Estrada Real – 1° Dia

Ouro Preto/Ouro Branco/Conselheiro Lafaiete

(resumo)

O navegador Amyr Klink disse certa vez que “o mais difícil é partir”. Depois que você organizou e se preparou, basta percorrer o primeiro quilômetro que tudo fica mais fácil. No meu caso foram dez anos de espera para finalmente percorrer o primeiro quilômetro da Estrada Real. Foi muito tempo de planejamento, treino, dinheiro e tempo investidos. Então após percorrer o primeiro quilômetro e finalmente iniciar a viagem, tudo mais ia fluir e os demais seiscentos e poucos quilômetros pareceriam mais fáceis de percorrer do que esse primeiro quilômetro percorrido. Parei em frente à estação de trem de Ouro Preto e tirei uma foto, onde ao fundo aparecia o nome da cidade na parede do prédio da estação. Não me demorei muito e segui pedalando ao lado do trilho do trem. Deixei o guia aberto dentro da bolsa de guidão, para ficar mais fácil de pegá-lo quando precisasse consulta-lo para descobrir o caminho a seguir. A guia dizia para virar à direita na primeira rua logo após passar pela estação de trem e foi isso o que fiz.

Mal tinha percorrido o primeiro quilômetro de viagem e já cheguei na primeira subida. Segundo o guia, durante a viagem eu percorreria nada menos do que 319 quilômetros de subida nos próximos dias. E a primeira subida foi uma das mais difíceis, nem tanto pela inclinação, mas sim pelo perigo. A subida era em estrada asfaltada, mas não tinha acostamento e ao lado da estrada existia uma pequena mureta, e após a mureta existia um enorme precipício. Segui pedalando pelo canto da estrada, bem perto da borda do precipício e quando passava um carro subindo e outro descendo, o carro que subia era obrigado a passar muito perto de mim. Esse foi o primeiro grande perrengue da viagem e toda vez que escutava um carro subindo atrás de mim, torcia para que ele estivesse me vendo. A vista da cidade, de onde eu estava era muito bonita, mas não tinha como ficar olhando muito para tal vista. Procurei pedalar o mais rápido possível, o que não era muito fácil devido a inclinação da subida e ao peso da bike. Segundo o guia, essa primeira subida que enfrentei tinha cerca de um quilômetro de extensão, mas confesso que parecia ser bem mais do que um quilômetro.

Com a bicicleta pesada por culpa do alforje, sem trocar marchas leves e com subidas longas e difíceis, a única opção era empurrar a bicicleta em algumas subidas. E seu eu tinha passado frio não muito tempo antes, agora eu estava era derretendo de calor novamente. E para piorar minha situação, a estrada não tinha acostamento e passavam muitos carros por ela. Então empurrar a bike no cantinho da estrada, com carros passando muito próximos de mim, não foi uma tarefa das mais agradáveis. E acostamento viria a descobrir nos dias seguintes, é algo que praticamente não existe naquela região de Minas Gerais. São muitas serras, muitas curvas perigosas, muitos carros e muito pouco acostamento. Talvez a falta de acostamentos, seja uma das razões do Estado de Minas Gerais ser um dos recordistas brasileiros e acidentes e mortes nas estradas.

No alto de uma serra, em um local chamado Itatiaia, parei em um restaurante ao lado da estrada. Passava um pouco das 13h00min e estava começando a sentir fome. Fui ao banheiro e depois comprei um pão de queijo e uma Coca-Cola. Sentei do lado de fora do restaurante e ali fiz meu rápido almoço. O pão de queijo estava divino, talvez aquele tenha sido o pão de queijo mais gostoso que já comi na vida. Descansei alguns minutos e voltei para a estrada, pois tinha muito quilômetros pela frente e queria chegar em Conselheiro Lafaiete antes de anoitecer.

Pouco antes das 15h00min, cheguei na cidade de Ouro Branco. Segundo o guia, na cidade existiam dois pontos turísticos que valiam e pena ser visitados. A entrada na cidade era por uma longa subida, a qual percorri empurrando a bike. Como a cidade não era grande, logo cheguei ao centro e encontrei os dois pontos turísticos que o guia indiciava. Um deles era a Igreja Matriz, que passava por restauração e na frente tinha uma daquelas placas enormes do Governo Federal informando quantos milhões estavam sendo investidos na tal restauração. Nem perdi tempo em descer da bike e ir olhar a igreja mais de perto. Tirei uma foto de longe e me dirigi ao outro lado da rua, onde ficava o segundo ponto turístico. Era um casarão antigo e preservado, construído em 1759. Queria tirar uma foto do casarão, mas tinham alguns homens sentados em frente ao casarão e fiquei com receio de que não gostassem de eu tirar uma foto onde eles apareciam. Já estava desistindo da foto do casarão, quando um barulho vindo da rua de cima fez com que todos os homens olhassem para o lado de onde vinha o ruído, e rapidamente tirei a foto do casarão com eles sentados em frente sem que nenhum me visse tirando a foto. Subi na bike e segui pedalando e cumprimentei e fui cumprimentado por todos que estavam em frente ao casarão.

Logo cheguei na Casa de Tiradentes, que é um ponto turístico da região. Apesar do nome, Tiradentes o herói e mártir da inconfidência, não morou em tal casa. Na verdade a casa em questão era sede da antiga Fazenda Carreiras. Essa fazenda era um ponto de parada no caminho e muitos viajantes pernoitavam nela quando viajam por aqueles lados. E Tiradentes pernoitou muitas vezes nesse lugar.

Já estava começando a escurecer, quando finalmente cheguei em Conselheiro Lafaiete. Fiquei em dúvida sobre qual caminho seguir para entrar na cidade, e parei pedir informação a um senhor que esperava ônibus numa parada ao lado da rua. Caminho indicado e segui pedalando. Eu estava exausto, pois era o primeiro dia de pedal e além de ter enfrentado muitas subidas, tinha tido problema mecânico com a bike, o que me obrigou a empurra-la por alguns quilômetros durante o dia.

*Para ler o relato completo sobre esse dia de viagem, ou sobre toda a viagem pela Estrada Real, adquira o livro “Estrada Real Caminho Velho”, autor Vander Dissenha.

À venda a partir de 01/11/2016 

Versão online: Amazon

Versão impressa: Clube de Autores

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