Férias 2009 – Rio de Janeiro (Parte II)

Nos “perdidos” que dei pelo centro do Rio (andar sem rumo, ás vezes sem saber onde estou e depois encontrando um lugar conhecido ou o caminho de volta), acabei encontrando sem querer algumas construções históricas bastante interessantes. Entre elas vale a pena citar: Casa do Marechal Deodoro, Casa do General Osório e Pantheon de Caxias.

Casa de Deodoro

Quando vi essa casa, na hora lembrei-me de um texto que o Professor Décio nos deu para estudar no curso de História e onde tinha uma gravura da casa. Essa casa encontrei totalmente sem querer e quando vi do que se tratava tentei me localizar geograficamente e então percebi que a Praça da Republica, que fica bem em frente, era o antigo Campo de Santana. Não cheguei a entrar na casa, pois já estava fechada, mas deu pra perceber que ela está bem conservada e virou Museu. A região onde ela está localizada, hoje em dia é muito movimentada, pois bem perto fica a Central do Brasil. Notei que milhares de pessoas passam em frente á Casa de Deodoro e quase ninguém olha para ela. Esse pessoal que passa apressadamente por ali não tem a mínima noção de que aquele imóvel tem uma enorme importância pra História do Brasil.

História da Casa de Deodoro

O sobrado número 197, da Praça da República, esquina com Rua Azevedo Coutinho, é um dos sítios históricos mais importantes da História política do Brasil. Além de servir de residência para o Marechal Deodoro da Fonseca, proclamador da República Brasileira, foi na Casa Histórica de Deodoro, chamada assim desde 1889, que foi decidido o primeiro Ministério Republicano, no dia 09 de novembro de 1889, assim como também nela decidiu-se como seria a Bandeira Nacional, no dia 19 de novembro do mesmo ano. 

A casa na qual o Marechal Deodoro residia, tinha como endereço na época o Campo da Aclamação, n° 99, Freguesia de Sant’Anna, tendo sido o imóvel alugado pelo Marechal por ocasião de seu retorno ao Rio de Janeiro, após a sua exoneração do cargo de Comandante das Forças de Terra e Mar da Província do Mato Grosso.

A Casa de Deodoro foi construída no início do século XIX, provavelmente entre 1808 e 1817.  Entretanto, os registros sobre o terreno são bem mais antigos. Como todas as residências construídas no início do século XIX, a Casa Histórica de Deodoro possui características típicas de um sobrado urbano residencial do período colonial.  Foi construída com pedra, cal e óleo de baleia, materiais fartamente utilizados pelos portugueses nas construções do período. Algumas paredes internas foram levantadas originalmente em taipa, pau-a-pique e madeira, mais tarde substituídas por paredes de tijolos, nas diversas reformas realizadas. Entretanto, sua fachada conserva as características originais, apresentando as ombreiras enquadradas em pedras e várias aberturas. Suas telhas foram feitas artesanalmente, moldadas “nas coxas” dos escravos. Assim como em todo sobrado do final do período colonial, a Casa tinha os seus dois pavimentos com funções bem definidas. O andar térreo era destinado à guarda dos carros puxados por animais (razão pela qual existe uma entrada central mais larga), como habitação para os escravos da família, ou mesmo para instalação de atividades comerciais. Portanto, constituía-se na parte menos nobre do imóvel, uma vez que era dedicada ao trabalho braçal, coisa desprezada pela sociedade da época. No andar superior ficava a verdadeira residência da família. Havia uma varanda na parte frontal, de onde podia se observar o movimento da rua; a sala de receber, constituída de poucos móveis; um corredor que fazia a ligação desta para as alcovas, que eram os quartos, os quais eram desprovidos de janelas para o exterior, característicos dos hábitos lusitanos de recato familiar; e finalmente, o principal ponto de reunião da família, a sala de jantar.

Em 1890, o Marechal Deodoro da Fonseca mudava-se, como Presidente da República, para o Palácio do Itamaraty. Ao mesmo tempo, a casa e seu terreno eram vendidos. Muito embora o imóvel continuasse a se constituir numa residência particular, a Intendência do Distrito Federal ordenou a fixação de uma lápide comemorativa na fachada da casa, que continha os seguintes dizeres: “Desta casa, residência do Mar. Deodoro da Fonseca saiu este grande Chefe Militar para proclamar na manhã de 15 de novembro de 1889, a República dos Estados Unidos do Brasil”.

Em 1899, a Casa é vendida por Dona Leonarda Alexandrina de Miranda a Manoel José de Magalhães Machado. Em 14 de janeiro de 1905, o imóvel era desapropriado pelo Governo Federal com a assinatura do Decreto n° 1.343 do Presidente da República. Entretanto, embora a documentação desse a entender que a desocupação do imóvel seria para transformá-lo numa espécie de sítio histórico, a Casa ficou entregue a particulares, notadamente a Oficiais do Exército em trânsito pelo Distrito Federal.

Em 1918, a Casa foi ocupada, ao que parece por caráter temporário, por um órgão assistencial: o Pritaneu Militar, uma espécie de colégio, cuja principal finalidade era a de proporcionar ensino aos filhos órfãos de militares. A 4 de janeiro de 1937, o imóvel foi recebido pelas autoridades para que nele se instalasse o Quartel General da Artilharia Divisionária, que ocupou a parte superior. Entretanto, esta Unidade só ocuparia tais aposentos até o ano de 1946, uma vez que em 2 de maio o Clube dos Oficiais Reformados e da Reserva das Forças Armadas (CORRFA), passou a residir no referido local.

A primeira medida visando a preservação da Casa, cujo interior foi bastante comprometido em face dos diversos ocupantes ao longo dos anos, ocorreu a 4 de junho de 1958, quando o imóvel foi tombado. Em 27 de janeiro de 1966, a Casa Histórica de Deodoro tornava-se sede provisória do Museu do Exército. A Casa receberia de imediato o acervo do Museu de Medicina Militar e da extinta Comissão Rondon. 

Em 1968 foram iniciadas as obras de restauração do Imóvel. As casas dos terrenos vizinhos foram demolidas, tendo as autoridades militares feito um esforço para adquirir os terrenos, que serviriam para acomodar um jardim com estátuas de Deodoro e seus irmãos. Entretanto, tal projeto não foi realizado. As obras realizadas no período foram extremamente necessárias, tendo em vista as várias agressões que o imóvel sofreu ao longo dos anos pelos variados inquilinos, bem como devido às demolições executadas pela SURSAN dos imóveis laterais vizinhos, que haviam sido desapropriados, as quais aumentaram o perigo de desabamento da Casa.

Assim, o Museu do Exército funcionou na Casa de Deodoro até o ano de 1987, quando o então Ministro do Exército, General Leônidas Pires Gonçalves, determinou sua extinção e a incorporação das instalações, a estrutura em pessoal e material e o acervo do Museu do Exército ao Patrimônio do Museu Histórico do Exército e Forte de Copacabana. Embora o Museu do Exército fosse extinto e recriado como Museu Histórico do Exército no Forte de Copacabana, a Casa continuou aberta à visitação até fevereiro de 1988, quando fortes chuvas atingiram a Cidade do Rio de Janeiro, causando vários danos à Casa Histórica de Deodoro, entre outros, às instalações elétricas e hidráulica afetadas, paredes com infiltração, madeiramento estragado e várias telhas originais quebradas. A fim de resolver tais problemas foram convocados técnicos do Departamento Geral de Patrimônio Cultural da Secretaria de Cultura do Município. Após várias obras a Casa foi reinaugurada e aberta à visitação pública. Entretanto, os problemas estruturais voltaram a ocorrer, o que levou novamente ao fechamento da Casa ao público. No ano de 1998, após uma série de reformas e adaptações a Casa foi reaberta, no dia 24 de março, desta vez com um novo inquilino, o Instituto de Geografia e História Militar do Brasil.  Pouco tempo depois, a exposição do acervo ao público foi mais uma vez cancelada, tendo em vista os crônicos problemas estruturais. Entretanto, o Instituto continuou em funcionamento.

A Casa foi reaberta ao público, no dia 15 de novembro de 2006, com uma exposição sobre o Marechal Deodoro da Fonseca. Um esforço da Diretoria de Assuntos Culturais e da Direção do Museu Histórico do Exército e Forte de Copacabana para tornar a Casa Histórica de Deodoro parte do roteiro cultural da Cidade do Rio de Janeiro.

 Mais informações acessar: 

 http://www.fortedecopacabana.com/modules/articles/article.php?id=3

Casa do Marechal Deodoro da Fonseca. (13/05/2009)

Casa do Marechal Deodoro da Fonseca. (13/05/2009)

 Casa Histórica de Osório

De grande importância histórica e arquitetônica, este prédio, provavelmente do final do Século XVIII, antiga residência do Marechal Osório, Ministro da Guerra de D. Pedro II, Patrono da Cavalaria do Exército Brasileiro, detentor do título de Marquês de Herval e Senador do Império, abrigou anteriormente o Museu do Exército. O Marechal Osório a ganhou de D. Pedro II. É uma das mais antigas casas residenciais do Estado do Rio de Janeiro, senão a mais antiga, provavelmente construída no século XVIII. 

O prédio tem fachada de cantaria e revestimento de azulejos raros, e à sua cobertura, marcada por forte platibanda, sobrepõe-se uma série de janelas com verga de arco pleno. O acesso à residência é feito por grandes portões colocados na lateral direita do prédio, aí também se repete o uso da verga de arco pleno. A casa durante largo período foi utilizada como moradia coletiva, deteriorando-se muito; posteriormente foi restaurada, para sediar o Museu do Exército. Atualmente nela funciona a Academia Brasileira de Filosofia.

 Mais informações acessar:

http://www.filosofia.org.br/html/mal_osorio.htm

Casa do General Osório. (12/05/2009)

Casa do General Osório. (12/05/2009)

Pantheon de Caxias

Localizado na Praça da República, em frente ao Palácio Duque de Caxias, o Pantheon é uma espécie de mausoléu destinado a abrigar os restos mortais do patrono do Exército Brasileiro, o Marechal Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias. O Pantheon de Caxias foi construído em 1949 e inaugurado no dia 25 de agosto do mesmo ano. Sua construção tinha por objetivo comemorar os cem anos do nascimento de Caxias.

 Foi realizada uma cerimônia de exumação, no Cemitério do Catumbi e depois os restos mortais de Caxias e de sua esposa (Anna Luiza de Loreto Carneiro Vianna de Lima) foram colocados em caixetas e depositados em uma urna especial, a fim de serem transportados para a capela do Cemitério, onde ficaram sob guarda. No dia seguinte os despojos foram transladados sobre os ombros de oito praças do Batalhão de Guardas, em uniforme de Parada, até um veiculo que transportou os restos mortais até a Igreja de Santa Cruz dos Militares. Neste Local foi realizada uma missa solene e uma vigília cívica. Na manhã do dia 25, teve início o traslado dos restos mortais do Duque de Caxias e sua esposa para o Pantheon, em uma carreta. Em seguida foi inaugurado o Monumento ao Duque de Caxias no Pantheon, com a colocação dos restos mortais do Patrono do Exército e de sua esposa em seus locais de descanso definitivo.

 Mais informações acessar:

http://www.fortedecopacabana.com/modules/mastop_publish/?tac=29

Pantheon de Caxias. (13/05/2009)

Pantheon de Caxias. (13/05/2009)