Revendo amigos

Sábado teve “Louvorzão da Jidu”, lá no Uberaba. Apesar do frio, da chuva fina e de estar meio gripado, acabei indo e foi muito bom. Revi muitos amigos, alguns com os quais não falava há muito tempo. E também tive um papo legal com a sobrinha da minha amiga Carmen, a qual conheci na barriga de sua mãe (Agnes) e que agora já está com 12 anos. O tempo passa, o tempo voa… e acho que estou ficando velho.

Com Carmen e sua sobrinha. (27/06/2009)

Com Carmen e sua sobrinha. (27/06/2009)

Com Alcimar e Sonia. (27/06/2009)

Com Alcimar e Sonia. (27/06/2009)

Vale Tudo: Tim Maia

vale_tudo_tim_maiaNunca fui fã do Tim Maia, e de suas musicas gostava de uma ou outra. Mas semana passada, num vôo para Porto Alegre, tinha um cara do meu lado lendo o livro que o Nelson Motta escreveu sobre o Tim. Acabei ficando curioso com relação ao livro, pois tempos atrás li um livro sobre o Roberto Carlos (que depois teve sua comercialização proibida) e no livro achei interessante saber dos bastidores, de como surgiam as idéias para a composição das musicas e etc.

 No avião acabei dando umas olhadas de lado e vi que o livro sobre o Tim Maia seguia o mesmo rumo do livro do Roberto Carlos. Ontem consegui o livro do Tim e comecei a ler. O livro é bom e fui lendo, lendo e lendo,  que quando dei por mim já tinha lido quase a metade de suas 392 paginas. Gosto muito de ler e quando tenho em mãos um livro bom, não sossego até chegar ao final. Hoje como está frio, chovendo e estou meio “pesteado”, o programa da noite vai ser ficar na cama, debaixo do edredom, comendo chocolate e lendo o livro sobre o Tim Maia, de preferência até chegar ao final.

Almoço no “Caminho do Vinho”

Domingo fui almoçar em um restaurante lá no “Caminho do Vinho”. Esse caminho é um roteiro turístico voltado a gastronomia. Essa é a quarta vez que fui para aqueles lados e mais uma vez valeu a pena. Almoçamos no mesmo restaurante das outras vezes, “Fruto da Terra”, com direito a comida caseira italiana, feita no fogão a lenha. É uma delicia e me acabei de tanto comer. Em frente ao restaurante existe um lago com pedalinhos e um belo gramado cheio de árvores. É um lugar bonito, feito para relaxar.

Quem ainda não conhece o “Caminho do Vinho”, fica a dica para conhecer. Para maiores informações, dica de restaurantes e mapa com a localização, acessar: http://www.sjp.pr.gov.br/caminhodovinho/

Restaurante "Fruto da Terra". (21/06/2009)

Restaurante "Fruto da Terra". (21/06/2009)

Nevoeiro

Ontem a noite estava tudo branco, graças a um forte nevoeiro. E hoje amanheceu com nevoeiro também, que só se dissipou após ás 09h00min. Até que estava bonito, mas isso gera muitos contratempos. O trânsito fica mais perigoso em razão da baixa visibilidade e o aeroporto ficou fechado durante algumas horas. Mas como hoje não andei nem de carro e nem de avião, para mim o “espetáculo” foi bonito.

O nevoeiro visto de minha janela no domingo a noite. (21/06/2009)

O nevoeiro visto de minha janela no domingo a noite. (21/06/2009)

O nevoeiro visto de minha janela na segunda pela manhã. (22/06/2009)

O nevoeiro visto de minha janela na segunda pela manhã. (22/06/2009)

Webjet

Na última segunda-feira, final de tarde, fui para Porto Alegre com mais quatro companheiros de trabalho, para participar de um treinamento. Pela primeira vez viajei pela Webjet, empresa aérea que é relativamente nova e opera com aeronaves Boeing 737. Creio que todas as aeronaves foram compradas da antiga Varig e possuem um bom tempo de uso. Estava meio receoso por isso e para piorar, acho que embarcamos no pior avião da Webjet. Por fora o avião é bonito, pintura nova e tal, mas por dentro estava bastante judiado. A decoração meio gasta e encardida, as poltronas desbotadas e bastante antigas. E pra piorar ainda mais fomos no fundão, onde chacoalha mais e pegamos bastante turbulência. Passamos a ouvir ruídos diversos e estranhos, num nhec nhec que no inicio deu medo e depois virou motivo de piada. Teve um momento em que do fundo vinha um barulho que parecia uma buzina e brincamos  que era um avião da Tam querendo ultrapassar.

No fim entre chacoalhadas, nhec nhec e risadas para disfarçar o nervosismo, pousamos sãos e salvos em Porto Alegre. O retorno para Curitiba na quinta-feira a noite, também foi de Webjet e dessa vez o avião era mais bem conservado, o clima ajudou, não teve turbulência e como estávamos sentados na parte da frente, não ouvimos nenhum ruído estranho. Então acho que vale a pena dar um voto de confiança a Webjet e voar novamente por ela, pois a tarifa é baixa e os funcionários são atenciosos. Apenas precisam renovar um pouco a frota e se possível consertar (eliminar) os ruídos, pois a nove mil metros de altura eles são bastante assustadores.

Boeing 737 da Webjet.

Boeing 737 da Webjet.

No aeroporto de Porto Alegre, aguardando voo da Webjet para Curitiba. (18/06/2009)

No aeroporto de Porto Alegre, aguardando voo para Curitiba. (18/06/2009)

Férias 2009 – Viagem ao Chile (Parte IV)

Nosso último dia no Chile amanheceu com o tempo fechado e um pouco de chuva. Levantamos bem cedo para terminar de arrumar as malas e fomos tomar café, os quatro juntos. O local onde é servido o café é na cobertura do hotel, com vidros para todo lado. Com o tempo nublado e chuva, mais ás várias árvores que não lembro o nome, mas que tem folhas iguais as do bandeira do Canadá, o ambiente estava meio “europeu”. Após o café a intenção era de sair comprar os últimos presentes e no meu caso, mais chocolates. Mas logo fizemos uma descoberta nada boa, de que o comércio só abre após as dez da manhã. Nem mesmo a padaria que ficava em frente ao hotel estava aberta. Então o jeito foi deixar pra comprar os últimos presentes no aeroporto, pagando bem mais caro.

Fechamos a conta no hotel por volta das 09h30min e seguimos rumo ao aeroporto. Lá chegando fomos fazer o chekin e depois demos uma volta para fazer algumas compras e também para matar o tempo, pois ainda faltavam duas horas para nosso vôo. Depois de um tempo fui com o W@gner até o estacionamento devolver o carro e retornamos para nosso passeio pelo aeroporto. O Luis Cesar estava meio mal, com dores diversas. Até chegou a comprar um termômetro e brincamos com ele de que tinha pego a gripe suína. Ao meio dia entramos na sala de embarque, visitamos o Duty Free para ver as coisas á venda e logo fomos para nosso avião.

Embarcamos no mesmo 777 da vinda, o que garantia uma viagem confortável. Quando entramos na aeronave, ao passarmos pela classe executiva, vi o Xororó, da dupla Chitãozinho e Xororó e sua esposa (mãe da Sandy). Mostrei para o Luis Cesar, que mostrou para o W@gner e o Maico. Então fomos os quatro dar uma de tietes e pedimos para tirar foto com ele. Ele foi bastante simpático e disse que sim. Como o pessoal estava embarcando e não queríamos atrapalhar, tentamos ser rápidos na tietagem. Após algumas fotos nos despedimos e fomos para nossos Lugares. Depois descobrimos que na foto do W@gner, por culpa da pressa, ele ficou com metade da testa cortada na foto, o que gerou protestos. O Maico ficou reclamando que nem tinha conversado ou “tocado” no Xororó. Lógico que tiramos o maior sarro, pois o tal “tocado” não caiu bem.

Nossos lugares eram juntos novamente, só que dessa vez o Maico e o W@gner atrás, junto com uma oriental e eu e Luiz Cesar na frente sozinhos. O Luiz Cesar estava cada vez pior e cheguei a temer que realmente estivesse com a tal da gripe suína. No momento da decolagem ele ficou ainda pior e coloquei próximo a ele alguns saquinhos para vômito, que felizmente não foram necessários. O tempo estava todo fechado e foi assim durante toda a viagem, o que nos impediu de ver novamente a Cordilheira do Andes pelo alto. De vez em quando o Luiz Cesar pegava seu termômetro e media a temperatura. Esse processo era escondido, pois se algum comissário de bordo visse poderia implicar com ele e mandar que ele passasse pela vigilância sanitária no desembarque em São Paulo.

O vôo foi tranqüilo, consegui ver um filme e dessa vez não dormi. O almoço estava bom e fiz um “escambo” com o Luiz Cesar, que continuava enjoado. Em troca de um pãozinho mordido ele me deu sua salada, sobremesa e metade do seu frango. Acho que fiz um bom negócio.

Pelo monitor constatamos que esse Air Bus 777-300, voa mais veloz do que os outros aviões com os quais estávamos acostumados. Ele passou dos mil por hora, o que chega a ser um pouco assustador. Chegamos em São Paulo no final da tarde e fomos fazer os tramites burocráticos e passar pela alfândega. Tudo transcorreu tranquilamente, pois não trazíamos mercadorias fora do valor estabelecido por lei. Tentei mudar meu vôo para Curitiba que estava marcado para 22h30min, mas após enfrentar um fila vagarosa acabei perdendo o vôo da 18h30min da Tam e o jeito foi esperar até tarde da noite. Os meninos iam para Londrina quase no mesmo horário que o meu vôo, então passeamos um pouco pelo aeroporto, lanchamos e depois fomos sentar numa mesa, onde o Wagner aproveitou para organizar todas as fotos que nos quatro tiramos durante a viagem.

Nosso vôo chegou quase no mesmo horário que um vôo da Tam que vinha de Miami e que teve problemas com turbulência, sofrendo uma queda de altitude, onde alguns passageiros se machucaram. Deve ter sido uma experiência pouco agradável, pela qual espero nunca passar. Logo chegou meu horário de embarcar e os meninos me acompanharam até o portão de embarque, onde nos despedimos. Tinham sido dias intensos e agradáveis que passamos juntos, onde no futuro sempre estaremos lembrando de alguns momentos quando nos encontramos.

Na viagem até Curitiba, do meu lado foram sentados dois comissários de bordo da Tam. Um deles tinha conversado com um comissário que estava no vôo de Miami que teve problemas. Então ele veio contando os detalhes sobre o quase acidente e depois emendamos em outros assuntos sobre aviação. A conversa estava tão agradável que nem vi o tempo passar, quando percebi já estávamos pousando em Curitiba. Após o processo de desembarque consegui pegar o último ônibus executivo que sai do aeroporto e cheguei em casa pouco depois da meia noite. Daí fui desarrumar a mala e preparar o uniforme para o dia seguinte, pois as férias tinham chegado ao fim e o dia seguinte prometia ser de muito trabalho, problemas e stress. Agora é esperar as próximas férias e fazer planos para novas viagens e aventuras.

No hotel em Santiago. (25/05/2009)

No hotel em Santiago. (25/05/2009)

Aeroporto de Santiago. (25/05/2009)

Aeroporto de Santiago. (25/05/2009)

Wagão e seu filhote. (25/05/2009)

W@gão e seu filhote. (25/05/2009)

No avião, tietagem com o Xororó. (25/05/2009)

No avião, tietagem com o Xororó. (25/05/2009)

Recorde de velocidade e suculento almoço. (25/05/2009)

Recorde de velocidade e suculento almoço. (25/05/2009)

No aeroporto de São Paulo. (25/05/2009)

No aeroporto de São Paulo. (25/05/2009)

Férias 2009 – Viagem ao Chile (Parte III)

Levantamos cedo e logo pegamos a estrada. O tempo estava nublado, com cara de chuva. Como íamos subir a serra, ou melhor, os Andes, levamos agasalhos, pois lá no alto poderíamos até mesmo encontrar neve. Íamos até a Portillo, famosa estação de esqui próxima a fronteira entre Chile e Argentina. E nossa maior expectativa era de poder encontrar neve. No ano anterior o W@gner esteve em Portillo no início de maio e encontrou bastante neve. Estávamos no final de maio e teoricamente deveríamos encontrar mais neve do que o encontrado um ano antes, mas como o tempo anda meio maluco, no fundo não sabíamos o que iríamos encontrar.

Se no dia anterior pegamos a estrada que desce para o litoral, dessa vez fizemos o inverso, ou seja, pegamos a estrada que sobe para as montanhas, que vai em direção aos Andes. Pelo caminho passamos por enormes parreirais e grandes vinícolas. Após uma hora de viagem era possível ver ao longe algumas montanhas, com seus picos cobertos de neve. A estrada que estávamos percorrendo é uma das principais do Chile e por ela circulam muitos caminhões, não só chilenos, mas também brasileiros e argentinos.

Pelo caminho fomos fazendo algumas paradas, em locais que achamos interessantes. Uma das paradas foi em uma ponte, que ficava numa curva e com uma bonita paisagem. Quando estávamos em cima da ponte passou uma carreta em alta velocidade e a ponte tremeu toda. Foi um susto enorme, não esperávamos por tal tremelique. Também paramos num local, onde perto existe uma grande fenda nas rochas, provavelmente provocada por algum terremoto.

Um detalhe que nos chamou a atenção foram a quantidade enorme de cruzes na beira na estrada. Deve ser uma tradição chilena construir uma pequenina capela, com uma cruz e em alguns casos bandeira chilenas, em locais onde alguém faleceu. Como a estrada em que estávamos é cheia de curvas e precipícios, na época de neve devem ocorrer muitos acidentes por ali e por isso é que existia tal quantidade enorme de cruzes. Confesso que apesar de curioso, era algo bastante assustador. Mas tentamos não pensar nisso e nos concentramos na paisagem que estava ficando cada vez mais bonita, conforme íamos nos aproximando das montanhas.

Conforme fomos subindo, montanhas diversas apareciam aos lados. Estávamos entrando numa pequena parte da Cordilheira dos Andes. Essa cordilheira atravessa quase toda a costa ocidental da América do Sul e possui aproximadamente 8.000 km de extensão, sendo a maior cadeia de montanhas do mundo. Sua altitude média gira em torno de 4.000 metros e seu ponto culminante é o pico do Aconcágua com 6.959 m de altitude. Estávamos entrando na cordilheira e vendo uma pequena parte dessa cadeia de montanhas. Estou acostumado com montanhas verdes, cobertas de árvores. Já estas montanhas por onde passávamos eram marrons, sem vegetação e no cume ou abaixo dele, em alguns casos, eram cobertas de neve. Sem contar que eram maiores do que as montanhas com as quais estou acostumado.

Logo percebemos que não encontraríamos neve a baixa altitude. Demos azar, pois esse ano o frio e a neve estão atrasados. Eu particularmente nunca estive na neve, mesmo já tendo ido pra Alemanha e morado nos Estados Unidos, lugares onde cai muita neve. Ou fui numa época em que não tinha neve, ou no caso de Orlando, onde morei, era numa região quente, onde não neva. O jeito foi nos conformarmos e aproveitar a beleza da paisagem.

Não demorou muito e iniciamos a subida do “Caracoles”, uma parte da estrada quase na divisa com a Argentina, onde a estrada faz inúmeras curvas. Chega dar medo passar por ali, mas a experiência é muito interessante. Olhávamos para cima e víamos várias curvas do “Caracoles”, como se fossem degraus montanha acima. E nesses degraus víamos carretas e mais carretas. Por nós passou um ciclista, descendo a estrada em alta velocidade e pelo visto ele vinha de uma longa viagem. Então lembrei que um dia pretendo fazer esse caminho de bike. Estar ali foi uma oportunidade de ver de perto o que terei de enfrentar, que na teoria já parecia difícil, na pratica mostrou que vai ser ainda pior. Fizemos mais uma parada no caminho, num local onde existe uma parada para os caminhões que estão descendo o “Caracoles” possam estacionar para esfriar os freios. Dali já é possível ver a Estação de Esqui de Portillo, estrada acima. Meus companheiros de viagem estavam todos agasalhados e eu ainda fiquei um bom tempo somente de camiseta. Talvez por estar acostumado com o frio de Curitiba, demorei mais tempo do que eles para sentir o frio dos Andes. Somente quando chegamos a Portillo, onde tinha um vento congelante é que senti frio pra valer e coloquei um casaco.

Portillo fica a 2.855 metros de altitude e a 152 km de Santiago. É uma pista de esqui bastante famosa. Ali existe uma hotel e vários chalés. No fundo do hotel fica o “Lago Del Inca”, que é enorme, de água límpida, cercado por montanhas. Do outro lado do lago aparece o “Cerro Tres Irmanos”, que são três altas montanhas parecidas, uma ao lado da outra, cobertas de neve. A vista daquilo tudo é maravilhosa, um local muito bonito. A direita do hotel víamos o teleférico que na temporada de esqui leva os esquiadores para a pista, na parte de cima da montanha. Somente uns trezentos metros acima de onde estávamos era possível ver neve. Ficamos umas duas horas em Portillo, onde tiramos várias fotos e fizemos alguns pequenos vídeos. O vento era cortante e o frio também. Lanchamos no carro, pois o restaurante do hotel cobra caro e não estávamos a fim de gastar muito em uma refeição. Então partimos dali e subimos mais uns poucos quilômetros estrada acima, até a fronteira com a Argentina. Tiramos mais algumas fotos e então tivemos que voltar. Por nós passou um ônibus cor-de-rosa, que já tínhamos visto algumas vezes em Santiago e na estrada. Fora o fato de ser rosa, o que gerou muitas risadas de nossa parte é que o ônibus era brasileiro, com placa do Rio Grande do Sul. Com uma cor daquelas só podia mesmo ser um ônibus gaúcho.

Estrada abaixo, o “Caracoles” eram ainda mais assustador. Ficamos imaginando como seria difícil transitar por ali com neve. Fizemos mais uma parada no caminho, dessa vez para colocar umas latas de Coca-Cola para gelar numa queda da água que descia da montanha. Tiramos algumas fotos ali perto e de repente o barulho da queda da água aumentou. O volume de água cresceu de repente e por pouco nossas latinhas de Coca não desceram morro abaixo.

Na subida tínhamos visto uma placa que indicava uma pequena estradinha que dizia algo sobre uma caminho nas montanhas. Resolvemos procurar essa estrada e seguir por ela pra ver aonde chegaríamos. Não foi muito fácil, mas encontramos a tal estradinha, só que não fomos muito longe, pois logo encontramos uma porteira e uma placa onde dizia “Propriedade Privada – Entrada Proibida”. O jeito foi dar meia volta e retornar a estrada principal.

Desde que chegamos no Chile eu queria comer uma autentica “Empanada Chilena”, uma espécie de pastel assado, típico do país e que já comi algumas vezes no Brasil. Acabamos parando num local ao lado da estrada e que vendia empanadas quentinhas, saídas na hora do forno de barro. Os “meninos” resolveram provar também da empanada, mas não gostaram. O W@gão ficou mal do estômago por um bom tempo e desconfiamos que ela é feita de carne de Lhama. Eu até gostei das empanadas chilenas originais, mas confesso que a versão brasileira é bem mais gostosa.

O Luiz Cesar desde que saímos do Brasil falava da vinícola “Concha y Toro”, que talvez seja a mais famosa do Chile. Ele queria conhecer o lugar, mas acabamos não programando tal visita. E quando estávamos na metade do caminho para Santiago, sem querer passamos em frente a tal vinícola. O Luis Cesar ainda gritou para o W@gner parar, mas não deu tempo. E como logo em seguida existia um pedágio, não dava pra fazer o retorno. Outro detalhe é que a porteira da vinícola estava fechada, talvez por já ter passado do horário de visitação. De qualquer forma o Luis Cesar pode ao menos ver de longe a vinícola que ele tanto queria conhecer. Foi uma situação parecida com a visita que eu queria fazer a casa de Pablo Neruda que fica na Islã Negra, em Vinã Del Mar. Ambos estivemos muito perto do que queríamos conhecer quando saímos do Brasil, mas acabamos não conhecendo. Quem sabe numa próxima visita ao Chile possamos matar nossa vontade de conhecer estes lugares.

A última parada que fizemos antes de chegar a Santiago, foi no “Monumento a Batalha de Chacabuco”. Foi nesse local que em 1817, San Martín e Bernardo O’Higgins, comandaram as tropas chilenas contra os espanhóis e conseguiram marchar até Santiago, onde declararam a independência do Chile em 1818. Quando chegamos em Santiago ainda não tinha anoitecido, então resolvemos ir até o palácio presidencial, no centro da cidade. No dia 11 de setembro de 1973, sob as ordens de Augusto Pinochet, os militares chilenos bombardearam o palácio presidencial e derrubaram o governo Salvador Allende. O presidente foi morto em circunstâncias não esclarecidas e Pinochet instaurou uma ditadura militar. Enquanto tirávamos fotos nos fundos do palácio, notamos que algumas pessoas tinham entrado para visitar a parte de dentro. Fomos perguntar a um guarda se poderíamos visitar a parte interna e ele nos respondeu que já tinha fechado. Então saímos dali e fomos tirar fotos da parte da frente. Depois demos uma volta a pé pelo centro da cidade e pegamos nosso carro. Ao passar de carro pelos fundos do palácio, vimos uma porção de pessoas entrando. Ou seja, o guarda nos sacaneou por sermos brasileiros e não nos deixou entrar, inventando uma mentira. Essa foi a única situação de preconceito que enfrentamos durante nossa visita ao Chile.

Chegamos no hotel quando estava começando a escurecer. Cada um foi para seu quarto tomar banho e descansar. Mais tarde saímos eu, W@gner e Maico. O Luis Cesar resolveu ficar no hotel, pois não se sentia bem. Fomos para o shopping da noite anterior, onde demos algumas voltas e jantamos na Pizza Hut. O Wagner ainda reclamando que a empanada tinha lhe feito mal. Depois voltamos ao hotel e fomos arrumar nossas malas e dormir.

Na estrada a caminho da Cordilheira dos Andes. (24/05/2009)

Na estrada a caminho da Cordilheira dos Andes. (24/05/2009)

Montanhas e Lago Del inca. (24/05/2009)

Montanhas e Lago Del Inca. (24/05/2009)

Portillo. (24/05/2009)

Portillo. (24/05/2009)

Portillo. (24/05/2009)

Portillo e fronteira Chile/Argentina. (24/05/2009)

Caracoles. (24/05/2009)

Caracoles. (24/05/2009)

Caracoles. (24/05/2009)

Caracoles. (24/05/2009)

Pela estrada andina. (24/05/2009)

Pela estrada andina. (24/05/2009)

Na estrada voltando para Santiago. (24/05/2009)

Na estrada voltando para Santiago. (24/05/2009)

Monumento a Batalha de Chacabuco. (24/05/2009)

Monumento a Batalha de Chacabuco. (24/05/2009)

Palácio Governamental em Santiago. (24/05/2009)

Palácio Governamental em Santiago. (24/05/2009)

Férias 2009 – Viagem ao Chile (Parte II)

A primeira noite dormida em terras chilenas foi quase tranqüila, pois tirando o fato de que o Luis Cesar passou mal do estômago e de que a cama era muito mole e levantei com dor nas costas, tudo foi tranqüilo. Não fez o frio que esperávamos, a temperatura até parecia a de Curitiba.

Depois do café da manhã, nos arrumamos e saímos, pegamos nosso carrinho alugado e após atravessar rapidamente a cidade, cujo trânsito estava mais tranqüilo em razão de ser sábado, pegamos a estrada em direção ao litoral. Nosso destino seria a cidade costeira de Valparaíso e depois Viña del Mar. Dos quatro, apenas o W@gner já conhecia o Oceano Pacifico. Pelo caminho a paisagem era bastante inóspita, com pouco verde e muitas montanhas. Atravessamos alguns túneis e logo a paisagem mudou um pouco, aparecendo parreirais, pertencentes a vinhedos chilenos, alguns considerados dos melhores do mundo. No caminho paramos algumas vezes para tirar fotos. E passamos por muitos ciclistas, que seguiam em alta velocidade pelas bem conservadas e longas estradas. Conforme fomos chegando próximo á Valparaíso o tempo fechou, esfriando um pouco e aparecendo um forte nevoeiro.

E foi com nevoeiro que chegamos a Valparaíso, uma cidade que não é lá muito bonita, mas tem um aspecto rústico e construções antigas que a tornam uma cidade interessante. Sua origem remonta ao Século XVI, quando foi fundada por espanhóis e seu porto desde então se tornou muito importante para a economia chilena. Valparaíso se caracteriza por ser uma cidade que resvala dos morros em direção ao mar. Ao todo são 42 morros e colinas na cidade. Se bem que em razão do forte nevoeiro não vimos quase nada desses morros e nem mesmo as casas que ficam neles, além dos famosos “ascensores” (elevadores) que levam as pessoas até o alto dos morros. Tudo isso fez com que a cidade fosse declarada como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, em 2003. Outro atrativo da cidade é seu belo e colorido por do sol, visto do porto e dos mirantes que existem no alto de alguns morros. Esse por do sol vimos somente em fotos, pois o nevoerio mal nos deixava enxergar o mar.

Nossa primeira parada foi no porto, onde estacionamos nosso carrinho e fomos dar uma volta a pé. A visibilidade não era das maiores, então não deu pra ver muita coisa. Próximo onde paramos tem uma colônia de leões-marinhos, que fica numa plataforma de cimento bem próxima a margem. Foi interessante ver a barulhenta familia de leões-marinhos, descansando seus corpos imensos. Até rolou uma piadinha com o W@gão, que anda meio gorducho e está parecendo um leão- marinho. Mas o animal que mais nos cativou foi um que vive na terra, é peludo, late e é conhecido pelo nome de “cachorro”. Ali no porto vive um cachorro abadonado, que além de brincalhão é muito inteligente. Começamos a brincar com ele e tivemos sua companhia por um bom tempo. Apelidamos o cachorro de “Ronaldo”  e o bicho gostava de jogar futebol. Como não tíhamos bola, utilizamos garrafas pet vazias e foi a maior farra. O triste foi ir embora e deixar nosso amigo “Ronaldo” para trás. Ele nos acompanhou até próximo uma estrada de ferro, que separa o porto da cidade. Ele então se deitou e ficou com uma cara tristonha nos olhando partir e nós partindo com cara tristonha também. Se fosse possível teria trazido esse cachorro para o Brasil, mas não dava e foi triste deixá-lo lá. Com certeza nosso amigo canino será uma das grandes lembranças dessa viagem.

No porto também encontramos um brasileiro de BH, que estava viajando por vários lugares do Chile. Ele nos acompanhou por um tempo e depois nos separamos. Após deixar o porto seguimos caminhando pelo centro da cidade, onde estava acontecendo uma imensa feira livre. O detalhe é que a maioria dos artigos dessa feira eram usados, sendo que alguns eram usados até demais, tinha mais aspecto de lixo do que de outra coisa. Caminhamos pela feira mais por curiosidade, do que a procura de algo para comprar. Depois fomos procurar um lugar para almoçar e acabamos indo parar num grande Supermecado. Ali nos separamos e enquanto o W@gner e Maico almoçavam em um restaurante, eu e Luis Cesar fomos fazer umas comprinhas. Compramos uma porção de coisas, mas o item principal foram chocolates, que estavam em oferta. Também encontrei manteiga de amendoim, fabricada nos Estados Unidos. Adoro isso e fazia tempo que não comia, pois no Brasil não existe tal produto. Existe somente o “Amendocrem”, que é quase uma falsificação de mantiega de amendoim e ruim a beça. Logo o W@gão e o Maico se uniram a nós e saimos dali com barras e mais barras de chocolate. Ao passar no caixa tinha muita gente olhando para nós, possivelmente nos achando com cara de malucos ou de tarados por chocolate.

Voltamos para o porto pegar o carro e não encontramos mais o Ronaldo, nosso amigo canino. No fundo foi melhor assim, pois seria difícil se despedir dele novamente. Pegamos a estrada e fomos até Viña del Mar, cidade próxima a Valparaíso. A cidade de Viña del Mar se originou a partir de duas fazendas, no final do século XIX. No começo do século XX a cidade se converteu em um balneário destacado. Era a época em que a aristocracia descobria os benefícios dos banhos de mar e do ar livre, o que tornou Viña del Mar um lugar de lazer e recreação. Desde então, suas praias têm sido uma poderosa atração turística. Pena que são praias de água gelada. Paramos num mirante ao lado da estrada para ver as fortes ondas quebrando nas pedras e depois fomos para uma praia. Caminhamos pela areia, observamos as fortes ondas, mas coragem de entrar na água não deu. Essa praia onde paramos fica em frente um Quartel do Exército Chileno e vários armamentos antigos estão em exposição. Aproveitamos para tirar várias fotos. Saindo dali fomos para o inicio da cidade, onde existe um enorme Cassino. Caminhamos próximo ao mar e depois fomos até uma praça em frente. Ali alugamos por meia hora duas bicicletas, que na verdade são quadriciclos com dois lugares. Numa fui eu e o W@gner e na outra Luis Cesar e Maico. Lógico que não íamos conseguir dar uma volta tranquilamente, logo promovemos uma corrida pela praça, tomando cuidado para não atropelar ninguém. Foi muito divertido, mas numa curva quase que eu e o W@gner capotamos. Mesmo assim os “irmãos Dissenha” venceram a disputa. O quadriciclo era pesado e fiz muito esforço, isso me causou problemas nos dias seguintes, quando minha dor nas costas piorou bastante. Para descansar da “corrida maluca” fomos num Café. Ali fizemos um lanchinho básico e o W@gão aproveitou para acessar a internet. O tempo foi fechando cada vez mais e o frio aumentou. Então resolvemos voltar para Santiago, pois seria impossível esperar que o tempo melhorasse para podermos observar melhor a paisagem e ver o por do sol. Eu queria muito ir até a “Isla Negra”, que fica ali perto e onde fica a casa mais interessante onde viveu Pablo Neruda. Mas acabei desistindo e fomos direto para Santiago.

Na estrada conforme nos distanciávamos de Valparaíso, o tempo ia melhorando e o nevoeiro ficou para trás. Chegamos ao hotel no início da noite e fomos para nossos quartos tomar banho e descansar um pouco.

Mais tarde saímos e fomos até um grande Shopping, do outro lado da cidade. Precisamos de um mapa para encontrar o caminho e mesmo assim tivemos trabalho para encontrar o lugar. O Shopping é enorme, parecido com os Shoppings que conheci nos Estados Unidos. Não era uma prédio todo fechado, mas sim uma construção principal e outras menores, onde existem lojas, restaurantes, cinemas e mais uma infinidade de coisas. Fomos direto para a praça de alimentação, onde jantamos “Whopper” (sanduíche) do Burger King e pizza da Pizza Hut. Depois da experiência com o sanduíche de pauta, decidimos eliminar de vez a comida local de nossa dieta. Melhor nos garantir com os sabores já conhecidos. Depois de comer demos uma volta pelo Shopping, entramos em algumas lojas para observar e do lado de fora vimos um show de Jazz. Não nos demoramos muito e fomos embora. No caminho paramos numa praça onde tinha um chafariz enorme e colorido. Em seguida voltamos para o hotel e fomos dormir, pois o dia tinha sido cansativo e o dia seguinte prometia ser o melhor de toda a viagem.

Na estrada, rumo Valparaíso. (23/05/2009)

Na estrada, rumo Valparaíso. (23/05/2009)

Porto de Valparaíso, Ronaldo canino e leões-marinhos. (23/05/2009)

Porto de Valparaíso, Ronaldo canino e leões-marinhos. (23/05/2009)

Valparaíso. (23/05/2009)

Valparaíso. (23/05/2009)

Praia em Viña del Mar. (23/05/2009)

Praia em Viña del Mar. (23/05/2009)

Viña del Mar. (23/05/2009)

Viña del Mar. (23/05/2009)

Valparaíso, estrada, Shopping e chafariz em Santiago. (23/05/2009)

Valparaíso, estrada, Shopping e chafariz em Santiago. (23/05/2009)

Férias 2009 – Viagem ao Chile (Parte I)

A viagem para o Chile teve inicio no dia 21 de maio, final de tarde, em Campo Mourão. Eu, meu irmão W@gner e dois amigos nossos, Luiz Cesar e Maico, embarcamos no carro do W@gão e seguimos para Londrina, onde pernoitamos. No dia seguinte levantamos ás 05h00min da manhã e seguimos para o Aeroporto. Tinha estado somente uma vez no aeroporto de Londrina e não trazia boas recordações. No final de 2006, quando ia de Porto Alegre para Maringá, em razão de um forte temporal meu vôo foi desviado para o aeroporto de Londrina, onde desembarquei com três horas de atraso e segui de ônibus para Maringá. Daquela vez estava tão stressado e cansado, que as lembranças do aeroporto londrinense eram as piores possíveis. Mas dessa vez pude observar melhor o local, que mesmo sendo pequeno é bastante simpático.

No dia 22 de maio, sexta-feira, pouco antes das 06h00min fomos para o embarque, que em Londrina se faz na pista. Seria a primeira vez que o Luiz Cesar e o Maico voariam, então estavam um pouco ansiosos e eu e o W@gão, além de dar umas dicas, também colocamos um pouco de medo neles. O vôo até São Paulo durou cerca de uma hora, sem incidentes. Lá aguardamos um pouco e embarcamos em outro vôo da Tam, rumo a Santiago, capital do Chile.

O avião era novo, um dos quatro Boeing 777-300, que a Tam comprou em agosto 2008. O avião é enorme, o maior em que já voei até aqui e tem capacidade para 365 passageiros. Por dentro é show, tudo bonitinho, limpinho, novinho. O vôo até Santiago teria duração de aproximadamente quatro horas e como o tempo estava bom tudo transcorreu sem incidentes. Fui sentado na mesma fileira que o Luiz Cesar e na poltrona do meio não tinha ninguém, o que deixou tudo mais confortável. Na fileira da frente foram o W@gão e o Maico. As poltronas possuem monitores individuais, onde da pra ver vídeos e também acompanhar velocidade, altitude, tempo de viagem, distancia percorrida e distancia que falta até o destino. E também tem duas novidades que ainda não conhecia, que são as imagens de duas câmeras posicionadas fora do avião, onde uma mostra imagens parecidas com as que o piloto tem em seu campo de visão e outra mostra imagens do que está embaixo do avião. Foi bastante interessante ver a imagem da câmera da frente, tanto no momento da decolagem, como na aterrissagem.

Tentei ver um filme, mas como estava muito cansado após uma noite mal dormida, acabei apagando e dormi um pouco. A melhor parte da viagem foi quando passamos sobre a Cordilheira dos Andes e dava pra ver os vários picos, a maioria com neve em seus cumes. Passamos bem próximos ao Aconcágua, que é o ponto culminante das Américas, tendo 6.959 metros e que fica em território argentino. O pouso em Santiago foi tranqüilo e após o desembarque seguimos para os transmites burocráticos. A passagem pela alfândega também foi tranqüila e no momento de pegar nossas malas na esteira, acabamos nos divertindo um pouco ao observar três cachorros da raça Labrador, que inspecionavam as malas com seu olfato. Teve um cachorro que se aproximou da sacola de uma senhora, que tentou se desvencilhar do cachorro, mas não teve jeito, ele levantou uma pata e indicou que tinha algo irregular na sacola dela. Daí veio o pessoal da Policia Federal local e revistou a sacola da mulher, onde encontraram dois queijos, o que é proibido. Apelidamos o cachorro de “pata dura”, pois foi muito engraçado vê-lo com a patinha levantada apontando para a sacola da mulher e também a cara de assustada dela sabendo que o cachorro lhe estava dedurando.

Do lado de fora do aeroporto pegamos o carro que tínhamos alugado. O tempo estava bom, com muito sol e ali pude constatar algo que já sabia, que o tempo ali está sempre meio que nublado, uma mistura de poluição com nuvens, o que raramente permite observar á enorme e bela cadeia de montanhas que cercam quase por completo a cidade. Foi difícil caber nós quatro e as malas no carro, que era pequeno, mas demos um jeito e logo estávamos circulando pelas ruas de Santiago. O W@gão foi o motorista, pois além do carro estar locado no nome dele, ele tinha estado em Santiago ano passado e conhecia o caminho até o hotel. Mas mesmo assim ele se perdeu num viaduto e pegamos uma estrada errada. Como era hora do almoço, paramos num Mac Donald´s para comer um suculento Big Mac. Nenhum dos quatro estava a fim de experimentar a culinária local, então optamos por uma refeição que em qualquer parte do mundo tem praticamente o mesmo sabor.

Após nosso “almoço” embarcamos no carro e dessa vez o W@gão encontrou o caminho até o hotel. A cidade é até bonita, numa mistura de construções antigas e novas. É limpa e bastante policiada, mas o transito é meio caótico, com muitos carros. Outra coisa que notei logo de inicio foi a enorme quantidade de cachorros sem dono soltos pela rua. Nos dias seguintes, por duas vezes chegamos a ver cachorros da raça Ruski, abandonados pela rua. No Brasil a gente está acostumado a ver somente Vira-Latas soltos na rua.

Chegando no hotel fomos para os quartos. Fiquei junto com o Luis Cesar no quinto andar e o W@gão com o Maico no terceiro. Após um banho reconfortante descansei um pouco. Vale registrar que a água é meio esquisita, parece grudenta. Logo nos encontramos, os quatro e fomos dar nosso primeiro passeio pela cidade. Optamos primeiramente em “explorar” a região próxima ao hotel. Estávamos com quatro câmeras digitais e já começamos a bater as primeiras fotos. Isso ocorreu durante toda nossa estadia por lá e no final da viagem ao todo tínhamos cerca de 2.300 fotos. Algumas eram bem parecidas, mas tiradas com câmeras diferentes. De volta pra casa, passei um bom tempo selecionando e organizando as fotos que me interessavam.

Após uma breve caminhada, paramos na calçada de uma lanchonete. Meus três companheiros de viagem resolveram descansar e ao mesmo tempo provar as diferentes marcas de cerveja existentes no local. As garrafas lá são de 1,5 litro. Aproveitamos para observar e levantar as primeiras impressões dos “nativos”. O consenso foi de que todos são de baixa estatura, mas simpáticos e educados. Depois de uma hora de papo furado e após terem provado umas quatro ou cinco diferentes marcas de cerveja, retornamos nossa primeira “exploração” pela cidade. Acabamos indo parar no Zoológico, que ficava ali perto, num morro enorme.

Para entrar no Zoológico pagamos pelo ingresso a fortuna de dois mil pesos. O “fortuna” foi brincadeira, pois dois mil pesos equivalem a uns nove reais. Iniciamos o passeio vendo os Elefantes e seguimos morro acima. O único bicho que eu queria ver era o “Urso Polar”, animal que nunca tinha visto antes. Ele é uma das celebridades do local e quando encontramos o recinto onde ele fica exposto, o bicho estava num momento intimo nada agradável. Viajamos mais de dois mil quilômetros para presenciar uma cena rara de um humano ver até mesmo na natureza. O Urso polar estava “cagando”, com direito a fazer força e careta. Não sei se o bichinho (maneira de dizer, pois o bicho é enorme) ficou encabulado, mas o monte de crianças que estavam próximas a mim ficaram. Outras caíram na risada e eu nem uma coisa e nem outra, minha preocupação era achar o melhor ângulo para fotografar esse momento meio “mundo animal”.

Seguimos morro acima, eu me arrastando, pois o rápido cochilo no avião não tinha acabado com o cansaço acumulado. Vi mais alguns bichos que nunca tinha visto antes, entre eles um Canguru e uma Cabra daquelas que vivem nas montanhas e que representam o signo de Áries no horóscopo. Mesmo não acreditando em horóscopo, vale mencionar que sou do signo de Áries e que fiquei emocionado ao ver a cabra que representa meu signo. Como diz a Kaciane, ultimamente ando sensível e emotivo demais. Coisas da idade, acho! Mas voltando ao passeio, lá da parte de cima do Zoológico tem-se uma bela vista panorâmica de parte da cidade.

Após sairmos do Zoológico, conseguimos um mapa turístico do centro e a meu pedido fomos a procura do Museu Neruda. Ele ficava perto de onde estávamos e funciona numa das três ou quatro casas em que o poeta  Pablo Neruda viveu no Chile. A casa era bonita, mas acabamos não entrando, pois a casa museu mais bonita de Neruda fica em Vina Del Mar, para onde iríamos no dia seguinte. Retornamos ao nosso passeio e fomos seguindo em direção ao centro da cidade. Andamos um monte, tiramos dezenas de fotos, paramos em alguns lugares que vendiam artigos locais para turistas e onde compramos algumas lembrancinhas para a família e amigos. Na verdade eu estava mais preocupado em descobrir onde se vendia o chocolate mais barato. Sou fã de chocolates chilenos, que são de boa qualidade e deliciosos.

Acabou escurecendo e passeamos por mais um tempo. A maior dificuldade acabou sendo encontrar um banheiro. Nosso salvador mais uma vez foi uma lanchonete do “Mac Donald´s”. Antes de voltarmos para o hotel paramos numa panificadora local para provar um típico cachorro quente chileno. Nada de especial no sabor, mas valeu para disfarçar a fome.

Após tomar banho e descansarmos no hotel, resolvemos sair para dar uma volta pelas proximidades e jantar. Fiquei sabendo que a região próxima ao hotel é o bairro boêmio da cidade e por essa razão existem tantos bares e restaurantes por ali. Próximo também ficam alguns “campus” da Universidade do Chile e consequentemente muitos jovens estudantes. Paramos num centro comercial para olhar algumas lojinhas de quinquilharias e acabamos indo parar na mesma mesa de esquina, na mesma calçada, da mesma lanchonete em que tínhamos parado durante a tarde. Os “meninos” resolveram provar mais algumas cervejas e eu só fiquei olhando. O lugar estava cheio de gente e nisso se inclui muita gente maluca. Vimos gente deitada no meio da rua, gente fazendo show na rua, alguns bêbados e muitos casais de lésbicas. Isso mesmo, tinha muita mulher “pegando” mulher por lá. Homem com homem não vi e “viadinhos” só vi uns poucos, mas mulher com mulher tinha aos montes pelas ruas e nas lanchonetes.

Começou a esfriar e resolvemos voltar para o hotel. Ainda não tínhamos jantado e o W@gner nos convidou para comer uma Pizza, num local ao lado de nosso hotel. Aceitamos a sugestão e fomos até esse lugar. Lá descobrimos que eles não vendiam Pizza. Foi a maior pegação no pé do W@gão, mas ele jurou que no ano anterior tinha comido Pizza ali, que aquilo já foi uma Pizzaria. Pelo sim, pelo não, resolvemos comer alguma outra coisa por ali e essa decisão foi o inicio da grande “fria” do dia. O Luiz Cesar olhou na mesa ao lado, onde dois caras comiam sanduíches enormes. Chamamos o garçom e falamos que queríamos sanduíches iguais aqueles. O garçom falou que aquilo era “Sanduíche de Pauta”, com carne de porco. Resolvemos pedir o cardápio e o garçom nos mostrou que tinha um sanduíche igual, mas com churrasco. Ao ouvir a palavra churrasco, nossos estômagos famintos se alegraram e pedimos três sanduíches. Um pra mim, um pro W@gão e outro o Luiz Cesar e o Maico iam dividir. Não sei se motivados pela fome, ou pela palavra churrasco, ninguém pensou em perguntar ao garçom o que era a tal da “pauta”. E do ângulo que estávamos, ao olhar os sanduíches de nossos vizinho de mesa, a impressão era que o negócio verde dentro do sanduíche devia ser uma alface ou cosia parecida. Estávamos sentados próximos ao local onde os cozinheiros faziam os sanduíches e não lembro se foi o Maico ou o Luiz Cesar, que ao ver o cara enchendo uma colher com “abacate”, comentou quem seria o maluco que ia comer abacate aquela hora da noite. Não demorou muito e descobrimos quem seria o maluco, ou melhor, os malucos. Seriamos nós! A tal da “pauta”, na verdade era abacate. Quando vimos o garçom se dirigindo até nossa mesa com três sanduíches enormes, recheados de abacate e carne, caímos num ataque de riso onde era difícil para de rir. Os demais freqüentadores da lanchonete ficaram olhando para nossa mesa, sem entender o que estava acontecendo. Depois de um tempo resolvemos tentar comer nossos sanduíches, onde mesmo raspando todo o abacate possível, ainda assim ficou um pouco do gosto dele no sanduíche. Para mim, que deixei de gostar de abacate há muitos anos, comer abacate com carne não é das experiências mais maravilhosas. Comemos o que deu e o abacate que tiramos dos sanduíches devia dar no mínimo um meio quilo. Quando saímos da lanchonete vimos os garçons rindo de nós, os quatro brasileiros que não gostavam de “pauta”. Depois dessa fomos dormir, pois a noite estava fria, o cansaço era enorme e no dia seguinte faríamos um passeio distante, lá para os lados de Valparaiso e Vina Del Mar, no Oceano Pacifico.

PS: Ao escrever este texto e lembrar do gosto e do cheiro da “pauta” com churrasco, confesso que fiquei com o estomago embrulhado.

O gigantesco "Boeing 777-300" da Tam, que nos levou ao Chile.

O gigantesco "Boeing 777-300" da Tam, que nos levou ao Chile.

Voando por sobre a "Cordilheira dos Andes". (22/05/2009)

Voando por sobre a "Cordilheira dos Andes". (22/05/2009)

Nossas primeiras fotos em solo chileno. (22/05/2009)

Nossas primeiras fotos em solo chileno. (22/05/2009)

O primeiro passeio em Santiago, pelas proximidades do hotel. (22/05/2009)

O primeiro passeio em Santiago, pelas proximidades do hotel. (22/05/2009)

Zoológico de Santiago. (22/05/2009)

Zoológico de Santiago. (22/05/2009)

Mais bichos do Zoológico e o Wagão fazendo parte da evolução humana. (22/05/2009)

Mais bichos do Zoológico e o W@gão fazendo parte da evolução humana.

Proximidades do Zoológico e por último a casa de Neruda. (22/05/2009)

Proximidades do Zoológico e por último a casa de Neruda. (22/05/2009)

Passeio de fim de tarde pelas ruas de Santiago. (22/05/2009)

Passeio de fim de tarde pelas ruas de Santiago. (22/05/2009)

Passeio noturno e o horrendo "Sanduiche de Pauta". (22/05/2009)

Passeio noturno e o horrendo "Sanduiche de Pauta". (22/05/2009)

Férias 2009 – Rio de Janeiro (Parte III)

Na última visita que fiz ao Rio, em 2005, tentei visitar o Museu da República, mas estava fechado. Dessa vez a esse museu, foi á última coisa que fiz antes de retornar para Curitiba. E valeu muito a pena, pois o prédio onde está instalado o museu é muito bonito, a decoração é sensacional e está tudo bem preservado.

De tudo que vi, teve duas coisas de que gostei mais. A primeira foi poder ver “ao vivo” o quadro “a Pátria”, pintado por Pedro Bruno em 1919. Esse quadro além de ser muito bonito, era capa de um livro que utilizei durante o curso de História. Não sabia que esse quadro estava exposto ali e foi uma grata surpresa ao vê-lo na sala onde aconteciam as reuniões do Presidente com seus ministros. E a segunda coisa que gostei mais foi poder entrar no quarto onde Getulio Vargas se suicidou. Fiquei uma meia hora no quarto, observando cada detalhe. O quarto está praticamente igual como na noite em que Getulio se matou. O que aconteceu nesse quarto marcou profundamente a história e os rumos do Brasil.

Quando vou á algum lugar histórico, tenho o costume de tentar imaginar como o lugar era no passado, como eram as pessoas que por ali passaram. Na verdade tento fazer uma imaginaria viagem ao passado. É uma experiência muito bacana e meio maluca, típica de pessoas apaixonadas por história, como eu sou.

Museu da República (Palácio do Catete)

O Museu da República ocupa o antigo Palácio Nova Friburgo (no Império), depois Palácio do Catete (na República), que durante 63 anos foi o coração do Poder Executivo no Brasil. Foi inaugurado em 15 de novembro de 1960, após a transferência da capital para Brasília

O Palácio do Catete foi erguido no século XIX, no então chamado “Caminho do Catete”, atual bairro do Catete, região que surgiu com o aterramento de uma área coberta por mangues. Iniciada a construção do Palácio, o Barão de Nova Friburgo adquiriu novas terras, incorporando a área ao fundo do terreno e a aléia central do parque, onde já então havia as palmeiras existentes até hoje. Segundo alguns historiadores, tanto o jardim do Palácio quanto o do Palácio São Clemente, em Nova Friburgo, também de propriedade do Barão, teriam sido feitos pelo paisagista francês Auguste Marie Françoise Glaziou.

Acervo: O Palácio Nova Friburgo, atual Palácio do Catete, construído entre 1858 e 1867 pelo comerciante e fazendeiro de café Antônio Clemente Pinto, Barão de Nova Friburgo, consagrou-se como um monumento de grande importância histórica, arquitetônica e artística. Erguido no Rio de Janeiro, então Capital Imperial, tornou-se símbolo do poder econômico da elite cafeicultora escravocrata do Brasil oitocentista. Sua concepção em estilo eclético é resultado do trabalho de artistas estrangeiros de renome, como o arquiteto Gustav Waehneldt e os pintores Emil Bauch, Gastão Tassini e Mario Bragaldi. Em 1889, passados vinte anos da morte do Barão e de sua esposa, o Palácio foi vendido à Companhia do Grande Hotel Internacional e, posteriormente, antes que fosse instalada qualquer empresa hoteleira no imóvel, foi vendido ao maior acionista da Companhia, o conselheiro Francisco de Paula Mayrink. Em 18 de abril de 1896, durante o mandato do presidente Prudente de Moraes, à época exercido em caráter interino pelo vice Manuel Vitorino, o Palácio foi adquirido pelo Governo Federal para sediar a Presidência da República, anteriormente instalada no Palácio do Itamaraty.

Para receber os presidentes e seus familiares, ampla reforma foi executada sob a orientação do engenheiro Aarão Reis. Dela participaram importantes pintores brasileiros como Antônio Parreiras e Décio Villares e o paisagista Paul Villon, este responsável pela remodelação dos jardins. A instalação de luz elétrica no Palácio, desde então, acentuaria o brilho dos acontecimentos políticos e sociais que ali teriam lugar.

Também chamado de Palácio das Águias, o Palácio do Catete foi palco de intensas articulações políticas, como as declarações de guerra à Alemanha, em 1917, e ao Eixo, em 1942, e, nesse mesmo ano, a implantação do Cruzeiro como sistema monetário nacional. Entre os grandes acontecimentos sociais, destacam-se a recepção aos Reis da Bélgica, em 1920, e a hospedagem do Cardeal Pacelli, posteriormente Papa João XXIII, em 1934. Grande repercussão gerou o polêmico sarau organizado, em 1914, pela caricaturista Nair de Teffé, esposa do presidente Hermes da Fonseca, durante o qual foi executado o famoso “Corta- Jaca” de Chiquinha Gonzaga, compositora e maestrina carioca. Pela primeira vez a música popular era interpretada nos salões de um Solar aristocrático.

Do Palácio emergem, ainda, memórias de momentos de consternação e comoção nacional, como o velório do presidente Afonso Pena, em 1909, e o suicídio de Getúlio Vargas, em 1954, desfecho de uma das mais contundentes crises político-militares republicanas. No ano de 1938, durante o Estado Novo, o Palácio e seus jardins foram tombados pelo então Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – atual Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Sede do Poder Republicano por quase de 64 anos, 18 presidentes utilizaram suas instalações. Coube a Juscelino Kubitschek encerrar a era presidencial do edifício, com a transferência da Capital Federal para Brasília em 21 de abril de 1960. O Palácio do Catete, com base em Decreto Presidencial de 08 de março de 1960, passou então a ser organizado para abrigar o Museu da República, inaugurado a 15 de novembro do mesmo ano. 

Mais informações acessar: http://www.museudarepublica.org.br/principal2.html

Fachada e interior do "palácio do Catete". (13/05/2009)

Fachada e interior do "Palácio do Catete". (13/05/2009)

Sala de reunião do Presidente com o Ministério e eu em frente o quadro "A Pátria". (13/05/2009)

Sala de reunião e eu em frente o quadro "A Pátria". (13/05/2009)

O quarto de Getúlio Vargas, a arma e o projétil que o mataraam. (13/05/2009)

O quarto de Getúlio Vargas, a arma e o projétil que o mataram. (13/05/2009)

Férias 2009 – Rio de Janeiro (Parte II)

Nos “perdidos” que dei pelo centro do Rio (andar sem rumo, ás vezes sem saber onde estou e depois encontrando um lugar conhecido ou o caminho de volta), acabei encontrando sem querer algumas construções históricas bastante interessantes. Entre elas vale a pena citar: Casa do Marechal Deodoro, Casa do General Osório e Pantheon de Caxias.

Casa de Deodoro

Quando vi essa casa, na hora lembrei-me de um texto que o Professor Décio nos deu para estudar no curso de História e onde tinha uma gravura da casa. Essa casa encontrei totalmente sem querer e quando vi do que se tratava tentei me localizar geograficamente e então percebi que a Praça da Republica, que fica bem em frente, era o antigo Campo de Santana. Não cheguei a entrar na casa, pois já estava fechada, mas deu pra perceber que ela está bem conservada e virou Museu. A região onde ela está localizada, hoje em dia é muito movimentada, pois bem perto fica a Central do Brasil. Notei que milhares de pessoas passam em frente á Casa de Deodoro e quase ninguém olha para ela. Esse pessoal que passa apressadamente por ali não tem a mínima noção de que aquele imóvel tem uma enorme importância pra História do Brasil.

História da Casa de Deodoro

O sobrado número 197, da Praça da República, esquina com Rua Azevedo Coutinho, é um dos sítios históricos mais importantes da História política do Brasil. Além de servir de residência para o Marechal Deodoro da Fonseca, proclamador da República Brasileira, foi na Casa Histórica de Deodoro, chamada assim desde 1889, que foi decidido o primeiro Ministério Republicano, no dia 09 de novembro de 1889, assim como também nela decidiu-se como seria a Bandeira Nacional, no dia 19 de novembro do mesmo ano. 

A casa na qual o Marechal Deodoro residia, tinha como endereço na época o Campo da Aclamação, n° 99, Freguesia de Sant’Anna, tendo sido o imóvel alugado pelo Marechal por ocasião de seu retorno ao Rio de Janeiro, após a sua exoneração do cargo de Comandante das Forças de Terra e Mar da Província do Mato Grosso.

A Casa de Deodoro foi construída no início do século XIX, provavelmente entre 1808 e 1817.  Entretanto, os registros sobre o terreno são bem mais antigos. Como todas as residências construídas no início do século XIX, a Casa Histórica de Deodoro possui características típicas de um sobrado urbano residencial do período colonial.  Foi construída com pedra, cal e óleo de baleia, materiais fartamente utilizados pelos portugueses nas construções do período. Algumas paredes internas foram levantadas originalmente em taipa, pau-a-pique e madeira, mais tarde substituídas por paredes de tijolos, nas diversas reformas realizadas. Entretanto, sua fachada conserva as características originais, apresentando as ombreiras enquadradas em pedras e várias aberturas. Suas telhas foram feitas artesanalmente, moldadas “nas coxas” dos escravos. Assim como em todo sobrado do final do período colonial, a Casa tinha os seus dois pavimentos com funções bem definidas. O andar térreo era destinado à guarda dos carros puxados por animais (razão pela qual existe uma entrada central mais larga), como habitação para os escravos da família, ou mesmo para instalação de atividades comerciais. Portanto, constituía-se na parte menos nobre do imóvel, uma vez que era dedicada ao trabalho braçal, coisa desprezada pela sociedade da época. No andar superior ficava a verdadeira residência da família. Havia uma varanda na parte frontal, de onde podia se observar o movimento da rua; a sala de receber, constituída de poucos móveis; um corredor que fazia a ligação desta para as alcovas, que eram os quartos, os quais eram desprovidos de janelas para o exterior, característicos dos hábitos lusitanos de recato familiar; e finalmente, o principal ponto de reunião da família, a sala de jantar.

Em 1890, o Marechal Deodoro da Fonseca mudava-se, como Presidente da República, para o Palácio do Itamaraty. Ao mesmo tempo, a casa e seu terreno eram vendidos. Muito embora o imóvel continuasse a se constituir numa residência particular, a Intendência do Distrito Federal ordenou a fixação de uma lápide comemorativa na fachada da casa, que continha os seguintes dizeres: “Desta casa, residência do Mar. Deodoro da Fonseca saiu este grande Chefe Militar para proclamar na manhã de 15 de novembro de 1889, a República dos Estados Unidos do Brasil”.

Em 1899, a Casa é vendida por Dona Leonarda Alexandrina de Miranda a Manoel José de Magalhães Machado. Em 14 de janeiro de 1905, o imóvel era desapropriado pelo Governo Federal com a assinatura do Decreto n° 1.343 do Presidente da República. Entretanto, embora a documentação desse a entender que a desocupação do imóvel seria para transformá-lo numa espécie de sítio histórico, a Casa ficou entregue a particulares, notadamente a Oficiais do Exército em trânsito pelo Distrito Federal.

Em 1918, a Casa foi ocupada, ao que parece por caráter temporário, por um órgão assistencial: o Pritaneu Militar, uma espécie de colégio, cuja principal finalidade era a de proporcionar ensino aos filhos órfãos de militares. A 4 de janeiro de 1937, o imóvel foi recebido pelas autoridades para que nele se instalasse o Quartel General da Artilharia Divisionária, que ocupou a parte superior. Entretanto, esta Unidade só ocuparia tais aposentos até o ano de 1946, uma vez que em 2 de maio o Clube dos Oficiais Reformados e da Reserva das Forças Armadas (CORRFA), passou a residir no referido local.

A primeira medida visando a preservação da Casa, cujo interior foi bastante comprometido em face dos diversos ocupantes ao longo dos anos, ocorreu a 4 de junho de 1958, quando o imóvel foi tombado. Em 27 de janeiro de 1966, a Casa Histórica de Deodoro tornava-se sede provisória do Museu do Exército. A Casa receberia de imediato o acervo do Museu de Medicina Militar e da extinta Comissão Rondon. 

Em 1968 foram iniciadas as obras de restauração do Imóvel. As casas dos terrenos vizinhos foram demolidas, tendo as autoridades militares feito um esforço para adquirir os terrenos, que serviriam para acomodar um jardim com estátuas de Deodoro e seus irmãos. Entretanto, tal projeto não foi realizado. As obras realizadas no período foram extremamente necessárias, tendo em vista as várias agressões que o imóvel sofreu ao longo dos anos pelos variados inquilinos, bem como devido às demolições executadas pela SURSAN dos imóveis laterais vizinhos, que haviam sido desapropriados, as quais aumentaram o perigo de desabamento da Casa.

Assim, o Museu do Exército funcionou na Casa de Deodoro até o ano de 1987, quando o então Ministro do Exército, General Leônidas Pires Gonçalves, determinou sua extinção e a incorporação das instalações, a estrutura em pessoal e material e o acervo do Museu do Exército ao Patrimônio do Museu Histórico do Exército e Forte de Copacabana. Embora o Museu do Exército fosse extinto e recriado como Museu Histórico do Exército no Forte de Copacabana, a Casa continuou aberta à visitação até fevereiro de 1988, quando fortes chuvas atingiram a Cidade do Rio de Janeiro, causando vários danos à Casa Histórica de Deodoro, entre outros, às instalações elétricas e hidráulica afetadas, paredes com infiltração, madeiramento estragado e várias telhas originais quebradas. A fim de resolver tais problemas foram convocados técnicos do Departamento Geral de Patrimônio Cultural da Secretaria de Cultura do Município. Após várias obras a Casa foi reinaugurada e aberta à visitação pública. Entretanto, os problemas estruturais voltaram a ocorrer, o que levou novamente ao fechamento da Casa ao público. No ano de 1998, após uma série de reformas e adaptações a Casa foi reaberta, no dia 24 de março, desta vez com um novo inquilino, o Instituto de Geografia e História Militar do Brasil.  Pouco tempo depois, a exposição do acervo ao público foi mais uma vez cancelada, tendo em vista os crônicos problemas estruturais. Entretanto, o Instituto continuou em funcionamento.

A Casa foi reaberta ao público, no dia 15 de novembro de 2006, com uma exposição sobre o Marechal Deodoro da Fonseca. Um esforço da Diretoria de Assuntos Culturais e da Direção do Museu Histórico do Exército e Forte de Copacabana para tornar a Casa Histórica de Deodoro parte do roteiro cultural da Cidade do Rio de Janeiro.

 Mais informações acessar: 

 http://www.fortedecopacabana.com/modules/articles/article.php?id=3

Casa do Marechal Deodoro da Fonseca. (13/05/2009)

Casa do Marechal Deodoro da Fonseca. (13/05/2009)

 Casa Histórica de Osório

De grande importância histórica e arquitetônica, este prédio, provavelmente do final do Século XVIII, antiga residência do Marechal Osório, Ministro da Guerra de D. Pedro II, Patrono da Cavalaria do Exército Brasileiro, detentor do título de Marquês de Herval e Senador do Império, abrigou anteriormente o Museu do Exército. O Marechal Osório a ganhou de D. Pedro II. É uma das mais antigas casas residenciais do Estado do Rio de Janeiro, senão a mais antiga, provavelmente construída no século XVIII. 

O prédio tem fachada de cantaria e revestimento de azulejos raros, e à sua cobertura, marcada por forte platibanda, sobrepõe-se uma série de janelas com verga de arco pleno. O acesso à residência é feito por grandes portões colocados na lateral direita do prédio, aí também se repete o uso da verga de arco pleno. A casa durante largo período foi utilizada como moradia coletiva, deteriorando-se muito; posteriormente foi restaurada, para sediar o Museu do Exército. Atualmente nela funciona a Academia Brasileira de Filosofia.

 Mais informações acessar:

http://www.filosofia.org.br/html/mal_osorio.htm

Casa do General Osório. (12/05/2009)

Casa do General Osório. (12/05/2009)

Pantheon de Caxias

Localizado na Praça da República, em frente ao Palácio Duque de Caxias, o Pantheon é uma espécie de mausoléu destinado a abrigar os restos mortais do patrono do Exército Brasileiro, o Marechal Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias. O Pantheon de Caxias foi construído em 1949 e inaugurado no dia 25 de agosto do mesmo ano. Sua construção tinha por objetivo comemorar os cem anos do nascimento de Caxias.

 Foi realizada uma cerimônia de exumação, no Cemitério do Catumbi e depois os restos mortais de Caxias e de sua esposa (Anna Luiza de Loreto Carneiro Vianna de Lima) foram colocados em caixetas e depositados em uma urna especial, a fim de serem transportados para a capela do Cemitério, onde ficaram sob guarda. No dia seguinte os despojos foram transladados sobre os ombros de oito praças do Batalhão de Guardas, em uniforme de Parada, até um veiculo que transportou os restos mortais até a Igreja de Santa Cruz dos Militares. Neste Local foi realizada uma missa solene e uma vigília cívica. Na manhã do dia 25, teve início o traslado dos restos mortais do Duque de Caxias e sua esposa para o Pantheon, em uma carreta. Em seguida foi inaugurado o Monumento ao Duque de Caxias no Pantheon, com a colocação dos restos mortais do Patrono do Exército e de sua esposa em seus locais de descanso definitivo.

 Mais informações acessar:

http://www.fortedecopacabana.com/modules/mastop_publish/?tac=29

Pantheon de Caxias. (13/05/2009)

Pantheon de Caxias. (13/05/2009)

Férias 2009 – Petropólis (Parte IV)

Aproveitando a visita ao Museu Imperial, agendei uma visita ao Arquivo Histórico do Museu Imperial, que fica num prédio próximo. Fui atendido pela funcionária Neibe, que muito atencciosa me explicou como são os procedimentos para pesquisa ali e me orientou como deve fazer para obter as informações de que preciso. E ainda me enviou por email trechos do diário de D. Pedro II que estão transcritos e que são do período que estou pesquisando. Pretendo voltar lá futuramente para pesquisar mais sobre o assunto que desejo.

Arquivo Histórico do Museu Imperial:

Freqüentado por estudantes, historiadores e pesquisadores em geral, o Arquivo reúne hoje uma coleção que alcança cerca de 250 mil documentos originais. Ideal para estudiosos que estão produzindo teses acadêmicas,  roteiristas de minisséries e novelas para a TV, cineastas, escritores e até cenógrafos de escolas de samba, o forte do Arquivo Histórico do Museu Imperial são os documentos do século 19. Mas, dentro daquele espaço também podem ser encontrados registros históricos que vão desde o século 13 até o início do 20.

Outra valiosa contribuição para a memória do país é o precioso conjunto de fotografias que recupera parte da história visual do Brasil, do Estado do Rio de Janeiro e da cidade de Petrópolis desde o início da fotografia.

O acervo do Arquivo Histórico é constituído de documentos de caráter  privado que, pela atuação política da maior parte de seus autores e destinatários, são significativamente importantes pela complementaridade ou elucidação que oferecem à documentação de caráter público conservada no Arquivo Nacional e no Arquivo Histórico do Itamarati. Abrange principalmente o século XIX e o primeiro quartel do século XX,relacionados aos seguintes assuntos: Brasil-Reino; Rio da Prata e América espanhola; Brasil-Império (Primeiro e Segundo reinados); fase inicial da República e assuntos relativos ao Estado do Rio de Janeiro e à cidade de Petrópolis. Além desses, possui arquivos semi-públicos ligados à formação histórica do Estado do Rio de Janeiro e, especialmente, da cidade de Petrópolis. 

 Mais informações acesse: http://www.museuimperial.gov.br/ArquivoHistorico1.htm

Interior do Arquivo Histórico do Museu Imperial. (12/05/2009)

Interior do "Arquivo Histórico do Museu Imperial". (12/05/2009)

Férias 2009 – Petropólis (Parte III)

Nessa minha segunda visita ao Museu Imperial, pude me deter por mais tempo observando alguns objetos que me chamaram atenção. E dessa vez pude visitar o andar superior, o que na primeira visita em 1996 não foi possível em razão de reformas no local. Muitos ambientes foram montados, mas sem objetos originais do Palácio. Pude perceber que poucas pessoas notam isso, talvez por distração, ignorancia ou por não observarem direito as placas informando sobre os objetos ali expostos, onde é possível ler que “tal” foi doado, que outro veio de “tal” lugar. O trono ali exposto é um exemplo disso, ele veio do Rio de Janeiro, de um outro Palácio.

Quando aconteceu a Proclamação da República e o banimento da Família Real, muitos objetos foram destruidos, outros retirados do local e acredito que alguns até foram roubados. Ali é possível observar um quadro que possui cortes provocados pela espada de algum republicano mais eufórico, que deve ter entrado no Palácio nos dias posteriroes a Proclamação da República. Mesmo nem tudo sendo original, a visita é valida, pois você pode entrar no clima do lugar e imaginar como era a vida palaciana  naquela época.

Dois objetos interessantes são as coroas de D. Pedro I e de D. Pedro II. A de D. Pedro I tem somente a carcaça de ouro, pois foi desmontada e teve suas jóais utilizadas para a confecção da coroa de D. Pedro II. Essa sim, está completa e é muito bonita.

Museu Imperial

Em 1822, D. Pedro I, viajando em direção a Vila Rica, Minas Gerais, para buscar apoio ao movimento da nossa Independência, encantou-se com a Mata  Atlântica e o clima ameno da região serrana. Hospedou-se na Fazenda do Padre Correia e chegou a fazer uma oferta para comprá-la. Diante da recusa da proprietária, D. Pedro comprou a Fazenda do Córrego Seco, em 1830, por 20 contos de réis, pensando em transformá-la um dia no Palácio da Concórdia. A crise política sucessória em Portugal e a insatisfação interna foram determinantes para o seu regresso à terra natal, onde ele viria a morrer sem voltar ao Brasil.  A Fazenda do Córrego Seco foi deixada como herança para seu filho, D. Pedro II, que nele construiria sua residência favorita de verão.

A construção do belo prédio neoclássico, onde funciona atualmente o MUSEU IMPERIAL, teve início em 1845, e foi concluída em 1862. Para dar início à construção, D. Pedro II assinou um decreto em 16 de março de 1843, criando Petrópolis. Uma grande leva de imigrantes europeus, principalmente alemães, sob o comando do engenheiro Júlio Frederico Koeler, foi incumbida de levantar a cidade, construir o Palácio e colonizar a região.

Criação do Museu Imperial

Com a Proclamação da República, em 1889, a Princesa Isabel alugou o  Palácio para o Colégio Notre Dame de Sion. Mais tarde, foi a vez do  Colégio São Vicente de Paulo ocupar o prédio. Entre seus alunos, havia um apaixonado por História: Alcindo de Azevedo Sodré. Graças a ele, que sonhava acordado nas noites silenciosas, com a transformação do seu colégio em um Museu Histórico, o presidente Getúlio Vargas criou em 29 de março de 1940 pelo decreto Lei n° 2096, o MUSEU IMPERIAL. Foi aberto à visitação pública três anos depois, a 16 de março de 1943, por ocasião do centenário da fundação de Petrópolis.

O acervo do Museu Imperial, formado pela transferência de coleções de outros órgãos culturais, além de compras e doações, reúne 7866 objetos representativos da cultura nacional e estrangeira do século XIX, entre numismática, armaria, heráldica, porcelanas e cristais, ourivesaria, viaturas, mobiliário, prataria, indumentária, objetos musicais, esculturas e pinturas. Dentre as peças únicas, destacam-se o cofre em porcelana de Sèvres e bronze da Princesa de Joinville e os objetos-símbolos da Monarquia Brasileira, como a coroa imperial de D. Pedro I, a coroa e os trajes majestáticos de D. Pedro II e o cetro dos dois imperadores.

Mais informações acessar:  http://www.museuimperial.gov.br/

Visita ao Museu Imperial. (12/05/2009)

Visita ao Museu Imperial. (12/05/2009)

Visita ao Museu Imperial. (12/05/2009)

Visita ao Museu Imperial. (12/05/2009)

Visita ao Museu Imperial. (12/05/2009)

Visita ao Museu Imperial. (12/05/2009)

Família Imperial, Trono e coroa de D. Pedro II. (12/05/2009)

Família Imperial, Trono e Coroa de D. Pedro II. (12/05/2009)