Textão sobre como foi subir o PP

Por: Amanda Pichontcoski

Eu nunca tinha pensado em subir o Pico Paraná, mas sempre gostei de altura e sempre me imaginei voando, sobre montanhas, mergulhando no céu. Meus melhores sonhos são com a leveza de ver tudo do alto.

Também sempre quis sentir as nuvens, seria possível tocar? Acho que muita gente já pensou nisso também.

Posso dar mais detalhes do enrosco que foi pra conseguir ir, demorou pra dar certo, mas fui, e quando decidi e deu tudo certo, que eu ia mesmo, já comecei a treinar certinho todo dia, dando o meu máximo para melhorar meu condicionamento físico. Não sei se naquela altura conseguiria melhorar muito, mas foi uma ótima motivação para relembrar o quanto amo me exercitar e ter certeza do quanto detesto academia.

Eu era a criança que brincava o dia todo, era moleza brincar nos brinquedos de escalar (longe da minha mãe, que me fazia ter medo de quebrar o braço por isso evitava ir muito alto, mas quando dava eu ia!). Por um tempo perdi isso, mas tenho reencontrado cada vez mais disposição e capacidade física com atividades que realmente gosto!

Me sinto grata por ter conseguido chegar até onde cheguei e voltado com pouca dor no corpo! E carregando uma mochila de 6 kg! Foi subida, descida, escalar em troncos, em pedras, com cordas, com grampos, inclinação de até 90° num paredão de pedra, muita umidade, escorregadio, engatinhando, escorregando (rasgou minha calça), com muita lama (coitada das meias), trechos na beiradinha do precipício, que aventura!

Inclusive, eu não tinha nada pra ir, não tinha ideia do que levar, nem roupa pra um evento desses! Foi tudo se ajeitando da melhor forma, grata amigos! Inclusive não ter conseguido capa de chuva foi ótimo porque nem choveu! Otimismo é tudo (ou saber pedir com jeitinho, por favor chuva não, quero te ver nascer Solzinho!)

Mas, se forem acampar numa montanha, levem saco de dormir ou algo pra se esquentar bem, uma blusa de lã e xale de lã não são o suficiente se você é friorento como eu. Grata aos amigos que passaram frio pra eu não morrer de hipotermia, vocês vão pro céu direto! Mas dependendo do ponto de vista vocês estavam lá, comigo ainda!

Que vista! E nuvens… Não dá pra pegar, mas deixa o ar bem úmido e tinha hora que não dava pra ver quase nada.

O pôr do Sol ficou entre as nuvens, e logo apareceu Vênus, Júpiter e Saturno pertinho da Lua! Logo o céu ficou todo repleto de estrelas (mas com o frio que eu estava vi bem pouquinho).

Que aventura! Mesmo já estando ali pertinho do céu percebi o quanto quero viver, conversando com a Terra, com as pedras, “belas ancestrais me ajudem a subir mais um pouquinho”. Teve tremedeira e choro, medos que eu nem sabia que eu tinha e mais uma vez o universo deu um jeitinho de fazer passar as pessoas certas para me auxiliar e me dar coragem para mais um trecho. Realmente percebi o quanto quero viver.

Estou extremamente feliz em ver o quanto as pessoas se unem, se ajudam, são solidárias nessas situações. Não apenas do meu grupo, mas todos que foram fazer a trilha, e posso citar muitos exemplos, desde um “bom dia” para todos que passavam, “vocês estão quase chegando”, “fiquem no A2 porque o pico está lotado”, “eu tenho curativo”, “alguém quer água?”, “tem “banheiro” ali”, até uma mão e um apoio para conseguir subir.

Subi, subi e vi o Sol! Faltava 15 minutos para chegar no pico do Pico, fiquei por ali mesmo. De onde eu estava podia jurar que faltaria mais uma hora pra chegar, parecia muito longe, meu corpo até aguentaria, mas talvez eu quisesse uma desculpa para voltar lá de novo. Começamos a subir 4:30, minha lanterna estava fraca, pelo menos não estava mais tão úmido e não levei nem água. Mesmo não tendo ido até o topo, me senti realizada, era para ser assim. Foi emocionante, meu objetivo era ver o Sol nascendo ali mesmo e vi, com os passarinhos voando logo ali, acordando, vendo toda natureza e o cenário mudar, renascer.

Tudo está diferente agora.

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Amanda Pichontcoski (02/11/2019)