Potosi (Foto: André Dib)

O amor à montanha

O amor à montanha, naqueles que o sentem, tem raízes profundas. O ritual de preparação, o ato da subida, a busca pela imensidão faz parte do íntimo de muitos indivíduos, que não se contentam apenas à contemplação. É um momento de introspecção, a viagem se interioriza. O sentimento de subir é indizível, o silêncio é rompido pela respiração ofegante. O cume se aproxima!

Zelita Seabra

No alto da montanha de Huayna Picchu. (Peru, maio/2012)

Montanhas próximas à La Paz. (Bolívia, junho/2012)

Parque Estadual do Marumbi

Todos nós temos nossos locais preferidos, seja um restaurante, um bar, um cinema, uma praça. No meu caso, um dos lugares que mais gosto no  mundo (e olha que conheci muitos lugares!!) é o Parque Estadual do Marumbi, uma cadeia de montanhas na Serra do Mar paranaense. A primeira vez que passei por esse lugar foi em 1989, de trem. E a primeira vez que coloquei os pés na região do Marumbi foi em 1995. A partir daí voltei várias vezes ao lugar e subi algumas vezes até o topo do Olimpo, que é um dos picos do conjunto Marumbi.

Acampei muitas vezes no camping próximo a Estação Marumbi, e passei ali a virada de ano de 1999 para 2000. Era a virada do milênio, todo mundo querendo festar e eu preferi me isolar e passei o réveillon sozinho no Marumbi, com muita chuva e frio. Foi um réveillon inesquecível em vários aspectos!

E além de meus momentos solitários no Marumbi, também tive momentos acompanhados por lá. Levei meu irmão e alguns amigos até o alto da montanha, com direito a muitas risadas e também alguns sustos. O Luis Cesar que o diga, pois ele quase morreu por lá!! E também levei alguns amores, com os quais passei momentos agradáveis e inesquecíveis tendo como testemunha o Marumbi. Mas sobre isso é melhor não contar aqui, pois esses amores hoje em dia estão casadas e são mães…

Atualmente vivendo no interior do Paraná, distante da Serra do Mar e das montanhas que tanto gosto, sinto falta de passar alguns momentos naquele lugar paradisíaco. Mas tenho certeza de que voltarei muitas vezes lá, pois quando gostamos de algo ou de alguém, sempre achamos um jeito de ficar perto do que gostamos.

Marumbi.

Estação Marumbi.

Sede do Parque Estadual do Marumbi.

Vander, tendo ao fundo o Marumbi.

IAP e ao fundo o Marumbi.

Estação Marumbi, vista do alto do Rochedinho.

Subindo o Rochedinho.

Mapa do Conjunto Marumbi.

Subindo o Olimpo.

Descansando na subida do Olimpo.

Camping do Marumbi.

Camping.

Fazendo almoço no camping.

Estação Marumbi.

Litorina chegando na Estação Marumbi.

Reveillon no Marumbi, 01/01/2000.

No alto do Olimpo, em 07/01/2001.

Grouse Mountain

A Grouse Mountain é uma das montanhas que ficam ao norte da cidade de Vancouver e a mais próxima da cidade. Ela tem pouco mais de 1.200 metros de altitude. Possui uma pequena área para esqui alpino e é um local bastante visitado, tanto no inverno para atividades na neve, quanto nos períodos sem neve. Para chegar ao seu topo existe um serviço de teleférico e uma trilha de quase três quilômetros, muito utilizada por quem gosta de caminhadas na mata.

Teleférico subindo a montanha.

Estação de esqui no alto da montanha.

Escultura de um urso grizzly.

No alto da montanha, após subir pela trilha.

Descendo a montanha de teleférico.

Grouse Grind Trail

Subi a Grouse Mourtain pela Grouse Grind Trail, uma trillha de 2,9 quilômetros que segue pelo meio da mata montanha acima. O grau de dificuldade da trilha não é dos maiores, mas é preciso ter um condicionamento físico razoável para percorrê-la. Ela é bastante utilizada por quem gosta de caminhadas na mata e cerca de cem mil pessoas a percorrem todos os anos. Logo no início da trilha existe uma placa alertando para tomar cuidado com ursos. Para quem não está acostumado é meio assustador. Pela proximidade com a cidade, a presença de ursos na trilha não é tão comum. Mesmo assim existe o risco de aparecer algum urso, então sempre procurei ficar próximo a outros caminhantes que estavam subindo a montanha, pois não tinha intenção de virar comida de urso. Não tive muita dificuldade em chegar até o topo e levei 1h02min para percorrer toda a trilha, o que é um bom tempo. Estava bem frio quando fiz a trilha, mesmo assim tirei minha blusa logo no início da caminhada, pois passei a sentir calor e a transpirar muito. O problema foi quando cheguei ao topo e minha camiseta estava molhada e a temperatura lá no alto era ainda mais fria. Desci a montanha utilizando o teleférico e pude observar a bela vista que se tem da cidade lá do alto.

Grouse Grind Trail.

Cuidado com os ursos.

Parte da trilha que tinha percorrido.

Grouse Grind Trail.

Momento de descanso e água.

Quase no final da trilha.

Sempre subindo.

Chegando ao fim da trilha.

Mount Seymour

O Mount Seymour é uma das montanhas que ficam na parte norte de Vancouver e que pode ser vista de quase todas as partes da cidade. Tem 1.449 metros de altura e nele funciona uma estação de esqui desde 1937. Por causa de seu fácil acesso rodoviário e estacionamentos amplos, Mount Seymour é muito utilizado como local de filmagem. Alguns filmes e séries de TV foram rodados em suas florestas e encostas nevadas. Os mais conhecidos foram a série Arquivo X e o filme Eclipse, da saga Crepúsculo.  Em dias de tempo bom a vista do alto do Mount Seymor é muito bonita e ampla, onde entre outras coisas é possível ver ao longe o Mount Baker, um vulcão ativo e com neve eterna em seu topo, que fica em território dos Estados Unidos a dezenas de quilômetros de distância.

A esquerda na foto o Mount Baker.

No alto do Mount Seymour.

Em Mount Seymour.

Morro do Anhangava

No sábado fui subir o Morro do Anhangava, que fica em Quatro Barras, na localidade de Borda do Campo, próximo ao Caminho do Itupava, na Região Metropolitana de Curitiba. Esse morro é o que fica mais perto de Curitiba e por essa razão é bastante freqüentado. Subi junto com duas novas amigas (Tatiana e Mônica) que conheci no posto do IAP, que fica no inicio da trilha que leva ao Anhangava e ao Caminho do Itupava. As duas sempre estão subindo morros e percorrendo outros caminhos na Serra do Mar. Coincidentemente a Tatiana mora perto de minha casa e é nascida em Campo Mourão. Interessante ir pra um lugar no meio do mato e conhecer uma pessoa que além de ser sua quase vizinha, também nasceu na mesma cidade que você.

O caminho até o cume é bem fácil e a única exceção é um paredão de rocha bem extenso, mas que possui degraus de ferro, o que facilita as coisas. Próximo ao cume existe um outro paredão não muito inclinado, mas que em caso de chuva se torna um pouco perigoso. Mas não era o caso, pois fazia sol e calor. Chegamos ao cume em pouco mais de uma hora, sem forçar. Ficamos um tempo lá em cima descansando, lanchamos e depois iniciamos a descida. Lá do cume se tem uma visão ampla, de quase 360 graus, de onde se vê Quatro Barras e Curitiba, o Pico Paraná bem ao longe e ainda mais distante o Pico do Marumbi.

Na descida ao chegarmos no paredão tinha um verdadeiro congestionamento, com muita gente subindo e descendo. Era preciso esperar, pois no paredão só passa uma pessoa por vez. Pouco mais abaixo encontramos um cara que tinha subido acompanhado de seu cachorro, um Labrador. Também vi algumas crianças na trilha, o que prova que o Anhangava é um dos morros mais fáceis de subir.

Mais uma vez cuidei do meu pé, pois ainda não sinto segurança após o sério problema que tive. O calor estava forte e consegui ficar sem água. Por sorte não demorou muito e encontramos um riacho onde foi possível beber uma água límpida e geladinha.

O nome Anhnagava é meio assustador, pois significa “morada do diabo” em tupi-guarani. Não se sabe quem foi a primeira pessoa que o escalou, mas no caminho tem uma Caverna com inscrições do século 18. Durante vários anos ele foi utilizado para uma romaria católica, onde foi criada uma espécie de “via crucis”, composta de 14 cruzes e que terminava numa capela no cume sul. Próximo ao cume ainda é possível ver na rocha alguns símbolos e dizeres religiosos. Nos anos 40 foram criadas as primeiras vias de escalada em rocha, o que transformou o Morro do Anhnagava na primeira escola paranaense de escalada. E graças a sua proximidade com Curitiba e seu fácil acesso, ele sem duvida é um dos morros paranaenses que mais vezes foi escalado. Possuindo 1.430 metros de altitude, é o ponto mais alto da Serra da Baitaca e também a entrada da Serra do Mar.

Encarando o paredão na subida.

Encarando o paredão na subida.

Descanso durante a subida.

Descanso durante a subida.

Vista do alto, descando e descida.

Vista do alto, descando e descida.

Na descida após congestionamento no paredão.

Na descida após congestionamento no paredão.

Em dois momentos: no cume e depois no final da trilha.

Em dois momentos: no cume e depois no final da trilha.

Itapiroca

Paulinha, Tati e Vander, iniciando a subida do Itapiroca. (01/03/2009)

Paulinha, Tati e Vander, iniciando a subida do Itapiroca. (01/03/2009)

Muita lama pelo caminho.

Muita lama pelo caminho.Foram pouco mais de três horas por um caminho difícil.

Quase no cume do Itapiroca, tendo ao fundo o Pico Paraná.

Quase no cume do Itapiroca, tendo ao fundo o Pico Paraná.

Vista do Pico Paraná, o ponto mais alto do Sul do Brasil.

Vista do Pico Paraná, o ponto mais alto do Sul do Brasil.

Pés embarreados e meia encardida.

Pés embarreados e meia encardida.