Caminhada na Natureza: Nova Tebas/Pr

Minhas experiências com caminhadas se limitavam as trilhas que fazia na Serra do Mar, próximo a Curitiba e as peregrinações pelo Caminho de Peabiru. Agora descobri que existe um circuito de caminhadas, organizado pela CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE CAMINHADAS. Eu desconhecia que caminhada é considerada um esporte e que existia até mesmo uma confederação. De qualquer forma resolvi aderir ao “esporte” e daqui pra frente vou ficar de olho no calendário de caminhadas organizadas pela confederação, que fazem parte de um projeto denominado Anda Brasil  (http://www.andabrasil.com.br/?q=panels/organization).

E minha primeira caminhada dentro do projeto Anda Brasil, aconteceu na cidade de Nova Tebas. Na verdade foi num local distante 23 km de Nova Tebas. A aventura iniciou antes da caminhada, pois chegar até o local chamado de Mil Alqueires, não foi nada fácil. Pensei que a caminhada sairia de Nova Tebas e cheguei na cidadezinha quase na hora prevista para o início da caminhada. Então tive a infelicidade de descobrir que o local da caminhada seria mais pra frente, e teria que seguir por uma estrada sem asfalto e numa região de serra. Após andar poucos quilômetros me perdi e quando já pensava em desistir e voltar pra casa passou por mim uma caminhonete do Corpo de Bombeiros. Pedi que parassem e numa rápida conversa descobri que estavam indo acompanhar a caminhada, denominada Caminhada na Natureza. Expliquei que estava meio perdido e não conhecia a região, e os bombeiros me pediram para seguí-los. Os segui por 20 quilômetros e foi uma grande aventura. Eles correram bastante e a estrada era ruim, levantava muita poeira e numa região de serra, com muitas subidas e alguns precipícios. Senti-me numa corrida de raly e em muitos momentos a adrenalina foi grande, pois em algumas curvas o carro ia de lado derrapando nas pedras e eu quase sem ver a estrada em razão da poeira. E pra piorar, na parte final tinha uma forte neblina e a combinação poeira+neblina significou visibilidade quase zero. Mesmo assim cheguei ileso ao local do início da caminhada e feliz com o perigoso e delicioso quase raly de que tinha participado.

Na comunidade Mil Alqueires existe uma igrejinha, um pequeno salão de festas e algumas poucas casas. O local era no alto de uma serra e a região era muito bonita. Fiz a inscrição que foi gratuita, ganhei um crachá que deveria ser carimbado em quatro pontos da caminhada e fui para o local de aquecimento. Acabei encontrando alguns conhecidos de Maringá, que tinham participado comigo da peregrinação pelo Caminho de Peabiru. Conversei um pouco com o pessoal e ás 09h00min iniciou a caminhada. Fui junto com o pessoal de Maringá, pois conversar durante a caminhada é mais gostoso e sempre tem alguém pra tirar fotos. Tinha muita gente participando, muitos adolescentes, todos da região. O percurso seria de 14 km, por uma região bastante acidentada e com muitas subidas fortes. Naquele momento fiquei pensando se aquele pessoal conseguiria chegar até o final. Mais tarde descobri que a maioria do pessoal pegou carona com dois ônibus que acompanharam a caminhada. Chamou-me a atenção um grupo da cidade de Pitanga, que chegou todo uniformizado e com muitas mulheres. Pensei que o pessoal caminhava sempre e que estava bem preparado. No final todo esse grupo subiu num ônibus, quando chegamos à subida mais íngreme e sob o sol do meio dia. Quando cheguei ao final do caminho (caminhando) todo esse grupo estava almoçando.

Os primeiros quilômetros da caminhada foram de descida, passando por estradas, plantações de soja recém plantadas, algumas fazendas e pelo meio do mato. A região é muito bonita e dava gosto caminhar por ela. No caminho fizemos uma parada num local chamado “Casa de Pedra”, que na verdade é uma gruta onde da pra entrar. Ainda pelo caminho paramos numa fazenda pra tomar limonada e seguimos em frente. Fizemos algumas paradas pra carimbar o crachá e pra tirar fotos. Caminhei quase o tempo todo com o Jair, Ieda, Rosangela, Ivanir, Miralva e Terezinha, todos de Maringá. Depois encontrei o Valterio, o Celso e os outros meninos de Maringá, que chegaram atrasados e caminharam no final da turma. Combinamos de nos encontrar em futuras caminhadas e talvez acampar ali mesmo nos Mil Alqueires.

A parte final da caminhada foi a mais difícil, onde descemos um morro muito íngreme. Paramos um tempo num rio, onde tinham duas pequenas cachoeiras. Numa delas dava pra ver alguns peixinhos tentando subir a cachoeira, fazendo a piracema, indo procriar no mesmo local onde nasceram. Após sairmos do rio pegamos a estrada e enfrentamos o trecho mais difícil, com uma subida sem fim, poeira e o sol do meio dia que estava mais quente que de costume. O último ponto de carimbo do crachá era no pé de um pequeno morro, onde no alto foi colocada uma luneta para se observar a bela vista da região. Não tive forças para subir o morro e olhar pela luneta, guardei minhas últimas energias para caminhar os dois quilômetros finais. Depois desse último ponto de carimbo, poucas pessoas seguiram caminhando, a maioria pegou carona nos ônibus da equipe de apoio. O numeroso grupo de Pitanga estava todo dentro de um ônibus e o líder do grupo desceu com um monte de crachás na mão e foi pegar os carimbos. Não achei aquilo certo, mas achei melhor ficar quieto. O trecho final segui com a Ieda e a Rosangela, literalmente comendo poeira. Chegamos ao mesmo local da partida, mas pelo outro lado, pois tínhamos caminhado em círculo. Estavam todos almoçando, pois além da caminhada estava acontecendo no local uma festa. Pelo que vi menos da metade do pessoal que iniciou a caminhada terminou a mesma caminhando. Cheguei arrebentado, mas feliz por ter superado mais um desafio e por não ter sentido minhas dores da hérnia de disco, sinal de que estou quase que totalmente curado.

Fui almoçar e me deparei com a comida fria e o refrigerante quente. Ou seja, quem caminhou realmente o trecho todo acabou sendo prejudicado e quem pegou caronas pelo caminho teve comida quente e refrigerante frio. Mas tudo bem, o importante é que cumpri a missão que tinha escolhido e minha consciência estava tranqüila, pois caminhei o trecho todo e isso para mim é o que vale. Não sou do tipo que faz algo pela metade e depois conta vantagem para os amigos dizendo que fez algo que na verdade não fez. Após almoçar me despedi dos amigos e peguei estrada. Daí se iniciou outra aventura, que foi a falta de gasolina. Eu tinha gasolina suficiente pra ir até Nova Tebas e voltar, mas não contava que teria que andar 56 km em estrada de chão além do que previa. Na volta a gasolina entrou na reserva e ao chegar a Nova Tebas descobri que na região os postos não abrem nos finais de semana. Ainda tentei ir à casa do dono de um posto de gasolina, que um morador me mostrou onde era, mas ele não estava em casa. Então eu tinha duas opções, ou ficava ali até não sei que hora esperando o dono do posto chegar em casa ou arriscava chegar ao posto aberto mais próximo dali, que ficava a quase 50 km. Pensei um pouco e resolvi arriscar, pois a estrada era de serra e quase toda de descidas, onde daria pra ir no embalo. Dei sorte e quando encontrei um posto aberto o carro estava começando a falhar. Mais um quilometro e eu ficaria parado na estrada com pane seca. No final das contas valeu a aventura toda. Foi um dia interessante, divertido, onde revi amigos, fiz novos amigos e superei mais uma meta em busca de minha total cura física e mental. Que venham outras caminhadas!!!

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Brincando de raly no meio da neblina.

Bela paisagem.

Início da caminhada.

Caminhando por dentro de uma fazenda.

Caminhando…

Parada para carimbar o crachá.

Na “Casa de Pedra”.

Ivanir, Jair, Ieda, Vander e Rosangela.

Chegando em mais uma fazenda.

Vander, Miralva, Rosangela, Ivanir, Terezinha, Ieda e Jair.

Ando devagar porque já tive pressa …

Uma das belas paisagens do caminho.

Eu e o grupo do Jair, que veio de Maringá.

No rio com os “meninos” de Maringá.

Festa na Comunidade Mil Alqueires.

Ainda sobre a Fest Comix

No período pós Fest Comix muitos sites, fóruns e blogs sobre quadrinhos publicaram textos sobre o evento. E no meio desse turbilhão de publicações acabei aparecendo numa foto na página principal do site Texbr (www.texbr.com) onde o Gervásio, coordenador do site, publicou algumas fotos que tirei no evento. E os textos sobre a Fest Comix e sobre o Civitelli que publiquei aqui no blog, foram adaptados para o português de Portugal e condensados num único texto, que foi publicado no Blog do Tex (http://texwillerblog.com/wordpress/), blog português coordenado pelo Zeca. Foi interessante ver os textos que escrevi publicados com algumas palavras diferentes, algo que foi necessário para que os amigos portugueses pudessem entender meus textos adequadamente.

Aproveito para agradecer ao Gervásio e ao Zeca pela publicação de fotos e textos gerados por mim e que fiquem a vontade para usar e abusar de todo conteúdo de textos e fotos existentes em meu blog, conteúdo que eles podem utilizar sempre que desejarem e nem precisam pedir autorização.

Meu texto adaptado e publicado no Blog de Tex em Portugal.

Aqui pareceço numa foto na página principal do site Texbr.

Fabio Civitelli

Na 17ª Fest Comix, Fábio Civitelli não se portou como uma “estrela” conhecida mundialmente, mas sim como fã de quadrinhos. Distribuindo sorrisos, simpatia, autógrafos e sempre disponível para tirar fotos, ele conquistou a todos os fãs de Tex e dos demais personagens Bonelli que estavam presentes na feira, além de leitores de outros tipos de quadrinhos. Civitelli é italiano de Lucignano, nascido em 9 de abril de 1955. Começou a trabalhar profissionalmente como ilustrador em 1974, na editora Studio Origa, desenhando a série Lady Lust. Em seguida trabalhou para a editora Edifumetto, desenhando Lo Scheleto, I Sanguinari e I Notturni para a Ediperiodici. Depois a seção Super Eroica para a Dardo. Após isso desenhou a série Karatex, Zanna Bianca e Zordon. No ano de 1977 trabalhou em Corrier Boy, L’Intrepido, Il Monello e Doctor Salomon. Para a editora Cenisio ele ilustrou Terror Blue e Furia. Fabio Civitelli chegou a ilustrar aventuras do Quarteto Fantástico e do Homem Aranha. Começou a trabalhar para a Bonelli Editore em 1979, desenhando o personagem Mister No. Em 1983 desenha Pomeriggio Cubano e a partir de 1985 passa a fazer parte do staff de Tex, onde permanece até hoje, sendo um de seus principais desenhistas.

Em sua passagem pelo Brasil, Fabio Civitelli teve como cicerones o editor Dorival Vitor Lopes, da Mythos Editora e José Carlos Francisco (Zeca), um português que é fã incondicional de Tex e que veio ao Brasil exclusivamente para acompanhar Fabio Civitelli e participar da 17ª Fest Comix. E aproveitando a presença de Fabio Civitelli no Brasil, a Mythos Editora promoveu dois lançamentos alusivos a essa visita. Foi lançado o livro “O Oeste Segundo Civitelli” e o “Especial Civitelli nº 1”. O especial tem 336 paginas, e traz a aventura “O Presságio”, que além de ser a história favorita de Civitelli, conta com seus desenhos e argumento. Já o livro “O Oeste Segundo Civitelli”, traz a cronologia de toda a obra de Fabio Civitelli, bem como traz a explicação e comentários do autor para as principais passagens de cada aventura de Tex que ele desenhou. Também mostra em detalhes pelo próprio autor sua elaborada técnica para desenhar e a quadrinhografia de tudo o que ele realizou durante sua carreira artística. E de bônus traz dezenas de ilustrações inéditas e 16 páginas em cores. Em formato grande, com 154 paginas e capa quase dura, vale á pena conhecer e ter essa obra em sua gibiteca.

Durante sua participação na Fest Comix, Fabio Civitelli distribui cópias de um desenho que mostra Tex e seu cavalo passeando tranquilamente pela avenida Paulista, em São Paulo. Devidamente autografado, esse desenho será uma bela recordação e um tesouro na coleção dos colecionadores e fãs de quadrinhos que estiveram visitando o “canto” da Mythos Editora durante a 17ª Fest Comix. 

Fabio Civitelli e seu livro.

Livro: O Oeste Segundo Civitelli

Tex caminhando na Avenida Paulista.

Vander e Fabio Civitelli.

Vander e Civitelli.

Livro autografado e com desenho feito pelo Civitelli.

17ª Fest Comix

Unindo o útil ao agradável, fui participar da 17º Fest Comix em São Paulo. Aproveitei que atualmente ás passagens aéreas estão mais baratas que ás de ônibus em alguns casos, que minha namorada mora em São Paulo e que muitos amigos (um do exterior inclusive) estariam presentes nessa feira de quadrinhos, resolvi arrumar a mala e viajar 700 km (80 km de carro e 620 km de avião) e ir participar da “Fest Comix”. E outro atrativo seria a presença do Fabio Civitelli, desenhista italiano de renome internacional que faz parte do staff da Bonelli Editore e desenha aventuras do Tex. A decisão de participar da feira foi muito acertada, pois foi um final de semana muito divertido, onde pude rever amigos que já conhecia e conhecer pessoalmente alguns amigos com quem me comunicava pela internet há oito, nove anos. A Andrea, minha namorada me acompanhou nos dois dias de feira e mesmo não entendendo e nem gostando muito de quadrinhos, acabou gostando da experiência e fez novos amigos e amigas.

Os amigos que já conhecia pessoalmente e pude rever foram: Felipe (Curitiba), Valdivino e seu filho Jhon Lucas (Curitiba), Gervásio (Sapucaia do Sul – RS), Maria Eddy (São Paulo), Zeca (Anadia – Portugal), Nilson Farinha (Jundiaí – SP), Julio Schneider (Curitiba), Dorival Vitor Lopes (São Paulo) e José Ricardo (Rio de Janeiro). E dos amigos que conhecia somente pela internet e dessa vez pude conhecer pessoalmente foram: Ary Canabarro, Neimar Capela e Jesus Nabor (todos do Rio Grande do Sul), Antonio Moreira (Niterói – RJ), GG Carsan (João Pessoa – PB), Levi Trindade (São Paulo), João Batista (Tatuí – SP) e também o Paulo César Lopes, Nei Souza, Elias, Filipe Ferreira e o Mário Latino. Também conheci o Marcos Maldonado, letrista de quadrinhos Bonelli desde que comecei minha coleção no inicio dos anos oitenta e sua simpática esposa, Dolores. E conheci o grande Fabio Civitelli, que se mostrou uma simpátia de pessoa e com quem até consegui conversar um pouco em italiano. Confesso que esqueci o nome de alguns outros colecionadores com quem tive contato na feira, mas era tanta gente que no tumulto alguma informação sempre se perde.

Quando cheguei na feira já estava acontecendo uma palestra com o Fabio Civitelli. Na mesa junto ao palestrante estavam o GG Carsan e o Zeca, que fazia ás vezes de tradutor, já que o avião do Julio, o tradutor oficial, atrasou. Ficou até engraçado ver um português traduzindo um italiano. Mesmo tendo engasgado algumas vezes o Zeca se saiu bem e já pode até negociar com o Dorival uma vaga de tradutor na Mythos Editora. A palestra foi muito bacana, o publico participou fazendo perguntas e o Fabio Civitelli foi atencioso nas respostas. Se não fosse o pessoal da organização do evento pedir para encerrar, pois tinha outro palestrante esperando a vez, a palestra com o Fabio seguiria tarde afora certamente. A feira teve três dias e participei somente dos dois últimos, mas mesmo assim valeu muito á pena e tomara que no futuro existam outras oportunidades de se reunir num mesmo local a mesma quantidade de amigos colecionadores de quadrinhos. Na noite do sábado pra encerrar o dia com chave de ouro fomos comer uma pizza. Aos todo estávamos em 12 pessoas, incluindo o Fabio Civitelli. Como o pessoal estava cansado e o dia seguinte seria longo para muitos, que inclusive iam viajar para suas casas, o papo a mesa da pizzaria não se prolongou muito, mas mesmo assim não deixou de ser um momento agradável e marcante.

Comparado a muitos amigos que estiveram presentes na Fest Comix, posso me considerar um privilegiado. Viajei uma hora de carro e mais uma hora de avião. Desembarquei em Congonhas, que é um aeroporto dentro de São Paulo. Minha namorada mora bem em frente ao aeroporto e além de ficar hospedado na casa dela, ela foi minha motorista exclusiva o tempo todo. Então perto de amigos que vieram de lugares bem mais distante do que eu, que tiveram gastos com hospedagem, que precisaram andar de ônibus e metrô sem conhecer a cidade direito e outros que desembarcaram no Aeroporto de Guarulhos ou em Viracopos e tiveram que viajar mais uma hora para chegar a São Paulo, meu “sacrifício” pra participar da Fest Comix foi “café pequeno”. Admiro o esforço e sacrifício desses amigos que passaram por dificuldades e tiveram altos gastos para estarem presentes na feira e que mesmo assim estavam muito entusiasmados e felizes de estarem presentes nesse evento que para os texianos de plantão será inesquecível.

Para  saber   mais  sobre a  17ª  Fest Comix   e  a  visita  de  Fabio Civitelli  ao  Brasil,  visite nos endereços abaixo  o  Portal Texbr,  coordenado pelo Gervásio e o Blog do Tex, coordenado pelo amigo português José Carlos Francisco (Zeca).

www.texbr.com

http://texwillerblog.com/wordpress/

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GG Carsan, Fabio Civitelli e Zeca.

Em Pé: Dorival Vitor Lopes, Nilson Farinha, Vander, Paulo, Neimar, GG e Adilson.  Agachados: Levi, Julio Schneider, Felipe, Zeca, Fabio Civitelli e Gervásio.

Nilson, Gervásio, Marcos Maldonado, Vander, Zeca e Julio.

Felipe, GG e Vander.

Julio, Civitelli e Vander na pizzaria.

Fazendo umas compras na feira.

José Ricardo e Civitelli.

Vander, Jhon Lucas, Valdivino e GG.

Pegando “mais um” autógrafo do Civitelli.

Puerto Iguazú – Argentina

Como último passeio pela região de  Foz do Iguaçu,  fomos passar um final  de tarde  em Puerto Iguazú, Argentina. Diferente da entrada no Paraguai onde não nos pediram documento algum ao sair do Brasil e ao entrar no Paraguai, entrar na Argentina foi um pouco mais complicado. Tivemos que apresentar documentos ao sair do Brasil e também ao entrar na Argentina. A Andrea já conhecia a Argentina, pois já esteve em Buenos Aires e outras cidades. De antemão avisei a ela que Puerto Iguazú era bem diferente da Argentina que ela conhecia. A cidade é pequena e meio sujinha. Já estive ali algumas vezes e sabia o que ia encontrar. Chegamos à cidade no final do dia e fomos fazer um passeio a pé pelo centro. Depois demos uma volta de carro e paramos fazer umas compras num supermercado. Com o real valendo R$ 2,15 para cada peso argentino, foi divertido ir ao supermercado. Compramos pouca coisa, na maioria produtos que não tem no Brasil ou que são mais caros por aqui. Consegui encontrar iogurte de doce de leite, algo que até hoje só vi na Argentina. Depois fizemos um lanche na saída da cidade e retornamos ao Brasil a noite.

História: Puerto Iguazú (Porto Iguaçu em português) é uma cidade da província de Misones e está localizada a 18 km das Cataratas do Iguaçu. Próxima a cidade fica a Ponte Internacional Tancredo Neves, inaugurada em 1985 e que liga o Brasil a Argentina. O turismo é a principal atividade econômica da cidade, já que o comércio e a hotelaria também são as principais fontes de renda. Nos últimos anos à cidade tem recebido um grande número de hoteis internacionais, os quais estão construindo suas edificações às margens do Rio Iguaçu. Alguns atrativos turísticos da cidade são as Cataratas do Iguaçu (lado argentino), Marco das Três Fronteiras, a feira artesanal localizada no mesmo, o complexo La Aripuca, o porto, o Museu de Imagens da selva, o Museu Mbororé, o Parque Natural Municipal Luis Honorio Rolón, o centro de reabilitação para aves Guira Oga e um cassino internacional (o qual forma parte de um hotel). A cidade possui um centro comercial nas cercanias da Ponte Internacional Tancredo Neves, o Duty Free Shop.

Puerto Iguazú.

No centro de Puerto Iguazú.

Itaipu Binacional

Outro  passeio   interessante   que  fizemos  na  região  de  Foz  do Iguaçu,   foi  visitar a  Itaipu Binacional. Já estive em Itaipu duas vezes, nos anos de 1985 e 1986. Dessa vez pude perceber que muita coisa mudou para melhor, que a represa está finalizada e que o passeio por ela agora é mais organizado e com ônibus próprio. Mesmo pagando ingresso, vale a pena fazer tal passeio. Após assistirmos um vídeo informativo sobre Itaipu, embarcamos num ônibus sem teto e fomos passear pela represa, fazendo paradas em pontos estratégicos. De frustrante foi constatar que o vertedouro não estava jorrando água. O vertedouro jorrando água é com certeza o fato mais bonito no passeio por Itaipu. O guia nos informou que o vertedouro jorra água somente durante dois meses por ano. Das duas vezes anteriores que estive ali estava jorrando água, então devo ter tido sorte. De qualquer forma o passeio valeu á pena. Mesmo sendo uma obra de engenharia sem fins turísticos, o passeio pelo local é interessante e tudo é bonito, limpo e organizado. 

História: Itaipu Binacional é a empresa que gerencia a maior usina hidrelétrica em funcionamento e em capacidade de geração de energia no mundo. É uma empresa binacional construída pelo Brasil e pelo Paraguai no rio Paraná, no trecho de fronteira entre os dois países, 15 km ao norte da Ponte da Amizade. O projeto vai de Foz do Iguaçu, no Brasil, e Ciudad del Este, no Paraguai, no sul, até Guaíra e Salto del Guairá, no norte. A capacidade instalada de geração da usina é de 14 GW, com 20 unidades geradoras fornecendo 700 MW cada. No ano de 2008, a usina geradora atingiu o seu recorde de produção, com 94,68 bilhões de quilowatts-hora (kWh), fornecendo 90% da energia consumida pelo Paraguai e 19% da energia consumida pelo Brasil.

A Usina de Itaipu é resultado de intensas negociações entre os dois países durante a década de 1960. Em 22 de julho de 1966, os ministros das Relações Exteriores do Brasil e do Paraguai, assinaram a “Ata do Iguaçu”, uma declaração conjunta de interesse mútuo para estudar o aproveitamento dos recursos hídricos dos dois países, no trecho do rio Paraná “desde e inclusive o Salto de Sete Quedas até a foz do Rio Iguaçu”. Em 1970, o consórcio formado pelas empresas PNC e ELC Electroconsult (da Itália) venceu a concorrência internacional para a realização dos estudos de viabilidade e para a elaboração do projeto da obra. O início do trabalho se deu em fevereiro de 1971. Em 26 de abril de 1973, Brasil e Paraguai assinaram o Tratado de Itaipu, instrumento legal para o aproveitamento hidrelétrico do rio Paraná pelos dois países. Em 17 de maio de 1974, foi criada a entidade binacional Itaipu, para gerenciar a construção da usina. O início efetivo das obras ocorreu em janeiro do ano seguinte. Um consórcio liderado pela construtora Mendes Júnior, executou o projeto. Para a construção foram usados 40 mil trabalhadores diretos. Para o material foi usado 12,57 milhões de m³ de concreto (o equivalente a 210 estádios do Maracanã) e uma quantidade de ferro equivalente a 380 Torres Eifell. Comparando a construção da hidrelétrica de Itaipu com o Eurotúnel (que liga França e Inglaterra sob o Canal da Mancha) foram utilizados 15 vezes mais concreto e o volume de escavações foi 8,5 vezes maior. No dia 14 de outubro de 1978 foi aberto o canal de desvio do rio Paraná, que permitiu secar um trecho do leito original do rio para ali ser construída a barragem principal, em concreto. O reservatório da usina começou a ser formado em 12 de outubro de 1982, quando foram concluídas as obras da barragem e as comportas do canal de desvio foram fechadas. Nesse período, as águas subiram 100 metros e chegaram às comportas do vertedouro às 10 horas do dia 27 de outubro, devido às chuvas fortes e enchentes que ocorreram na época. Em uma operação denominada Mymba Kuera (que em tupi-guarani quer dizer “pega-bicho”), durante a formação do reservatório, equipes do setor ambiental de Itaipu esforçaram-se em percorrer a maior parte da área que seria alagada para salvar centenas de exemplares de espécies de animais da região.

Quando a construção da barragem começou, cerca de 10.000 famílias que viviam às margens do rio Paraná foram desalojadas, a fim de abrir caminho para a represa. Muitas dessas famílias se refugiaram na cidade de Medianeira, uma cidade não muito longe da confluência dos rios Iguaçu e Paraná. Algumas dessas famílias vieram, eventualmente, a ser membros de um dos maiores movimentos sociais do Brasil, o MST. O espelho d’água da usina alagou diversas propriedades de moradores do extremo oeste do Estado do Paraná. As indenizações foram suficientes para que os agricultores comprassem novas terras no Brasil. Sendo as terras no Paraguai mais baratas, milhares emigraram para esse país, criando o fenômeno social dos brasiguaios – brasileiros e seus familiares que residem em terras paraguaias na fronteira com o Brasil.

Em 5 de maio de 1984, entrou em operação a primeira unidade geradora de Itaipu. As 20 unidades geradoras foram sendo instaladas ao ritmo de duas a três por ano. As duas últimas das 20 unidades de geração de energia elétrica começaram a funcionar entre setembro de 2006 e março 2007, elevando a capacidade instalada para 14.000 MW, concluindo a usina. Este aumento da capacidade permitiu que 18 unidades geradoras permaneçam funcionando o tempo todo, enquanto duas permanecem em manutenção. Devido a uma cláusula do tratado assinado entre Brasil, Paraguai e Argentina, o número máximo de unidades geradoras autorizadas a operar simultaneamente não pode ultrapassar 18. A potência nominal de cada unidade geradora (turbina e gerador) é de 700 MW. No entanto, porque diferença entre o nível do reservatório e o nível do rio ao pé da barragem que ocorre realmente é maior do que a projetada, a energia disponível for superior a 750 MW por meia hora para cada gerador. Cada turbina gera cerca de 700 megawatts, para comparação, toda a água das Cataratas do Iguaçu teria capacidade para alimentar somente dois geradores. A Itaipu produz uma média de 90 milhões de megawatts-hora (MWh) por ano. Com o aumento da capacidade e em condições favoráveis do rio Paraná (chuvas em níveis normais em toda a bacia) a geração poderá chegar a 100 milhões de MWh. Embora seja apenas o sétimo do Brasil em tamanho, o reservatório de Itaipu tem o maior aproveitamento em relação à área inundada. Para a potência instalada de 14.000 MW, foram alagados 1.350 quilômetros quadrados. Os reservatórios das usinas de Sobradinho, Tucuruí, Porto Primavera, Balbina, Serra da Mesa e Furnas são maiores do que o Itaipu, mas todos perdem na relação área inundada/capacidade instalada.

Vertedouro sem água.

Vertedouro sem água.

Mirante em Itaipu.

Vertedouro.

Barragem.

Desvio.

Ciudad del Este – Paraguai

Como estávamos em  Foz do Iguaçu, aproveitamos  para  atravessar  a fronteira e  fazer  umas comprinhas no Paraguai. A Andrea conhece muitos países, já esteve sete vezes nos Estados Unidos, mas ainda não conhecia o Paraguai. No fundo acho que ela morria de vontade de conhecer esse pais irmão. Eu, ao contrário já estive muitas vezes no Paraguai, não somente em Ciudad del Este, mas também em outras cidades mais adentro do pais. O Paraguai foi o primeiro pais que conheci fora do Brasil, então tenho um carinho especial por ele. Já Ciudad del Este apesar de ter crescido bastante desde a primeira vez que lá estive em 1985, continua feia, suja e tumultuada. Não pretendíamos fazer muitas compras e assim caminhamos tranquilamente por alguns shoppings. Já os vendedores e bancas de rua procuramos evitar, além do que era um saco andar pela rua devido á quantidade de pessoas que nos paravam para tentar vender algo. Detesto esse tipo de assédio, seja no Brasil, no Paraguai ou onde for. Fazia um calor de derreter e dessa forma era melhor ficar nos shoppings, com ar condicionado. De compras trouxemos alguns itens eletrônicos e nos divertimos em uma loja que vendia produtos alimentícios americanos e europeus. Saímos com a sacola cheia de chocolates, doce de leite e no meu caso manteiga de amendoim JIF, pela qual sou tarado. Passamos uma manhã no Paraguai e foi suficiente para nossas compras e para a Andrea conhecer um pouco do lugar. No fundo acho que foi pior do que ela esperava e com certeza ela deve preferir comprar produtos eletrônicos nas lojas de Miami. No regresso ao Brasil resolvemos aventurar e atravessar a Ponte da Amizade a pé. Já fiz isso muitas vezes, já a Andrea precisava passar por essa pequena aventura e pelo visto gostou da experiência.

História: Ciudad del Este (Cidade do Leste, em português) é um distrito do Paraguai, capital do departamento (estado) de Alto Paraná. Situada no extremo leste do país, a cidade foi fundada em 1957 com o nome de Puerto Flor de Lís. Anos depois foi renomeada de Puerto Stroessner no período da ditadura paraguaia, quando o presidente do Paraguai era o general Alfredo Stroessner. Ganhou o nome atual após a queda do regime ditatorial do general Stroessner. A cidade faz parte de um triângulo internacional conhecido na região como Tríplice Fronteira, que envolve também Foz do Iguaçu, no Brasil, e Puerto Iguazú, na província (estado) de Misiones, Argentina. As três cidades são separadas uma das outras pelo Rio Paraná e pelo Rio Iguaçu. Ciudad del Este é responsável por metade do PIB paraguaio; é a terceira maior zona de comércio franca do mundo (após Miami e Hong Kong), cujos clientes na maioria são brasileiros atraídos pelos baixos preços dos produtos vendidos na cidade. Com pouco mais de 320 mil habitantes, Ciudad del Este é a segunda cidade mais populosa do Paraguai.

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Nas ruas sujas da cidade.

Andrea no trânsito caótico da cidade.

Descansando num shoping.

Atravessando a Ponte da Amizade.

Cataratas do Iguaçu

Aproveitando a vinda da  Andrea  ao Paraná  para participar  da Peregrinação  pelo Caminho de Peabiru, demos uma esticada até Foz do Iguaçu. Foi uma grande oportunidade para ela conhecer ás Cataratas do Iguaçu, que era algo que ela tinha vontade de fazer a muito tempo. Demos sorte e nossa visita ao Parque Nacional do Iguaçu foi num dia de sol, calor e com o volume de água nas cataratas muito alto, o que deixava o lugar ainda mais bonito. A Andrea adorou o passeio. Ela que já conhecia as Cataratas do Niágara, achou ás Cataratas do Iguaçu mais bonitas. Passamos uma tarde caminhando pelo parque, curtindo e tirando fotos das cataratas. Eu já tinha visitado o Parque Nacional do Iguaçu outras vezes, mas já fazia alguns anos que não ia lá. Dessa vez me surpreendeu de forma positiva a organização e cuidado com o local.   

História: O Parque Nacional do Iguaçu foi criado em 10 de janeiro de 1939. Tombado em 1986 pela UNESCO como Patrimônio Natural da Humanidade, o parque abrange uma área protegida de 185.000 ha. de mata atlântica de interior. É uma das maiores reservas florestais do sul do Brasil e um dos últimos locais de proteção ambiental do Estado do Paraná.

No ano de 1542, o espanhol Alvar Nuñez Cabeza de Vaca, nomeado Governador do Paraguai, seguia viagem rumo à cidade de Assunção, quando se deparou com a grandiosidade das Cataratas do Iguaçu. Ele foi o primeiro europeu a conhecer a região, onde na época viviam apenas os índios tupi-guaranis. No ano de 1876, o engenheiro André Rebouças faz a primeira proposta ao Imperador D. Pedro II sobre a criação do Parque Nacional. Em 1916, Santos Dumont, ao conhecer as Cataratas do Rio Iguaçu, ficou tão impressionado com a sua beleza que pressionou com o seu prestígio o então governador do Paraná, Afonso Camargo, para que ali fosse criado um Parque Nacional. O local que era então propriedade particular é declarado local de interesse público. Em 1930, foi ampliada a área desapropriada em 1916, para criar o Parque Nacional do Iguaçu.

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Ônibus para entrar no parque.

Cataratas do Iguaçu.

Chuvisco bom pra refrescar.

Borboleta.

Cataratas do Iguaçu.

Algumas fotos curiosas da Peregrinação pelo Caminho de Peabiru 2010

Abaixo seguem algumas fotos curiosas dessa última peregrinação pelo Caminho de Peabiru.

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Pequeno índio fumando cachimbo.

Tênis da Andrea abrindo o bico.

Pierin e sua boca melada.

Andrea e seus pés sujos.

Andrea e suas pernas queimadas.

Curativo para seguir caminhando.

No meio do caminho tinha um ninho...

Falecimento de um tênis.

Cumprimentando o Santo.

Sombra e água fresca.

Cachorro tomando banho.

Soninho...

Sonão...

1ª Peregrinação da Rota Simbólica e Autônoma do Caminho de Peabiru (Parte II)

Acordamos ás 06h30min. Fazia um pouco de frio e não foi fácil sair da barraca e levantar acampamento para seguir a caminhada. Se no dia anterior tínhamos feito praticamente metade do caminho num dia, dessa vez teríamos que fazer a outra metade em apenas meio dia de caminhada. Meus pés estavam um bagaço, cheio de bolhas e fiquei com receio de não conseguir terminar a caminhada. Resolvi deixar o tênis de caminhada de lado e caminhar nesse dia com um tênis de nylon. A Andrea estava toda ardida e suas pernas muito queimadas. Mesmo assim estava animada e decidiu usar uma calça para não aumentar as queimaduras. Segundo ela, ia caminhar até onde ela ou seu tênis aguentassem. Eu, mesmo com os pés cheios de bolhas, estava decidido a ir até o fim.

Tomamos café e enquanto o pessoal fazia alongamento fiquei fazendo curativos nos meus pés. Pouco antes das 8h00min iniciamos a caminhada, sob sol mas com um vento frio que prometia ser quente conforme o dia fosse passando. Fui caminhando junto com a Andrea e logo nos alcançou o Prof. José Pochapski, atual Vereador e ex-Prefeito de Campo Mourão. Conversamos um pouco e quando contei a ele que era neto da Dona Polônia, a conversa ficou ainda mais animada. Ele e minha avó nasceram na mesma colônia de poloneses, perto da cidade de Prudentópolis – Pr. A manhã foi avançando e seguíamos nossa caminhada por uma paisagem muito bonita. Começamos a descer por uma estrada pavimentada, de asfalto ruim, mas era melhor que caminhar nas pedras soltas. A tal descida não tinha fim e isso era meio assustador, pois sempre após uma longa descida vem uma subida maior ainda. A estrada terminava numa ponte de madeira sobre o Rio da Várzea e após o rio a subida não tinha fim. O sol estava ficando cada vez mais quente e as pernas mais pesadas, mas seguimos firmes em frente, hora conversando com um caminhante, hora com outro. Os carros de apoio sempre passando por nós com água gelada e frutas. Alguns caminhantes que não aguentava mais caminhar iam pegando carona com os carros de apoio. Outros caminhantes pegavam carona nos trechos de subida e caminhavam nos trechos mais fáceis. Na metade da grande subida após o rio, o tênis da Andrea abriu o bico de vez e ela teve que desistir da caminhada e pegou carona num carro de apoio. Eu segui em frente sozinho e aumentei o ritmo. Caminhei sozinho por quase uma hora até que encontrei a Zilma e a Carmen, que tinham acabado de descer do carro de apoio e seguiam mais um trecho caminhando. Conversamos um pouco, paramos tirar fotos e logo chegamos a Comunidade Boa Esperança. Há muitos anos esse lugar se chamava Fazenda Boa Esperança e tive uma namorada no colégio que morava nesse local. Estive ali uma vez numa festa e após 23 anos estava de volta e pude constatar que quase nada mudou. A Carmen desistiu de caminhar e foi pegar carona. Eu e Zilma seguimos caminhando juntos e conversando. Ela é uma grande amiga e companheira de outras caminhadas. Meus pés doíam cada vez mais e tive que mudar a forma de pisar, evitando forçar os dedos dos pés.

A Zilma logo desistiu e pegou carona num carro de apoio. Eu segui sozinho e sentia que minha meta de terminar a peregrinação caminhando sem nunca pegar carona ou desistir, estava cada vez mais próxima. Terminar a peregrinação foi à primeira meta que coloquei ainda no inicio de abril, quando mal podia caminhar em razão da hérnia de disco. Após consulta com um especialista de coluna que não recomendou cirurgia para meu caso, fui fazer tratamento com acupuntura e eletrochoques. A médica que me atendeu disse que eu levaria uns seis meses para ficar bom. Isso se me dedicasse e seguisse a risca o tratamento. Quando ela falou seis meses, mentalmente fiz as contas e vi que faltavam seis meses para a próxima peregrinação pelo Caminho de Peabiru. Então fiz uma promessa para mim mesmo, de que ia me dedicar ao maximo ao tratamento, aguentar as dores e que em outubro ia conseguir caminhar todo o trecho do Caminho de Peabiru. Os meses seguintes a essa promessa foram muito difíceis, senti muita dor, chorei muitas vezes e em muitos momentos pensei que nunca ia ficar curado. Várias vezes pensei em desistir de tudo, mas com o apoio da família, de amigos e principalmente graças a minha fé em Deus, consegui forças para seguir em frente e sofrer todas as dores e chorar todas ás lágrimas que foram necessárias para eu me curar. Enquanto caminhava os últimos quilômetros sob um sol escaldante, fui lembrando de cada momento dos últimos seis meses e de todo o sofrimento que passei. Somente eu e Deus sabemos o que passei e o quanto foi difícil superar, mas consegui e ali estava quase terminando a meta estipulada seis meses antes. Era a primeira meta de muitas que estipulei, visando encontrar forças para não desistir e seguir a risca o tratamento. No trecho final comecei a orar agradecendo a Deus, pois mais uma vez estávamos eu e Ele sozinhos. Ele me dando forças pra não desistir e seguir em frente independente das dores terríveis que sentia nos pés por culpa das várias bolhas. Logo ás lagrimas começaram a rolar e depois de vários meses me senti curado das dores físicas e psicológicas que me atormentaram nos últimos meses. Após muitos meses, pela primeira vez eu me sentia plenamente feliz e via que a vida vale a pena, independente dos momentos ruins e complicados que muitas vezes passamos, e que desistir da vida não é solução. Percebi numa estrada empoeirada, no meio do nada, sob um sol escaldante do meio dia, que a escolha que fiz meses antes, de viver e seguir em frente, foi a escolha correta e que daqui pra frente depois de tudo que passei, sofri, chorei e principalmente aprendi, nada e ninguém vai me segurar, vai me impedir de realizar meus sonhos, por mais tolos que possam parecer para muitos. Nesses últimos meses por muitas vezes Deus se mostrou para mim e me ajudou a superar as dificuldades e seguir em frente. Posso dizer que renasci nos últimos meses, que agora sou uma pessoa melhor, mais completa, ainda cheia de defeitos, mas uma pessoas melhor. E foi entre lágrimas, orações, dores, gratidão e alegria, que após virar uma curva vi o final da caminhada. Foram quase 50 km de caminhada em um dia e meio. Para quem alguns meses antes mal conseguia caminhar três metros da cama até o banheiro, caminhar 50 km era uma das vitórias mais importantes de minha vida. É difícil descrever o que senti naquele momento. Acredito não existir palavras para expressar a alegria que invadiu meu coração naquele instante em que cheguei ao fim da caminhada e cumpri a primeira meta que tracei meses antes, em busca de minha cura física e mental. Foi traçar metas, planejar a realização de tais metas e me dedicar a ficar curado para realizar essas metas, o que me deu forças para sair do mais completo abismo de tristeza, culpa e incerteza e dar a volta por cima, me reencontrar novamente na vida e ser feliz. Essa peregrinação será inesquecível para mim, pois ela foi cheia de significados.

A caminhada terminou na Comunidade do Boi Cotó. Muita gente já estava lá esperando o almoço ou então na bela cachoeira ao lado. Encontrei a Andrea e fomos caminhar por dentro da água do rio. Eu estava arrebentado fisicamente, com os pés cheio de bolhas, com a meia tendo marcas de sangue, mas nenhuma dor poderia tirar de mim a sensação de dever cumprido e a felicidade de ter chegado ao fim. Logo foi servido o almoço, um delicioso “Porco no Tacho”, que dessa vez comi sem medo de ficar empanturrado. Depois do almoço fomos descansar debaixo de umas árvores e no meio da tarde embarcamos no ônibus que nos levaria embora. A viagem de retorno foi tranqüila e silenciosa, pois todos estavam exaustos. Pelo caminho de volta pude ver o quanto era longo e difícil o trecho que tinha caminhado naquela manhã. Paramos no Barreiro das Frutas pegar nossas mochilas e fomos para Peabiru. Descemos do ônibus bem no centro da cidade, na praça da Matriz e foi ali mesmo que aconteceram as despedidas. A Andrea gostou do programa de índio. Fez muitos amigos e além das pernas queimadas pelo sol, do tênis arrebentado, das bolhas nos pés, das picadas de butuca, ela levou para São Paulo um casal de carrapatos. Isso ela ia descobrir alguns dias depois quando os bichinhos começaram a coçar. O irônico disso é que nasci na região, sempre vivi em matos e nunca peguei carrapato algum. Ela era a primeira vez que visitava o interior do Paraná e já foi vitima de carrapatos. Talvez o sangue azul dela seja mais saboroso que meu sangue de plebeu…

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Descida sem fim.

Estrada sem fim…

Sol escaldante.

Vander, Zilma e Carmen.

Comunidade Boa Esperança.

Siga a seta pra não se perder.

Cachoeira do Boi Cotó.

Hora do almoço.

Prof. Pochapski, Andrea e Vander.

Descanso para pés cansados.

Parte do trecho que caminhámos.

1ª Peregrinação da Rota Simbólica e Autônoma do Caminho de Peabiru (Parte I)

Antecedendo a 1ª Peregrinação da Rota Simbólica e Autônoma do Caminho de Peabiru, já haviam sido realizadas 10 peregrinações para mapeamento e estudos da rota, paralelas aos trabalhos de pesquisas nos últimos seis anos. Dessas 10, participei de quatro e estava ali para minha quinta participação consecutiva. O evento começou na sexta-feira a noite na Câmera de Vereadores da cidade de Peabiru. Autoridades locais e da cidade vizinha de Campo Mourão estavam presentes, bem como peregrinos de várias cidades e também índios da aldeia de Cornélio Procópio e Laranjinhas (norte do Paraná, próximo a divisa com o estado de São Paulo). Pude rever amigos de outras caminhadas, o que é sempre muito bom e divertido. Após o Simpósio que teve apresentação de danças e canções indígenas, foi servido um coquetel e em seguida todos se deslocaram para uma escola ao lado da Catedral para pernoitar. Dessa vez estava acompanhado pela Andrea, minha namorada. Ela uma paulistana da Zona Sul, de sangue azul, não estava nada acostumada com programas de índio (literalmente nesse caso) iguais a esse e que eu adoro. Mas chegou animada para o evento e mal sabia das roubadas que enfrentaria.

Na manhã do sábado após o café da manhã e uma sessão de alongamento e aquecimento, iniciou a caminhada/peregrinação. Após caminharmos pelo centro da cidade de Peabiru, fomos seguindo em direção a periferia da cidade e não demorou muito para chegarmos numa plantação de trigo recém colhida e uma estrada de terra. Depois de uma pequena descida iniciou uma grande subida que serviu para por a prova o preparo físico dos caminhantes. Quase no final dessa subida passamos por um local onde no passado existiu um famoso puteiro na região, conhecido como “Pinheirinho”. Esse local era formado por várias casas onde não faltavam mulheres e bebida e ás vezes tiros e facadas. Próximo ao local foi colocado um dos muitos marcos do Caminho de Peabiru e nesse marco está escrito que ali foi “ponto de encontro de viajantes em busca de diversão”. Quem não conhecia o local ou a história do mesmo, acabou não entendendo o tipo de “diversão” que o pessoal procurava ali. A caminhada seguiu e logo tivemos que atravessar um pedaço de mato e passar por uma pinguela. Muitos dos caminhantes nunca tinham visto uma pinguela e no caso da Andrea ela nem sabia o que isso significava. Como era uma pinguela dupla a travessia foi tranqüila. Mais um pouco caminhando pelo meio do mato e logo saímos numa estradinha e em seguida passamos por uma Olaria abandonada. Esse trecho que estávamos percorrendo é da antiga estrada que ligava as cidades de Peabiru e Campo Mourão. Hoje existe uma moderna estrada asfaltada bem próximo de onde estávamos e vez ou outra víamos os carros passando na estrada. Alguns índios seguiram caminhando próximos a nós, mas não foi possível um contato mais aprofundado, pois nas tentativas que fizemos os índios se mostraram fechados e de poucos amigos. Então brancos e índios seguiram caminhando lado a lado, mas sem conversarem.

Após uns dez quilômetros de caminhada saímos na estrada asfaltada e fomos seguindo ao lado da pista até chegar num bairro de Campo Mourão, onde existe uma capela. Nesse local por volta de 1903 foi construída uma pequena capela de pedras, pelos viajantes que por ali passavam. O pessoal viajava milhares de quilômetros no meio do mato, fugindo de onça e quando ali chegava parava para agradecer por terem sobrevivido á viagem. Nesse local foi colocada uma cruz de madeira que anos mais tarde se queimou com o fogo de velas que eram depositadas ali. Foi colocada uma nova cruz que anos depois foi parcialmente queimada também por velas e que ainda hoje existe ali na nova capela que foi construída há poucos anos no mesmo local da anterior. Após uma breve parada na capela do Jardim Santa Cruz, seguimos a pé por dentro da cidade de Campo Mourão. No caminho passamos pelo Parque de Exposições da cidade, onde acontece anualmente a Festa do Carneiro no Buraco. Também passamos pela Estação Ecológica do Cerrado de Campo Mourão. Ali existe uma reserva original de cerrado, a mais austral do mundo e que ano passado foi tema de reportagem do programa Globo Repórter. Após mais um trecho de caminhada dentro da cidade chegamos ao local do almoço, uma associação de funcionários de uma empresa. O detalhe é que esse local fica bem perto da casa de meus pais. O almoço foi um farto e saboroso Arroz Carreteiro. Controlei-me para não comer muito, mas a fome era tanta que acabei exagerando. Após um breve descanso seguimos nosso caminho. O sol estava muito quente e com a barriga cheia, não era nada fácil caminhar. Mas não dava pra parar e minha meta desde o inicio era fazer todo o caminho sem parar ou pegar carona, era uma meta pessoal que eu pretendia cumprir a qualquer preço.

Após andar por estradas secundárias e próximo a uma mata, saímos numa estrada asfaltada e caminhamos um tempo a sua margem. Então entramos numa estradinha de chão e víamos a estradinha seguir longe, sem fim. O sol cada vez mais quente. Quanto mais nos afastávamos da cidade mais percebíamos que a paisagem ia mudando. Começamos a entrar numa região de serra, com muitas subidas e uma vista muito bonita. O tênis da Andrea tinha literalmente aberto o bico na parte da manhã e mesmo com o conserto que o Pierin fez com uma fita crepe, ás vezes ela tinha que parar para reforçar o remendo. Some-se a isso algumas queimaduras de sol que ela teve na parte posterior da perna, onde não passou protetor solar e a Andrea resolveu desistir naquele dia, pegando carona num dos carros de apoio. Pra quem não está acostumada a caminhar tanto e num terreno ruim e sob sol, achei que a Andrea foi bem mais longe do que eu imaginava e acredito que ela também. Continuei minha caminhada e dois quilômetros depois cheguei a Comunidade do Barreiro das Frutas, o local de nosso pernoite. Eram 16h30min e fiquei surpreso em terminar tão cedo a caminhada naquele dia A exemplo de outros anos, imaginei que a caminhada fosse terminar no inicio da noite. De qualquer forma foi bom parar ali, pois algumas bolhas no pé estavam me incomodando. Fazia vários meses que eu estava meio inativo, sem caminhar muito em razão da hérnia de disco que tive, então era natural sentir dores nas pernas e ter algumas bolhas. Mais tarde pude constatar que ás bolhas eram em quantidade bem maior do que eu supunha.

Após descansar, tomar banho e bater papo com o pessoal, chegou à hora da janta. Serviram-nos uma suculenta galinhada, além de arroz, mandioca e vários tipos de salada. Enquanto comíamos chegaram dois sanfoneiros e mais uns cantores e a cantoria começou. Eu estava exausto e não tive vontade de permanecer muito tempo ouvindo musica ou dançando. Fui com a Andrea dar uma olhada na fogueira que tinham acabado de acender e pouco depois das 21h00min fomos dormir na barraca que foi montada no campo de futebol. Lembro que de madrugada levantei para fazer xixi e fazia muito frio. Mesmo assim fiquei um tempo olhando o céu e a quantidade infinita de estrelas que eram visíveis. Daí lembrei que anos antes aquele local era cheio de onças. Então resolvi voltar pra dentro da barraca, pois vai que sobrou alguma onça perdida por ali.

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Na sexta-feira a noite, Simpósio em Peabiru.

Marco no local do antigo puteiro.

Pelo mato.

Antiga Olaria.

Pierin consertando o tênis da Andrea.

Parada na sombra do viaduto.

Na Capela do Santa Cruz, parte da antiga cruz queimada.

Futuros “churrascos”.

Estrada, poeira e sol…

Caminhando na sombra.

Carro de apoio.

Acampamento na Comunidade do Barreiro das Frutas.

Suculenta galinhada no jantar.

Fogueira para clarear a noite.

Pedalando novamente

O final da tarde de hoje foi especial, pois após um longo tempo voltei a pedalar. Desde o último dia 7 de fevereiro eu não pedalava, por culpa da séria hérnia de disco que tive. A pedalada de hoje foi mais pra matar a vontade e desenferrujar um pouco. Foram 8 km de asfalto, sem subidas íngremes. Para mim esses 8 km tiveram um significado enorme, pois só eu sei o quanto esperei esse momento de poder voltar a pedalar livre, leve e solto por aí. No período mais grave da hérnia quando eu mal conseguia caminhar alguns metros, por muitas vezes me sentei em frente á bike louco de vontade de sair dar umas voltas com ela e não podia. Eu de certa forma conversava com a bike e perguntava a ela quando ficaria bom e poderíamos fazer nossos passeios. E hoje esse dia tão aguardado chegou. O engraçado é que já faz três semanas que montei a bike e a deixei pronta pra ser usada, mas ia adiando o momento de colocá-la em uso. Não sei explicar a razão, mas de certa forma eu receava sair com ela e sentir dores, então fui adiando ao maximo o momento de tirar a prova real de que realmente estava bem o suficiente para pedalar sem sentir dores. Isso aconteceu hoje de forma natural e me deixou muito feliz. Daqui pra frente outros passeios virão, cada vez mais longos e algumas viagens também. O pior já passou, as dores fazem parte do passado, o tratamento tem dado resultado e daqui pra frente será somente alegria e milhares de quilômetros para pedalar.  Iupiii!!!!

Minha velha companheira...

Por que chamam a cidade de Aparecida, de Aparecida do Norte

Mês passado postei no Blog sobre uma visita que fiz ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida – SP. E nessa postagem mencionei que muitas pessoas chamam a cidade de forma errada, como Aparecida do Norte. Então abaixo segue a explicação do porque da cidade ser chamada por muitos pelo nome errado.

Muitos romeiros chamam a cidade de “Aparecida” pelo nome de “Aparecida do Norte”. É comum ainda verificarmos em algumas publicações, referências à cidade com a expressão “do Norte”. Segundo a escritora Zilda Ribeiro, em seu livro “História de Nossa Senhora da Conceição Aparecida e de seus escolhidos”, durante muito tempo o povo nomeou a terra da Padroeira como Aparecida, seu verdadeiro nome. Mais tarde passaram a chamá-la de “Capela de Aparecida”.  Com a inauguração da estrada de ferro, os devotos passaram a viajar de trem. E embarcavam na Estação do Norte, em São Paulo. E diziam que seu destino era Aparecida da Estação do Norte. Com o passar dos anos, por um processo linguístico coletivo, chamado braquilogia, eliminaram a palavra “Estação” restando Aparecida do Norte. Ainda hoje, muitos anos depois, passeando pelos corredores do Santuário Nacional ou pelas ruas da cidade de Aparecida, ouvimos romeiros chamarem por “Aparecida do Norte”, sendo o verdadeiro nome da cidade Aparecida, sem o Norte. 

Santuário Nacional de Aparecida.

Roubada

Essa foi uma grande roubada! Em uma avenida movimentada de São Paulo, em plena subida, em horário de rush, o carro tem uma pane elétrica e para de repente. Tivemos que descer e empurrar, com muita gente olhando torto para nós e outros rindo de nossa situação. Felizmente tinha uma entrada de loja perto e conseguimos com certa facilidade tirar o carro do meio do trânsito. Depois o conserto foi fácil. Ainda bem!!!

Empurrar...

Pane elétrica.

Nos aeroportos da vida – IV

Outro que encontrei num aeroporto rescentemente foi o Ricardinho, pentacampeão do mundo com a Seleção Brasileira em 2002 e que atualmente joga no Atlético Mineiro. Ele já jogou no meu Corinthians, onde conseguiu títulos e deixou saudades. Comentei com ele que trabalhei no Colégio Medianeira em Curitiba, onde ele estudou e sua mãe foi professora durante vários anos. Quando mencionei isso ele se interessou pelo assunto e conversamos durante alguns minutos. Cara simpático e bom caráter.

Com Ricardinho.

Falecimento do Padre Raimundo

Com pesar e profunda tristeza, a Direção do Colégio Medianeira comunica o falecimento de nosso querido ex-diretor Pe. Raimundo Kröth aos 68 anos de idade e 47 de Companhia de Jesus. Ele morreu ontem (domingo), às 22h, na Casa de Saúde dos Jesuítas, em São Leopoldo, RS, vítima de câncer. O corpo está sendo velado no Santuário Coração de Jesus, junto à Casa de Saúde. Às 16h30, haverá uma missa de corpo presente e o enterro será em seguida no Cemitério dos Jesuítas, junto ao Santuário do Pe. Reus, em São Leopoldo.

O Pe. Raimundo dirigiu o Colégio Medianeira por duas vezes. De 1975 a junho de 1986, dedicou-se ao Colégio Medianeira, assumindo diversos encargos como Professor, Orientador espiritual, Superior da comunidade religiosa, Diretor geral. De 2000 a 2007, assumiu novamente a Direção geral do Colégio. Foi o responsável por mudanças estruturais estratégicas e pelo Planejamento Estratégico, realizado entre 2006 e 2007, que garantiu novos rumos e objetivos para a instituição até 2012, com o compromisso de constante atualização. De personalidade forte, visionária, reflexiva e analítica, Pe. Raimundo Kröth foi diretor, educador, amigo e conselheiro dos educadores do Colégio Medianeira. Para ele, dirigir um colégio da Companhia de Jesus era mais que uma tarefa ou um desafio, era uma missão de vida e um compromisso com os paradigmas da educação jesuíta. “Geralmente, onde há uma escola dos jesuítas, é uma escola academicamente boa, já pelo valor que as ciências têm, nessa visão de Santo Inácio, da maior glória de Deus, de que o toque de Deus está presente em tudo aquilo que o ser humano pode descobrir ou inventar para beneficiar a raça humana”, afirmou Pe. Raimundo em uma entrevista publicada no número zero da Revista Mediação. Exigente, discreto, espirituoso e bem-humorado, o Pe. Raimundo tinha a busca da excelência como meta e cultivava a autonomia e a liberdade como essenciais para a sobrevivência dos homens e das instituições, sem, no entanto perder de vista os votos feitos durante a vida religiosa, principalmente o da fidelidade à Companhia. 

Foram 47 anos de dedicação inquestionável. Sua fama de visionário o levou nos dois últimos anos ao Colégio Santo Inácio, de Fortaleza, no qual chegou como diretor. Recebeu uma instituição em dificuldades e tratou logo de promover mudanças e parcerias ousadas que modificaram em pouco tempo a perspectiva da obra. Lá, em dezembro de 2009, passou a ter problemas de saúde. Descobriu então se tratar de um câncer. Vislumbrando os dias que viriam, entregou a direção do Colégio e mudou-se para a Casa de Saúde dos Jesuítas, em São Leopoldo, onde, resignado, permaneceu. 

Seus pais, já falecidos, vieram da Alemanha e os irmãos vivem em Santa Catarina. Pe. Raimundo era graduado em Filosofia, Pedagogia e Teologia e pós-graduado em Pedagogia Inaciana. Veio de um lugar “um pouquinho além de Chapecó”, em Santa Catarina, Saudade. É este o sentimento que nos toma e que ficará sempre que nos lembrarmos e falarmos do Pe. Raimundo.

Direção

Colégio Medianeira

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Nos aeroportos da vida – III

Quem encontrei essa semana no aeroporto de Salvador, foi nada menos que o ex-técnico do meu Corinthians e atual técnico da Seleção Brasileira de Futebol, Mano Menezes. Ele estava sentadinho, quietinho num banco e ninguém tinha notado ele. Daí um cara que estava ao meu lado o reconheceu e me mostrou. Daí não teve jeito, tinha que dar uma de tiete. Ele foi bem simpático. Outras pessoas o viram tirando a foto e o reconheceram. Mas mesmo assim ele permaneceu a maior parte do tempo despercebido. Estando ainda novo no cargo, o povão em geral não o reconhece na rua. Mas com o tempo ele vai ficando mais famoso e conhecido e logo não terá sossego por onde passar.

Com Mano Menezes.

Pelourinho

O único  passeio em  Salvador que  vale ser mencionado numa postagem própria,  foi a visita ao Pelourinho. O Pelourinho é um bairro da cidade, que fica localizado no centro Histórico e que possui um conjunto arquitetônico colonial (barroco português) preservado e integrante do Patrimônio Histórico da Unesco. Chegamos bem cedo, quando não tinha quase ninguém na rua e pudemos passear tranquilamente pelo local. Quer dizer, quase tranquilamente, pois pelo caminho encontramos alguns elementos que nos olhavam com cara estranha, e dava um certo receio de ser assaltado ali, pois estava tudo deserto. (E Polícia que é bom não vimos ali, só vimos depois chutando mendigos e cacchorrros em outro local.). O conjunto do lugar é bonito, com construções antigas e na maioria preservadas. Para um cara como eu que é apaixonado por história e construções antigas, o lugar poderia ser o paraíso. Mas não é, pois tem muitas construções degradadas, mal cuidadas. E a sujeira e o cheiro do lugar eram terríveis. Foi mais uma decepção que a cidade de Salvador me deu.

HISTÓRIA: A história do bairro está intimamente ligada à história da própria cidade, fundada em 1549 por Tomé de Sousa, primeiro governador-geral do Brasil, que escolheu o lugar onde se localiza o Pelourinho por sua localização estratégica – no alto, próximo ao porto e da região comercial e com uma barreira natural constituída por uma elevação abrupta do terreno, verdadeira muralha de até 90 metros de altura por 15 km de extensão – facilitando a defesa da cidade. Era um bairro eminentemente residencial, onde se concentravam as melhores moradias, até o início do século XX. A partir da década de 1960, o Pelourinho sofreu um forte processo de degradação, com a modernização da cidade e a transferência de atividades econômicas para outras regiões da capital baiana, o que tranformou a região do Centro Histórico em um antro de prostituição e marginalidade. Somente a partir da década de 1980 (com o reconhecimento do casario como patrimônio da humanidade pela Unesco) e da década de 1990 (com a revitalização da região) é que o Pelourinho transformou-se no que é hoje: um centro de “efervescência” cultural. Nas últimas décadas, o Pelourinho passou a atrair artistas de todos os gêneros: cinema, música, pintura, tornando-o um importante centro cultural de Salvador.

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Pelourinho.

Pelourinho.

Passeio matinal pelo Pelourinho.

Pelourinho.

Pelourinho.

Pelourinho.

Pelourinho.

Pelourinho.

Pelourinho.

Olha o Pelourinho!

Salvador

Nosso passeio por  Salvador foi rápido.  O único  que  já conhecia a  cidade  era o Wagner e  ele tinha  nos alertado de que Salvador não era tudo aquilo que falam, que íamos nos decepcionar. E ele estava certo, foi opinião geral de que a cidade não merece a fama que tem. A cidade é suja e tem muita coisa feia, decadente, mal preservada. Talvez no passado a cidade tenha sido bonita, mas pelo que vimos atualmente deixa muito a desejar. Foi uma grande decepção. 

Visitamos os principais pontos turísticos da cidade e passamos por quase toda a orla marítima que banha a cidade. Em alguns pontos principais fizemos uma parada mais longa pra conhecer e tirar fotos. A cidade possui muitas construções históricas, mas boa parte está degradada, caindo aos pedaços. Vimos alguns casarões e prédios históricos desabados, numa mostra de que o poder público local tem outras preocupações, que não é preservar o patrimônio histórico e cultural de uma das cidades mais antigas do Brasil. 

Na visita ao Elevador Lacerda, descemos da Cidade Alta para a Cidade Baixa e ao sairmos do elevador presenciamos uma cena vergonhosa. Dois Policias Militares estavam acordando um morador de rua aos berros e chutes. O PM machão tentou chutar até mesmo o cachorro do morador de rua, mas o cachorro foi mais esperto do que ele. A cena que presenciamos foi o típico abuso de poder e covardia. Duvido que os policiais tenham a mesma coragem e macheza pra enfrentar bandidos. Até brincamos com o Pity, que estava de chinelo e com uma bermuda verde alface, de que era pra ele tomar cuidado, pois senão os PMs iam confundi-lo com um morador de rua e ele ia levar uns chutes. A região próxima ao Elevador Lacerda, tanto na Cidade Baixa quanto na Cidade Alta é de uma sujeira total, lixo por todo o chão e um cheiro horrível. Resumindo, a decepção foi tanta com a cidade, que até antecipamos o fim de nosso passeio. Conheço quase todas as capitais do Nordeste e até agora Salvador foi a pior delas. Pra lá não volto mais!

HISTÓRIA: Salvador foi a primeira capital do Brasil. A região antes mesmo de ser fundada a cidade, já era habitada desde o naufrágio de um navio francês, em 1510, de cuja tripulação fazia parte Diogo Álvares, o famoso Caramuru. Em 1534, foi fundada a capela em louvor a Nossa Senhora da Graça, porque ali viviam Diogo Álvares e sua esposa, Catarina Paraguaçu. Em 1536, chegou à região o primeiro donatário, Francisco Pereira Coutinho, que recebeu capitania hereditária de El-Rei Dom João III. Fundou o Arraial do Pereira, nas imediações onde hoje está a Ladeira da Barra. Esse arraial, doze anos depois, na época da fundação da cidade, foi chamado de Vila Velha. Os índios não gostavam de Pereira Coutinho por causa de sua crueldade e arrogância no trato. Por isso, aconteceram diversas revoltas indígenas enquanto ele esteve na vila. Uma delas obrigou-o a refugiar-se em Porto Seguro com Diogo Álvares; na volta, já na Baia de todos os Santos, enfrentando forte tormenta, o barco, à deriva, chegou à praia de Itaparica. Nessa, os índios fizeram-no prisioneiro, mas deram liberdade a Caramuru. Francisco Pereira Coutinho foi retalhado e servido numa festa antropofágica.

Em 29 de março de 1549 chegam, pela Ponta do Padrão, Tomé de Sousa e comitiva, em seis embarcações: três naus, duas caravelas e um bergantim, com ordens do rei de Portugal de fundar uma cidade-fortaleza chamada do São Salvador. Nasce assim a cidade de Salvador: já cidade, já capital, sem nunca ter sido província. Todos os donatários das capitanias hereditárias eram submetidos à autoridade do primeiro governador-geral do Brasil, Tomé de Sousa. Com o governador vieram nas embarcações mais de mil pessoas. Trezentas e vinte nomeadas e recebendo salários; entre eles o primeiro médico nomeado para o Brasil por um prazo de três anos: Dr. Jorge Valadares; e o farmacêutico Diogo de Castro, seiscentos militares, degredados, e fidalgos, além dos primeiros padres jesuítas no Brasil, como Manuel de Nóbrega, João Aspilcueta Navarro e Leonardo Nunes, entre outros. As mulheres eram poucas, o que fez com que os portugueses radicados no Brasil, mais tarde, solicitassem ao Reino o envio de noivas. Após Tomé de Sousa, Duarte da Costa foi o governador-geral do Brasil, chegou a 13 de julho de 1553, trazendo 260 pessoas, entre elas o filho Álvaro, jesuítas como José de Anchieta, e dezenas de órfãs para servirem de esposas para os colonos. Mem de Sá, terceiro governador-geral, que governou até 1572, também contribuiu com uma grande administração. A cidade foi invadida pelos holandeses em 1598, 1624-1625 e 1638. O açucar, no século XVII, já era o produto mais exportado pela colônia. No final deste século a Bahia se torna a maior província exportadora de açúcar. Nesta época, os limites da cidade iam da freguesia de Santo Antônio Além do Carmo até a freguesia de São Pedro Velho. A Cidade do São Salvador da Bahia de Todos os Santos foi a capital, e sede da administração colonial do Brasil até 1763.

Elevador Lacerda (Cidade Alta).

Sidne, Wagner, Pity, Maico e Vander.

Sidne, Wagner, Pity, Maico e Vander.

Elevador Lacerda, na parte alta da cidade.

Os PMs covardes, chutando mendigos e cachorros.

Elevador Lacerda visto da parte baixa da cidade.

Mercado Modelo.

Prédios antigos que desabaram.

Momento de descanso.

Parte da orla da cidade.

Farol da Barra.

Wagner descansando no aeroporto de Salvador.